28 de dezembro de 2013

A Vertigem das Listas: Doze Cenários que Tiraram o Fôlego pela Criatividade


Ísis: Enfim chegamos ao final do ano... e à última lista de 2013. É uma triste sensação essa, mas sempre haverá 2014, com mais listas e tudo o que você está acostumado aqui no Coruja!

Lulu: Tanto isso é verdade que já temos a lista dos temas das listas do ano que vem... Aliás, já disse que já comecei a escrever resenhas para 2014? *deus ajuda quem cedo madruga... ou quem começa a organizar cronogramas e organogramas com três meses de antecedência*

Dani: Doida...
Ísis: E que venha também a Copa Mundial!! Shinuki de ikouzeeeeee!!! (Tradução não literal: “Vamos com tudo pra cima!”)

Dé: Entschuldigung, aber ich spreche überhaupt keine Japanisch, Isis... (Tradução literal: “Desculpe, mas eu não falo nada de japonês, Isis”)

Ísis: Mas foi por isso que eu pus a tradução, ué? oO

Lulu: Não que eu esteja me importando com copa, considerando que não gosto de futebol nem entendo lhufas, mas... vamos!

Dé: Futebol? Sério que alguém do Coruja tá animado com a Copa? =P

Ísis: EU! \o/

Lulu: Eu tenho exatamente zero de animação. Exceto se a Ísis vier para o Brasil à época, como ela me disse que talvez viesse. Se isso acontecer, eu ficarei empolgada. Mas para ver a Ísis, não para assistir jogo...

Ísis: Awwwww... =^.^= (Adoro quando a Lu faz essas declarações! 

Dani: Pode me matar papai, mas estou é odiando a Copa (Dé: Por que eu mataria? Eu odeio futebol.)!! Com todos os problemas que tivemos esse ano, como pode ainda continuarmos gastando dinheiro com estádios enquanto pessoas passam fome e hospitais se lotam com gente sem atendimento?! É um dinheiro desnecessário!

Quer se divertir, faça a lição antes! Prioridades primeiro, porra!!

Desculpem, estou com raiva disso tudo. Fui muito afetada pelos protestos...

Lulu: Tudo bem, Dani, a gente entende. Eu concordo contigo, só acho que teria sido substancialmente mais inteligente protestar quando o Brasil foi indicado para sediar a Copa (e as Olimpíadas) em vez de fazê-lo quando as obras (e as verbas) já estão pela metade.

Problema é que na época em que o Brasil foi candidato e escolhido, todo mundo achou a coisa muito boa e comemorou...

Ísis: Não tenho muita paixão pelo futebol. Acho bonito como arte/esporte, mas não faço questão de assistir (eu fico agoniada)... Mas a Copa ser realizada no Brasil tá me deixando animada, apesar de todos os problemas que estamos enfrentando. Sou brasileira e amo meu país e não tenho problema nenhum em admitir isso. Não perco um evento desses, que provavelmente não se repetirá na minha vida, se puder. Tanto é que negociei com minha supervisora para voltar pro Brasil.

Então, clima de festa à parte, vamos ao último tópico do ano, no qual faremos uma grande viagem, não só porque são DOZE itens, mas porque são DOZE lugares que vamos visitar agora. Isso mesmo; senhoras e senhores, o último tema do Vertigem de 2013 é: 12 cenários (leia-se, mundos) que tiraram o fôlego pela criatividade.

Lulu: A gente já não fez alguma coisa parecida com isso antes? Os Nove Mundos Inesquecíveis em 2012?

Dé: Exatamente o que eu estava pensando...

Lulu: Mas, tá, tudo bem, até então tínhamos nos restrito à literatura, considerarei válido o tema reciclado. Reciclagem é bom.

Ísis: YES, é muito bom (diz aquela que está estudando lixo... Que criativa... ¬___¬). Quero deixar bem claro aqui que não estou falando literalmente de mundos que foram bem desenhados em algum desenho/anime ou bem produzidos digitalmente em algum filme. Refiro-me à conceituação, à criação daquele mundo. Vale futuro, passado, presente, desde que haja um fator fictício e extraordinário NO MUNDO – não vale se a “novidade” for nos personagens! Ou seja, por exemplo, não vale Fushigi Yuugi, porque é o mesmo mundo que o nosso, tanto fora do livro (nosso presente), quanto dentro dele (China antiga)... Não há nada de novo/diferente nesses mundos, e sim no roteiro. Da mesma forma também não vale Saint Seiya – vulgo, Cavaleiros do Zodíaco –, uma vez que é o mesmo mundo que o nosso, com elementos da mitologia.

