5 de dezembro de 2015

180º - Cinema


Olá de novo! Estamos no último 180º do ano! Para fechar 2016, dessa vez eu quero comentar algo curioso sobre o cinema no Japão.

Vou começar com um fato: a última parte de “Hunger Games” já estreou no Brasil, e, muito para minha surpresa, de acordo com o IMDB, aparentemente estreou aqui no Japão na mesma época, ou seja, em Novembro. Por que isso me deixou pasma? Digamos que o calendário dos cinemas japoneses não corresponde ao da maior parte do mundo, no que concerne a filmes vindos de fora, mormente aos chamados blockbusters. Normalmente é um dos últimos países em que um filme estreia, perdendo apenas para a Austrália, até onde eu saiba.

Lulu e eu ficamos especialmente frustradas quanto aos filmes dos Vingadores (Marvel), vez que ela normalmente tem que aguentar pelo menos dois meses para poder comentar comigo. A título de exemplo, “Avengers: Age of Ultron” estreou no Brasil no final de Abril de 2015, mas no Japão só começou a passar dia 4 de Julho... Para mim é frustrante, porque é difícil não ver spoilers ou conversar com amigos no Brasil (ou outro lugar do mundo) sobre a obra.

Mas por que isso acontece? Tanto no caso da Austrália, quanto no caso do Japão, isso é feito para proteger a indústria nacional. EU não sei exatamente qual a lógica, a menos que eles estejam contando que potenciais espectadores recebam spoilers com origem lá fora, e, por isso, deixem de assistir aos grande filmes, dirigindo-se a uma produção nacional (japonês), em vez de um internacional. Não me acreditem 100%, contudo, vez que essa é a minha hipótese. Não vejo de que outra forma atrasar as datas de estreia poderia proteger a indústria japonesa de filmes...

Por outro lado, quando um filme japonês estreia aqui, leva muito tempo até que ultrapasse as fronteiras. A única exceção que conheço é a Coréia do Sul, que parece passar nos cinemas quase simultaneamente à exibição japonesa. Interessante observar que, costumeiramente, também demora para ser lançado para consumo, em DVD, Blu-ray etc. A exemplo, “Boruto” (o mais recente, e talvez o último, filme da série “Naruto”) saiu dos cinemas há pouco tempo, em outubro de 2015, e sua estreia foi em agosto. Pelo que soube, porém, esse mesmo filme só poderá ser adquirido em abril de 2016... “The Last” (vide post aqui) ficou nos cinemas até Janeiro de 2015, e o DVD/Blu-Ray só saiu para consumo no final de julho, embora só tenha saído em seis meses porque “Boruto” estrearia em agosto. De outra forma, teriam demorado mais uns dois meses, seguindo o ritmo de filmes passados da série.

Muitas produções japonesas seguem um calendário parecido entre suas temporadas nos cinemas, e o lançamento de suas mídias. “Kuroshitsuji ~Book of Murder~” foi outro que demorou uns cinco meses para lançar...

POR QUE ESSES JAPONESES GOSTAM DE SOFRER TAAAAAAANTOOOOOOO?!?!?!?!?!?

Interessante que, quer pela crise, quer por essa demora para estrear os filmes de Hollywood, ou por seja lá que outro motivo, o cinema no Japão está em maus lençóis. Alguns estão fechando, e dizem que têm cada vez menos espectadores. Entretanto, não sei até onde isso é válido, porque no cinema que costumo ir quase sempre tem muita gente, pelo menos no fim de semana. No dia em que fui assistir “Boruto” pela primeira vez, e depois “Jurassic World”, estava, inclusive, quase impossível de transitar por ali. E normalmente vou ao mesmo cinema porque tenho cartão fidelidade dele, com o qual é muito fácil acumular pontos para poder ver filmes de graça!

