23 de dezembro de 2014

180º - EXTRA - "NARUTO: THE LAST", PORQUE PRECISO DESCARREGAR (OU NÃO) MINHA EXHILARATION COM NARUHINA


AVISO DE SPOILERS!

Não leia se você não gosta de spoilers, especificamente para o final de Naruto (vale para o mangá e o filme novo, "THE LAST").

Sejam bem-vindos a mais uma edição do 180º! Dessa vez em edição extra, para compensar a que faltou em junho, e fechar bonitinho as seis edições do ano. E, sim, isso é tanto para minha própria consciência, quanto pela da Rainha (SALVE!).

Inicialmente, confesso que o tema desse extra era outro, mas joguei-o para o ano que vem, até porque, daqui pra lá, talvez eu consiga mais informações. Dessa vez, talvez não exclusivamente, darei uma de fangirl. Eu tento não fazer isso nessa coluna, e, portanto, peço que me perdoem. Confesso, porém, que o único motivo de ter essa edição adicional, nesse momento mega ocupado e pressionado da minha vida (em que parece que não tenho tempo nem para sonhar...), se deve a uma só coisa:


"THE LAST", o filme mais recente de Naruto, estreou dia 06 de dezembro desse ano (2014).

Na minha cidade tem uma boneca chamada "Nana", na estação central. É uma das atrações de 
Nagoya, porque é um manequim gigante cuja vestimenta é regularmente trocada, 
conforme o que estiver acontecendo na cidade. Infelizmente, não cheguei a ver 
(fui uma semana depois e já não estava mais), mas ela também celebrou a estréia do filme

O título sugere que nunca mais veremos o ninja loiro e companhia nas telonas, mas eu, pelo menos, duvido muito. Tenho quase certeza que, no mínimo, fãs quererão saber como foi que nosso herói conquistou seu tão anunciado sonho, e, assim, eu acredito que ainda teremos pelo menos OAVs no futuro. Isso é pura especulação minha, aviso logo, especialmente porque aparentemente, foi anunciado que a série de TV vai continuar em 2015, com acontecimentos além de seus quadrinhos de origem (que totaliza 700 capítulos). Deus sabe o que vão colocar ali, mas confesso que estou curiosa. Além disso, já foi anunciada uma espécie de continuação do mangá, um spinoff, cujo personagem principal será o com o Bolt (ou Boruto), filho de Naruto e Hinata.

E eu estou gritando descontroladamente feito uma condenada ao escrever isso (mentira, mas só porque estou num avião, senão estaria gritando mesmo). Não pela notícia em si, porque nunca fui muito a favor deste tipo de continuação de histórias com os filhos dos personagens. Na verdade, o que me deixou super feliz foi o epílogo da história, e o próprio filme.

Serei mais direta: sou fã de NaruHina... E, sendo honesta, de SasuNaru. Na verdade, primordialmente, eu era mais do segundo, mas o Sasuke me encheu tanto o saco que deixei o fandom on hold, por enquanto. E aí o canon virou NaruHina. Moral da história, estou, no momento, super a favor dessa onda, principalmente tendo acabado de ir à telona para assistir a esse filme. E vou uma segunda vez, pelo menos.

Nem tudo foram flores, contudo. Meio que continuando o post de outubro sobre mulheres na sociedade japonesa, gostaria de criticar um pouco o que fizeram com a Hinata.

Uma das coisas que eu tinha grande expectativa com esse casal é que, sendo ambos ninjas, haveria mais igualdade entre eles do que normalmente há, tanto na sociedade japonesa em si, quanto nos casais de mangás. O Kishimoto (criador de Naruto) fez algo diferente, eu creio, ao colocar mulheres em papeis centrais, especificamente a Tsunade e a Sakura. Ele dá a ambas personalidades fortes e papéis marcantes na historia, ainda que o da Sakura leve um bom tempo para se revelar (e, até lá, ela só é chata). Eu considero isso algo relativamente novo, porque, pelo menos nos shounens que eu conheço e/ou que lembro, as mulheres normalmente não têm papel central que não seja de sacrifício, de mentoras, de namoradas ou esse último em potencial.