Lulu: Ok, Ísis, sua explicação já mudou a perspectiva sobre a lista anterior...

Ísis: Em suma, tem que ser UM MUNDO novo... Mesmo que se pareça com o nosso, mas com características que obviamente os diferencie!

E eu vou começar com o mundo de Avatar, a série animada da Nickelodeon que mais foi comentada esse ano, eu acho... XD.

Dé: \o/

Dani: E a campanha vai firme e forte!!!

Ísis: Assisti a essa série animada ano passado, aqui no Japão, na época em que estava estressada com as provas de japonês. Funcionou que foi uma beleza... bem demais, até. A série me viciou rapidinho com todos os elementos de diferentes culturas que foram inseridas, e depois com os menores detalhes que eu ia percebendo. Acabei as três temporadas em duas semanas, e comprei o artbook logo em seguida. Quando li nesse livro sobre o processo de criação, confirmei suspeitas, descobri detalhes dos que eu não desconfiava, e, mais importante, vi que a criação daquele mundo não foi só rascunhada e depois empurrada com a barriga.

Lulu: Concordo com tudo em gênero, número e grau.

Ísis: O processo de criação da série Avatar levou em consideração muitos, muitos detalhes, desde a representação por profissionais de lutas para que se transcrevessem bem no papel (e depois na tela), passando pelo estudo das filosofias nas quais cada povo é baseado (exemplo, os Nômades do Ar seguiam o budismo, enquanto a Tribo da Água do Sul era baseada nas tribos Inuit) e até mesmo à contratação de um estudioso das letras Chinesas, para que esse adaptasse cada mensagem que aparece no desenho à personalidade do personagem que a escreveu e ao tempo em que teria sido escrita. E esses são apenas alguns dos cuidados especiais que eles tiveram.

Dani: Tá vendo, tá vendo!! E as pessoas falam que me preocupo demais com detalhes! São eles que FAZEM a obra!!!

Bom, seguindo a linha de animes, vou então escolher um dos meus preferidos de todos os tempos: Fullmetal Alchemist. (aliás, um ótimo presente para quem quiser me dar de natal! uhu!! ^.^ Lulu: Você só vem dizer isso agora??? Dani: Ainda dá tempo, ué ;) Lulu: Agora, presentes, só na páscoa...). O mundo de Fullmetal é realmente muito bem feito. Não que seja espetacular, bonito e com criaturas incríveis como Avatar. E de fato é na verdade um lugar bem hostil e até deprimente. Mas por ter sido cuidadosamente trabalhado em todos os pontos para se chegar ao mesmo fim. Não só o país de Amestris, mas como todo o seu mundo faz sentido com o ponto central da história que é a alquimia.

(Para quem não assistiu, não tenho como explicar sem Spoilers. A partir daqui estejam avisados)

O legal desse mundo é que tudo nele faz sentido e é explicado em seu decorrer. O descobrimento da alquimia em Xerxes no meio de deserto, como se espalhou pelo mundo pelo “Sábio do Oeste/Leste”, e se desenvolveu de formas diferentes de acordo com as regiões (no país de Xing se tornando a Rentanjutsu, ganhando técnicas novas com os Ishvalianos) mudando as tradições e culturas de cada lugar. Em como o próprio país de Amestris foi literalmente criado apenas para o desenvolvimento maior de um gigantesco ritual alquímico... Tudo nesse mundo envolve a alquimia e depende dela como ponto principal.

Outro fator legal é que é um mundo extremamente político. Algo que eu nunca vi antes em outros animes, quando existe um “grande poder que pode mudar o mundo” é isso envolver os líderes desse mesmo mundo de forma tão relevante. Em Fullmetal, a alquimia é o maior poder da humanidade, e exatamente por isso, está nas mãos do governo, e é o fator determinante em todos os aspectos da sua história. Todas as guerras, os países aniquilados e/ou anexados, todas as revoltas, todas as armas (humanas) são consequências do uso da alquimia pelo governo de Amestris para conseguir poder. Exatamente como o nosso poder bélico (e que, aliás, também não deixa de ser usado nesse anime).

É um mundo descaradamente inspirado no nosso próprio, realmente. O uso do poder na humanidade, a história e principalmente as grandes guerras. Até mesmos as diferentes culturas, como Xing com os Orietais, Drakma com os Russos, Amestris com os Americanos, Ishval com os muçulmanos e até a extinta Xerxes com os antigos gregos. Mas o modo como fizeram isso é que foi incrível. Como conseguiram organizar tudo para um mesmo fim, sem deixar que as questões políticas encobrissem o principal da história.