Entretanto, não me admiro se, de fato, for verdade que o cinema japonês está em declínio, como já ouvi dizer. Para começo de conversa, por natureza, esse tipo de estabelecimento exige espaço, coisa que, no Japão, é muito caro! Tanto que o metro quadrado de Tokyo já foi considerado o mais caro do mundo. Salvo engano, não é mais, mas continua sendo um dos menos baratos na escala mundial. Assim, não é nenhuma surpresa que seja tão caro também o ingresso: o preço base por aqui é de ¥1.800 (mil e oitocentos ienes), equivalente a quase BRL$58,00 (cinquenta e oito reais)!! E aqui não existe meia, exceto para crianças de até 10 anos, embora haja descontos variados. Para estudantes mais velhos, porém, a redução do preço às vezes é de apenas ¥100 (cem ienes), o que, convenhamos, não é lá grandes vantagens; na minha cidade, para universitários é de ¥300 (trezentos ienes). Há, porém, diversos outros abatimentos (não cumulativos), o valor desses variando conforme o tipo de desconto e o estabelecimento.

Por exemplo, assim como na quarta-feira, no Brasil, o cinema costuma ser mais barato, aqui, no Japão, dia de quarta-feira o preço é reduzido para mulheres, e alguns cinemas têm também um dia para homens. Normalmente o primeiro dia do mês também é dia de waribiki (desconto); tem pelo menos um dia no mês designado como o dia do cinema (varia de estabelecimento para estabelecimento); e “o dia do casal” (não precisa ser casado, basta ser alguém do sexo feminino e outro do masculino). Fora os descontos fixos, como para maior de 60 anos, para estudantes (dependendo do lugar, o desconto varia conforme o nível de ensino que cursa o cliente), para exibições que comecem depois das oito da noite etc.

Outra coisa interessante é que sempre tem merchandise à venda dos filmes mais novos. Por exemplo, quando estreou “Hobbit 2” por aqui, tinha um caderno cuja capa era um mapa da Terra Média, canetas, pôsteres etc. Claro que é tudo caro, mas tem. O que eu acho mais legal, entretanto, não são esses produtos, mas sim as campanhas de estreia. Quase todo filme de anime, por exemplo, oferece brindes aos primeiros tantos espectadores (varia, mas normalmente o estoque é suficiente para pelo menos uma semana de sessões lotadas). O filme do ‘Dragonball’ de 2013 (“Batalha dos Deuses”, ou coisa assim), por exemplo, dava um estojinho na forma do radar do dragão da Bulma. O filme CG de ‘Saint Seiya’ era um livrinho com detalhes e comentários sobre o filme. O de “Hakuouki (2ª parte)” era uma cena do filme impressa... E por aí vai.

Brinde do filme Dragonball “Batalha dos Deuses”

Livrinho brinde aberto de “End of Sanctuary”, o filme CG de Saint Seiya

Fora os de anime, boa parte dos filmes em geral também oferecem campanhas de pré-venda, com ingressos mais caros, mas que oferecem brindes. Por exemplo, comprando um ingresso antecipado para “Avengers: Age of Ultron” (IMAX), ganhava-se um conjunto de cartões postais com pedaços do pôster principal do filme (abaixo), caneta do Ultron e um mini clear file, salvo engano.

O pôster usado para fazer os cartões postais

As duas campanhas do filme: a de cima é a do ingresso antecipado, e a de baixo é a dos ingressos após a ida ao cinema

E mais, independentemente de ter comprado ingresso antecipado, uma segunda promoção distribuía bonecos da Funko (linha pop! bobbleheads) para cada dois bilhetes IMAX do filme, enviados via cartão postal do governo para o escritório da campanha. EU mandei um bocado, mas infelizmente só chegou um até agora. T_____T

Eu sou materialista, confesso, então adoro esse aspecto dos cinemas daqui... E achei a campanha dos “Vingadores” divertida! Outra coisa que também acho legal é que as sessões aqui começam já de manhã. Nove horas da matina, já há sessões começando, o que dá mais flexibilidade ao horário de cada um. Já vi filme de manhã, virando noite, no meio da tarde etc. Ainda abro e fecho o cinema, pois dá para ver até cinco filmes no mesmo dia! Se tiver sorte com os horários, e não precisar parar para comer, seis!

Ok, acho que ninguém aguenta seis filmes no cinema num dia só (embora já tenha feito o equivalente a isso em vôos internacionais de 12 horas ou mais)... Mas três no mesmo dia, dá, sim!

Ainda assim, não sei se teria tanta graça. Eu já comentei antes por aqui sobre a filosofia de vida dos japoneses, que pode ser resumida em “não incomode o próximo”. Para o cinema, isso significa que ninguém pode dar um pio!!! Com algumas exceções, quase sempre eu tenho a impressão de que é um novo conceito de cinema mudo: o filme tem barulho – quer sejam os efeitos dos americanos, quer seja a gritaria dos japoneses –, mas a plateia não emite um som! Não riem, ou, pelo menos, não riem alto; não dão aquela inspirada de surpresa; não comentam etc.

Eu sei que no Brasil também não gostamos de gente falando alto no cinema e interrompendo nosso entretenimento, mas silêncio total a gente não faz. E vou dizer que isso faz falta! É muito frustrante assistir a um filme sem expressar nada...

Por outro lado, antes e depois da sessão, é legal bater fotos interativas! Algumas propagandas de filmes apresentam formas para você bater uma foto divertida. A de “Big Hero 6” era um Beymax gigante (vide a primeira foto desse post); para “007 – Skyfall” você podia bater a foto parecendo que estava caindo com o Bond; o do ‘Snoopy’ tem uma cadeirinha (para crianças) e um ‘Snoopy’ de pelúcia, e a imagem de fundo é a turma Peanuts sentada em cadeiras no cinema. A do “Attack on Titans (parte 1)” era, claro, uma cabeça enorme do gigante colossal.


E, por fim, por que não falar do 4Dx? Imagine aquele cinema que há em alguns museus de ciências mundo afora: em que a cadeira se move conforme a cena, há sprays de água e usa-se óculos 3D. Agora pense nesses efeitos, e mais vários outros, para qualquer filme blockbuster que você vá assistir no seu cinema preferido. Esse é o 4Dx.

Sabe aquela cena no final do último filme de “Twilight”? Teria perfume de rosas.

Aquelas cenas de corrida em “Mad Max”? Cheio de jatos de ar na sua cara, e freios bruscos.

Filme de luta? Você apanha junto!!! Sério... Eu ri descontroladamente no filme mais recente de ‘Dragonball’ (“Ressurreição de Frieza”), porque as cadeiras do cinema têm algo parecido com a função de massagem... Mas essas ‘massagens’ eram pancadas, e a gente apanha pelo mocinho, pelo vilão, pelo elenco de suporte etc. Pro 4Dx ficar completo nesse aspecto, falta só simular soco na cara e sensação de dor...

Claro que não é todo lugar que tem uma sala dessas, mas estão se espalhando cada vez mais. É mais caro, lógico, mas há filmes para os quais vale a pena.


Por fim, teve mais uma coisa para a qual eu precisei segurar desesperadamente uma crise de risos em pleno cinema, na primeira vez em que fui. O contexto é o seguinte: pirataria aqui é coisa séria. Ser pego dentro do cinema gravando o filme, ou fazendo upload, ou, ainda, fazendo download render-lhe-á ou a pena de cadeia, ou uma multa altíssima!

Mas aí eles me aprontam isso aqui:


Enfim, uma coisa por outra, é interessante ir ao cinema aqui. Sentirei falta quando voltar ao Brasil, mas isso ainda levará alguns anos. Por enquanto, vocês continuarão a ouvir minhas histórias...

Dessa vez, ficamos por aqui. Feliz Ano Novo para todos, e aguardem novidades do 180º para o ano que vem! ^.^ /~


A Elefanta


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