Normalmente elas não vão à luta junto com os meninos, muitas vezes não fazem sequer parte do grupo principal. Nos títulos poucos em que fazem, a exemplo da Kaoru de Rourouni Kenshin, as lutas delas são em outros níveis, bem mais fracos. Vide Yuu Yuu Hakusho, Dragon Ball, Cavaleiros etc. A Nami de One Piece é uma exceção, no sentido de que ela vai junto com os garotos, mas, até onde tinha lido (que não passou de 25 volumes), ela não ficava no páreo. Não sei se mudou depois daquele "reboot" que houve na história. O mais próximo de uma exceção que consigo lembrar é a Anna, de Shaman King, mas ela também não vai à luta com os outros. (A Anna é massa, mas as lutas dela são travadas totalmente separadas.)

Mas voltemos aos ninjas: ao longo da história, tanto nos quadrinhos, quanto nas telinhas, eu sempre tive a impressão de que o Kishimoto estava lentamente desenvolvendo a Hinata também. Se prestar atenção, ela, o Gaara e o Shikamaru são os únicos, fora o trio principal, que realmente vemos mudar e crescer. Era umas das coisas que me dava esperança de que, se é que haveria um casal formado no final, seria NaruHina e não NaruSaku.

FANART!

Vou colocar aqui que, desde o começo da história, eu detesto a Sakura. Admito que gostei da ideia de que o Kishimoto, do meio da história pra frente, deu a ela muito mais destaque e tentou igualá-la com os outros dois. Se bem que, no final do mangá, acabou invalidando isso, mas, ainda assim, não é algo que se vê muito (pelo menos, eu, não, mas também não leio tantos shounen).

Contudo, o que me irrita mesmo na garota de cabelos rosas (ô, ironia!) é o fato de ela estar sempre batendo, gritando ou xingando o Naruto, às vezes até sem o coitado ter feito coisa alguma. Ao mesmo tempo, o Sasuke morre de xingá-la e humilhá-la, mas ela não faz nada (provavelmente porque sabe que leva de volta). Pelo menos em parte, foi isso que me fez primeiro olhar para a Hinata com bons olhos. O fato de que, pelo menos alguém ali não abusava dos outros - especificamente de um órfão -, e que até o apóia, ainda que das sombras.
A Hinata é tímida, não tem jeito. Eu acho que ela o será até o fim da vida. Porém, ela também é uma ninja, e vem de um dos clãs mais respeitados de Konoha: os Hyuuga. Sempre me admirou essa posição não ter afetado a visão dela. E, mais, vê-la lentamente mudar, especificamente até o momento histórico em que ela defende seu herói do Pain, é refrescante num mangá shounen. Admiro o Kishimoto por isso.

Mas aí veio esse filme. E vou começar pelos pontos bons dele. Primeiro, que o visual de todos está fantástico. A Ino está gata de arrasar, e até a Sakura está muito bonita. Sasuke mal aparece, então não importa...


Interrompo essa programação para rir até dizer chega.

Normalmente ganham-se brindes quando assistimos a uma animação japonesa no cinema. 
Dessa vez, foi esse livrinho, que explica detalhes do filme e também a conexão com o 
mangá, afora um adesivo sortido do Naruto, Sasuke ou Kakashi.

Pronto, passou. Continuando. O Naruto. Gente, nosso querido garoto cresceu em todos os sentidos. Ele atualmente tem 1,80, não sendo mais um "tampinha"!!! E, o que me foi surpresa total: ele está altamente popular! Já faria sentido "só" por ser o herói de Konoha, mas a fama dele é tanta, que tem kunoichi (ninjas garotas) vindo de outras vilas só para tirar foto dele (ninjas usando a câmera do celular para bater fotos discretamente é uma cena bem hilária também)! É tão legal vê-lo numa situação boa! Melhor ainda, porém, é ver o quanto ele realmente mudou: mesmo com toda essa atenção, Naruto não fica convencido, exibido... Nada. O herdeiro dos Uzumaki virou uma pessoa calma. Continua animado, mas é diferente.

But he still kicks ass!


Desculpa, mas isso precisava ser dito. Depois de ler e assistir a essa pobre criatura apanhar feito um condenado em quase toda santa luta, dessa vez não tem pra ninguém. Claro que o vilão chefe mesmo dá mais trabalho, mas até isso não seguiu o roteiro usual. Ou melhor, roubarem o chakra gigante de nosso amado jinchuuriki não é novidade, contudo, não é bem o mesmo desenrolar. Tive essa impressão.

Outro ponto interessante: a premissa é totalmente diferente do resto da série. A narrativa que acompanhamos até agora era sobre a história das vilas ninjas, do Rokudou no Sennin, das aventuras, e, principalmente, sobre a jornada de herói do nosso protagonista. Todavia, esse filme pode ser praticamente classificado como shoujo. Eu não sei de quem foi a brilhante idéia, mas eu, claro, amei. Imaginem vermos nos shounen toda aquela parte mais "feminina" da qual muitas fãs sentem falta ao lerem algum título desse gênero... É mais ou menos isso que esse sétimo filme do Shippuuden proporciona.


Temos então um Naruto mais maduro e mais crescido, mas que ainda assim não tem noção dos sentimentos da Hinata. Mesmo ele tendo ficado popular, ainda não é muito perceptivo quando se trata desse tipo de situação. Creio que porque nunca tenha passado por algo que possa ser classificado como namoro, ou mesmo como um flerte.

Vemos também como a tímida Hinata, com um empurrão da Sakura, tenta confessar seus sentimentos. Até aqui, tudo bem. Mesmo ninjas têm direito a terem uma vida social, pelo menos nesse universo. Minha crítica é fora disso...

Vamos agora aos três maiores negativos que me fazem não amar 100% o filme. Primeiro, mesmo nas lutas, a maior parte do tempo a Hinata parece que esquece que é uma ninja. Sério, praticamente a transformaram numa garota (quase) indefesa, que precisa ser salva VÁRIAS vezes, e que desmaia trocentas outras... O tempo todo em que assistia ao filme, tive a impressão de que estava, de certa forma, assistindo a um shoujo desses de colégio, em vez de a um shounen. Não que isso seja ruim, já disse que gostei, e muito, mas é frustrante ver todo o crescimento que ela teve no mangá parecer que não aconteceu.

Certo, o meu lado romântico admite que eu queria gritar "QUE FOFINHO!" toda vez que o Naruto vinha carregar a Hinata... E, gente, foram várias vezes... Já o meu lado mais racional, e mesmo o lado de fã, não ficaram satisfeitos com essa diminuição da personagem.

Hinata carregada pelo Naruto, pela sei lá qual vez. Acho que essa é a terceira, tem pelo menos mais duas. 
(Afora as vezes que o Toneri a tem nos braços também... >.<)
E ela caindo mais uma vez, o que é outra constante durante o filme. Nem parece que é uma ninja!!!! <o>

A segunda coisa que foi meio irritante foi a forma como resolveram contar a história. Não é exatamente novidade ver uma história contada em flashbacks, mas são várias repetições de cenas, e, também, de quebradas na narrativa. A fluidez que deve ter uma história foi perdida.
E, finalmente, a terceira parte. É por meio desses flashbacks que Naruto percebe que a Hinata gosta dele, e que isso é verdade desde sempre. Ele vê lembranças de quando eram crianças, até momentos recentes à cena de sua epifania. Enfim o Uzumaki fica sabendo que a Hyuuga sempre o admirou e, eventualmente, passou a amá-lo. Isso, em si, não é um problema, vide que faz uma revirada interessante entre a Hinata querer se declarar, e quem de fato acabar se declarando ser o Naruto!!!!

Mesmo, não acreditei! Achei que era uma seqüência fantasiosa, ou algo assim, porque foi tão bonita a cena! Tipicamente shoujo: noite, borboletas, flores etc.

AVISO MEGA SPOILER!


O que me incomodou, contudo, foi o quão rápido nosso herói se apaixonou. Uma ou duas falas no filme dão a entender que Naruto sempre gostou dela, mas nunca havia percebido. Digamos que, com tudo o que ele enfrentou, realmente faria sentido, principalmente levando em consideração o quanto ele não tem experiência com isso.

Mas eu não engulo. Em vez disso, a impressão que me deu foi que, só porque descobriu que ela o ama, Naruto resolveu "aproveitar a chance" de amar ou de ser amado, ou mesmo as duas coisas. Conhecendo o personagem, e, ainda mais, vendo o quanto ele amadureceu, sabemos de cara que não é esse o caso. Entretanto, o loiro rapidamente fica enamorado, sem muito desenvolvimento, por assim dizer. Senti que ficou faltando esse (importante) quesito.

Em resumo, aquela idéia de mulher japonesa da qual tratei antes pode ser facilmente apreendida nesse filme. A mulher ideal é tímida, calada, de pele alva (vejamos e convenhamos que o clã Hyuuga tem pele beeeeeem clarinha!), cabelos longos (obviamente preto e lisos) e é também totalmente devota (leia-se: submissa) ao amado (e, depois, à família). Foi mais ou menos essa regressão que vi aqui. Hinata nunca foi tão independente como a Sakura se tornou, por exemplo, mas a morena também tinha crescido bastante, e tudo isso parece que foi jogado fora.