Dé: E um cenário que nos presenteia com Füher King Bradley, só pode ser um lugar legal. ‘Nuff said.

Lulu: Dani, você está falando da primeira animação ou da segunda versão que segue mais de perto o mangá? Eu assisti a primeira versão e adorei a história, os personagens, tudo. Aliás, uma das minhas histórias mais memoráveis de encontros com a Ísis tem a ver com Fullmetal...

Dani: Aqui estou falando do segundo, Lu. O Fullmetal Alchemist: Brotherhood. Não que eu também não tenha gostado do primeiro, mas esse outro é definitivamente mais elaborado.

Lulu: Bem, para abrir meus trabalhos, ainda que esteja me repetindo, eu realmente REALMENTE não posso deixar de indicar Discworld, o mundo criado por Terry Pratchett.

Discworld é um mundo plano e achatado como uma pizza, que viaja pelo universo no lombo de quatro elefantes, que por sua vez estão encarapitados no casco de uma tartaruga cósmica chamada Grande A’Tuin.

Para além da estranheza que tal descrição causa, o número de detalhes nos quarenta livros que fazem parte da coleção (além de spin-offs) é algo para explodir a cabeça de cada um. Pratchett não simplesmente criou um mundo: ele criou uma física, uma química, uma geopolítica, uma mitologia, uma História. É um trabalho incrivelmente complexo e elegante, fantástico em todas as suas minúcias.

Pratchett de novo, Pratchett sempre!!! (Vou fazer um button com essa frase para andar por aí!)

Dé: Muito bem, vamos começar com a última lista do ano... E vou começar com uma das minhas paixões, um hobby que eu tenho a, literalmente, mais da metade da minha vida: RPG.

Se eu for colocar cada mundo individualmente aqui, eu sozinho encho essa lista e ainda sobra pro ano que vem, então irei restringir ao que eu REALMENTE mais gosto, e que jogo com mais frequência.

O cenário de Forgotten Realms foi criado a mais de quarenta anos, tendo sido criado por Ed Greenwood como cenário para suas histórias. Isso faz de FR, curiosamente, MAIS ANTIGO do que o jogo que o popularizou, uma vez que, a rigor, o primeiro RPG, Dungeons and Dragons, foi criado em 1974.

Faerûn é o principal continente do cenário, e seria mais ou menos equivalente à Europa Medieval, com uma gama absurda e imensa de reinos, povos, etnias, raças e culturas. No decorrer dos anos, outros continentes e regiões foram “descobertas”, dentro do cenário em si: Kara-tur (Japão feudal), Maztica (Aztecas) Al-Qadim (Arábia das Mil e Uma Noites) sendo apenas algumas destas.

E tudo isto temperado com magia, elfos, anões, gnomos, halflings, gigantes, orcs, goblins, ogres, gnolls, fadas, entes e, claro, DRAGÕES!

E para aqueles que desejam conhecer FR, mas não querem ou não podem jogar RPG, o cenário é bem servido de romances! Entre os mais famosos temos a Trilogia do Vale dos Ventos Gélidos, de onde saiu o ridiculamente famoso Drizzt Do’Urden, protagonista da Trilogia do Elfo Negro. Existem outros, também, mas estes são os mais conhecidos.

Ísis: Admito que sinto saudades de jogar com vocês... >.< Minha segunda escolha vai deixar muita gente frustrada, suspirando, bufando, elogiando etc. Não tem como ser meio termo com o CLAMP (a menos que não se leia suas obras, só ouça falar): ou você ama ou você odeia. (Obviamente, eu AMO!!! Meu personagem preferido de todos os tempos vem de lá, e o segundo também...) 

Lulu: Concordo com todas as observações e secundo a moção. Tudo o que me caiu nas mãos do CLAMP eu li e amei.

Dé: Pra mim é mais “meh”. Só gostei de Rayearth mesmo. =P

Dani: Que horror... Vou te bater, papai!! Adoro CLAMP!!

Dé: Já eu, não. =P

Lulu: Eu gosto muito de X/1999 (Ísis: X/1999!!!! Meu mangá preferido! *chora litros) e XxXHolic. Esse último, pra mim, foi uma das melhores coisas que elas fizeram.

Ísis: Senhoras e senhores, minha segunda opção é o emaranhado de complicações que é o mundo CLAMP. Sim, não estou fazendo referência à uma só obra, mas a todas as obras do grupo, porque tudo o que elas escrevem está de alguma forma ligada, ou seja, não são títulos totalmente separados. Esse é, por sinal, uma das coisas que mais amo no CLAMP.

Lulu: Duas! Aliás, descobri como se chama esse recurso literário de estar sempre cruzando informações com outras obras, anota aí, Ísis: chama-se ironia intertextual e metanarrativa.

Ísis: Eu já tinha ouvido falar... mas com um nome desses, agora lembrei porque tinha esquecido... XD (devia fazer uma letra de música assim)

Em geral, tudo se une, de alguma forma, à loja da Yuuko (XxXHolic). Até mesmo a filosofia que elas vivem usando em todas as suas histórias repetem alguns elementos (como a ideia de Hitsuzen e que existem vários mundos paralelos e nós somos pessoas diferentes em todos eles, mas nossa essência é sempre a mesma), sendo esses que unem várias de suas histórias. Sob certo ponto de vista, é o que ocorre em nosso mundo mesmo: temos muitos povos e culturas, alguns totalmente diferentes, mas que, ainda assim, têm elementos em comum, como a divinização dos elementos, a ideia de uma Mãe Natureza, ou a personificação da Morte. As meninas do CLAMP conseguiram reconstruir essa realidade em suas obras, e esse é apenas UM dos pontos pelas quais eu as admiro tanto.

Dani: Ninguém citou um até agora, o que estou achando estranho. E o mundo de Game of Thrones?

Lulu: Dani, sendo bastante, bastante sincera... eu não sou uma grande fã, não. Assisti algumas partes da série e achei tudo visualmente interessante, mas o livro não conseguiu me encantar o suficiente para eu ir além do primeiro volume.

Dani: Já desconfiava disso... ^^”

Mas por mais cruel, hostil e sujo que seja, sempre admirei esse universo criado por George R.R. Martin. Segundo ele próprio, tendo sido baseado grandemente na Idade Média, o mundo desse saga realmente apresenta fatores que o diferem de vários outros universos fantásticos populares, (como a Terra Média, por exemplo). Sendo um lugar de constantes perigos, brutalidade, “o poder do mais forte”, e falta quase completa de morais. Não há bem e mal definidos ali, e acho que na verdade foi isso que agradou tanto o público. Você não vê uma grande força maligna com que se lutar na história, mas apenas pessoas lutando contra pessoas.

Há magia, sim, mas não como um grande poder oculto. Apenas como algo mais no mundo, a quem todos têm acesso de uma forma ou de outra, se por acaso a procurarem. (Excedendo talvez apenas a de Daenerys e seus dragões, que eu compararia com as nossas grandes bombas atômicas, pois podem atingir o mundo todo sem limites). Há diversas e muito variadas culturas, cada uma com suas características, poderes e tradições, que se espalham por um mundo vasto e muito amplo, por mares e ilhas distantes, sendo atingidos não todos por um mesmo grande mal, mas por diferentes problemas de cada região (como por exemplo o exército dos White Walkers, que muito dificilmente atingiriam as terras além do mar)

É um mundo bastante... real. É claro, se tudo isso existisse! ^^” Tudo de fato acontece como deveria acontecer se fosse verdade. As pessoas agem como pessoas, não existe bem e mal universal, a magia é apenas mais uma “ciência”, as grandes calamidades atingem apenas certas áreas. E é mesmo um mundo, não apenas uma região pequena onde tudo parece acontecer só ali.

Mas também nenhum dinheiro no mundo me pagaria para viver lá!

Dé: Exatamente o que eu penso... Westeros é fascinante, tem muitos elementos interessantes, ver as “guerra dos tronos” é emocionante... Mas convenhamos, o mundo é uma m****! Para quem vive lá, quero dizer. Nem a pau eu moraria lá...

Lulu: O segundo mundo da minha lista está intimamente entrelaçado com o nosso, ao ponto de um conflito naquele mundo acabar por se refletir no nosso e vice-versa (o que explica a ocorrência da Segunda Guerra Mundial, por exemplo).

Estou falando do Arquipelágo dos Sonhos, que aparece na série Crônicas da Imaginarium Geographica, de James Owen.

Dé: Eu, oficialmente, preciso ler essa série. Pra ontem.

Lulu: Sim, precisa.

Dé: Já estão no kindle. Só falta terminar a fila de leitura. ;)

Lulu: O Arquipelágo dos Sonhos é basicamente um mundo de invenções. Calma que eu explico... Se você tem uma ideia para um mundo, um país, uma cidade imaginária, esse lugar vai ