27 de outubro de 2017

A Vertigem das Listas: Dez Histórias para (re)visitar no Halloween


É meio hilariante que eu me empolgue tanto com o Halloween e passe o mês de outubro inteiro escrevendo sobre terror, romances góticos e outras variações quando sou, confessadamente e sem nenhuma vergonha, uma medrosa. Sinto mais facilidade em ler em vez de assistir filmes do gênero e prefiro algo um pouco mais sutil que vísceras espalhadas por aí e cabeças rodando no eixo do pescoço. Fujo de tudo que me cause pesadelos ou faça com que eu tenha vontade de ir procurar, sei lá, água sanitária para lavar meu cérebro.

Mas eu tenho meus favoritos, aquelas histórias que, não importa quanto tempo passe, continuam exercendo fascínio sobre mim - livros que releio ao longo dos anos; filmes que sempre que aparecerem quando estou pulando canais, vou começar a assistir. Essa é uma lista que é pura nostalgia e creio já ter falado de vários deles até mais de uma vez aqui no Coruja. Mas, como o tema do Vertigem desse mês já fala, essas são histórias para revisitar.

Vou começar com um clássico que assisto todo ano e que não me canso nunca! O Estranho Mundo de Jack é meu filme favorito do Tim Burton e é um dois por um: um filme de Dia das Bruxas e de Natal, tudo na mesma história! O conto de Jack Skellington, o rei da Cidade de Halloween, cansado de sua rotina, deprimido em fazer sempre as mesmas coisas, os mesmos sustos. e que de repente descobre algo novo que desperta seu interesse e paixão!


A estética da animação, as canções, o humor negro - as marcas registradas de Burton, que cria personagens de pesadelo estranhamente cativantes, são as razões para que ele ainda apareça mais duas vezes nessa lista: A Noiva Cadáver, com seu mundo dos mortos colorido e musical; e Os Fantasmas se Divertem.


Jogue a primeira pedra quem nunca repetiu três vezes Beetlejuice, Beetlejuice, Beetlejuice e esperou para ver se ele apareceria. Esse filme marcou minha infância e a de toda a minha geração (exceto a Ísis, que não está aqui hoje e que não teve infância), tornou-se um ícone na cultura pop e volta e meia surgem especulações sobre uma continuação.

Sobre a A Noiva Cadáver, lembro de ir vê-lo no cinema e de ter saído encantada com os contrastes entre os dois mundos apresentados no filme; o quanto o mortos eram muito mais vivos e interessantes que os vivos. E a trilha sonora! Tanto A Noiva Cadáver quanto O Estranho Mundo de Jack tiveram a (fantástica) trilha sonora assinada por Danny Elfman e escrevo essas linhas ouvindo justamente elas.


Continuando minha lista, o próximo também é um filme cuja estética é tanto apavorante quanto uma obra de arte: falo, claro, de O Labirinto do Fauno do Guillermo del Toro. A mistura do horror bastante humano da Guerra Civil Espanhola com a fantasia de um mundo invisível de fadas, com um fauno gigantesco como anfitrião, é absolutamente fascinante (minha voz mental nesse ponto está soando como Spock…).


E eu também adoro a trilha sonora dele…

Após alguns fantasmagóricos paralelos, vamos tratar de vampiros, porque tem duas histórias vampirescas na minha lista!

Drácula é um clássico do romance gótico, um dos grandes títulos herança da era vitoriana. Gosto da forma como a história foi escrita, através de cartas, diários, notícias; da maneira como Stoker trouxe tanto das características sociais da época para a narrativa. O engraçado é que esse é um daqueles raros livros cuja adaptação acrescentou à obra: o filme do Coppola traz Gary Oldman como minha versão favorita do Conde - não só porque Oldman é um grande ator, mas porque o roteiro deu a Drácula uma motivação, um passado; tornou-o um personagem com muito mais profundidade porque lhe deu voz, algo que não acontece no livro.


A sensualidade de Drácula é de tirar o fôlego, mas não há vampiros que superem nesse quesito àqueles criados por Anne Rice. Não me lembro quando foi a primeira vez que assisti Entrevista com o Vampiro, que, aliás, conheci primeiro pelo filme e depois pelo livro, mas sei que a narrativa de Louis, a tragédia de Claudia e a completa amoralidade de Lestat me marcaram: quando penso em vampiros, eles são, talvez até mais que a criatura de Stoker, os primeiros que me vêm à mente.


É claro que Neil Gaiman não poderia faltar a essa lista e ele aparece duas vezes: Coraline, em todas as suas versões que já tive chance de pôr as mãos: filme, graphic novel e livro; e O Livro do Cemitério, que, por sinal, vai ter o primeiro volume da graphic novel lançado ainda esse ano em português.

Adoro Coraline pela forma como Gaiman consegue criar um mundo novo, com uma protagonista que cabe perfeitamente em nossa realidade, e num tom clássico de conto de fadas. É uma história que ressoa a coisas antigas e mágicas, mas é, ao mesmo tempo, bastante moderna.


O Livro do Cemitério, por sua vez, tem um quê de filme do Tim Burton (e vivo na expectativa de vê-lo adaptado ), com um mundo dos mortos paralelo ao dos vivos que é pulsante e maravilhoso. Ninguém Owens, o protagonista do romance, é um garoto humano comum que perdeu a família assassinado e acabou por ser adotado por uma família de fantasmas, que o criou no cemitério da cidade. A história é inspirada em O Livro da Selva, de Rudyard Kipling, mas não é necessário nenhum prévio conhecimento para se deleitar com as aventuras de Ninguém.

Para fechar a lista de hoje, dois autores clássicos, um romance e uma antologia de contos: Bradbury, cujo Algo Sinistro Vem Aí é o romance por excelência para o dia das bruxas e Poe, que não pode faltar nessa época (e em todas as outras, para ser sincera, mas no Halloween em particular).


O Circo criado por Bradbury, com seu carrossel do tempo, seus estranhos personagens, suas abominações e horrores, é um lugar de pesadelos... mas um lugar de poesia e sonhos também. foi um dos primeiros livros do autor que li e lembro de ficar de queixo caído com a beleza com que Bradbury conseguia tecer uma história que, em sua essência, tratava de alguns dos nossos maiores medos.

Poe também tem um estilo poético; seus contos são sonoros, cheios de ritmo, ótimos para serem lidos em voz alta, para criar o clima que os perpassa. Seus contos são arrepiantes e trazem o que há de pior no ser humano: crime e loucura, amores obsessivos, ira e crueldade, ganância e avareza.


Dos dez títulos que indiquei nessa lista, acho que apenas O Livro do Cemitério nunca foi adaptado para as telas. Todos os outros têm adaptações - alguns, como Drácula, múltiplas versões até. É claro que essa não é uma lista exaustiva e ainda havia muita coisa que eu gostaria de colocar aqui... mas tenho de me restringir de alguma forma e, bem, dez está de bom tamanho - e todos os que estão aqui são grandes favoritos meus.

Mas e vocês, contem aí, que histórias revisitam nessa época do ano?

Dez Histórias para (re)visitar no Halloween

1. O Estranho Mundo de Jack, Tim Burton
2. Os Fantasmas se Divertem, Tim Burton
3. A Noiva Cadáver, Tim Burton
4. O Labirinto do Fauno, Guillermo del Toro
5. Drácula, Bram Stoker
6. Entrevista com o Vampiro, Anne Rice
7. Coraline, Neil Gaiman
8. O Livro do Cemitério, Neil Gaiman
9. Algo Sinistro vem por Aí, Ray Bradbury
10. Histórias Extraordinárias, Edgar Allan Poe


A Coruja


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