Capa do CD single da música-tema (Hoshi no Utsuwa, ou "Recipiente das estrelas"): 
vide que a Hinata está atrás dele, apesar de ela dizer no mangá que quer andar ao seu ladoe que 
o próprio Naruto diz que é por ela estar ao lado dele que ele pode continuar (quando o Neji é atingido pelo Juubi).
Algum fã fez essa alteração. Sim, teria ficado beeeeeem melhor, até mesmo visualmente falando.
 (Mas, lembrando, isso é a visão de nós estrangeiros. Talvez o público japonês prefira a posição oficial, mesmo.)

De certa forma, me lembrou das Princesas da Disney clássicas, que são quase sempre salvas (as mais recentes, nem tanto).

Mas isso não deveria ter acontecido porque ela é uma ninja! E é pra ser bem forte também! Não a mais forte, mas com certeza mais do que foi mostrado em "THE LAST".

Na verdade, se fizermos essa análise, temos a situação inversa também: Sakura, no final do mangá, tem uma filha com o Sasuke (não sei se casam, ou sequer se estão juntos mesmo). Mas a impressão que tive é que o pai nunca está em casa e a ninja cria a filha sozinha. Em resumo, mulheres fortes acabam "sós" e precisam ser dominadas. Sério, já ouvi algo nessa linha por aqui, algo como: "as mais fortes (para a minha presente análise, leia-se: a Sakura) precisam ser dominadas, abusadas e humilhadas (leia-se: tipo o que o Sasuke faz com ela), porque é isso que elas querem, no final das contas (leia-se: o que aconteceu entre os dois, Sasuke e Sakura, durente toda a história)". Posso não ser fã da Sakura, mas também não sou fã dessa interpretação, não...

E, pronto. É só isso que tenho a reclamar. De resto, adorei que não fizeram o Sasuke aparecer muito (tem, tipo, três cenas, praticamente, em que ele aparece). Sendo originalmente um shounen, achei FANTÁSTICO que a abordagem do filme seja tão shoujo. E não me refiro só ao casal a ser formado, mas, até mesmo, na forma como eles fizeram nosso querido loiro um verdadeiro herói de romance de bancas. Rapaz, eu não sabia que o Naruto era tão romântico!

Tem inclusive uma indireta sobre isso no trailer do filme (vide link acima). Aos 13 segundos, o narrador comenta: "Um Naruto que ninguém nunca viu até agora!"

Hinata acertou na loteria de todas as formas possíveis!

E outro ponto nada a ver, mas que me fez rir muito: NINJAS NO ESPAÇO! XD


Bem, obrigada por lerem meus devaneios até aqui. Eu sei que, dessa vez, está mais pra resenha, ou desabafo, ou simplesmente fanzice... Mas eu realmente precisava declarar ao mundo o quanto esse filme me deixou nas nuvens! Apesar das críticas explicadas acima, saí da sala de cinema extasiantemente eufórica (e correndo para pegar o último metrô para casa).

E, sim, caso queiram saber, desta vez não fica somente em declarações e olhares perdidos... Mas também não sobe tanto assim a censura, seus(suas) tarado(a)s! É shounen (ou shoujo, nesse caso, LOL), não HENTAI!


Assim que puderem, assistam também, porque essa cena aqui valeu só tudo:

AVISO MEGA SPOILER!


Beijos. XD

Feliz Ano Novo e até 2015! (Com mais Naruto... Bem, Boruto, na verdade...)

(NOTA: Pra quem quiser ver algumas cenas em qualidade até boa, tem essas aqui (em japonês) de algum programa que passa nas TVs nipônicas)


A Elefanta


____________________________________

 

4 comentários:

  1. A propósito fui hoje assistir pela segunda vez e contei:
    Hinata desmaia 5 vezes, e é carregada/puxada (pra não cair) 6 (5 pelo Naruto), enquanto o Sasuke aparece 4/5x, tem uma (ou duas falas curtas) e somando isso não tem nem 20segundos no filme (LOL).

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  2. Curti, muito legal ler sua opinião sobre o filme.

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    Respostas
    1. Isinha é chique, como tá no Japão assistiu o filme com uns seis meses de antecedência pra gente daqui do Brasil...

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    2. Já vi Boruto também (duas vezes!), e posso fazer uma análise semelhante, se for de interesse público. :)

      Obrigada, João Pedro, pelo seu comentário.

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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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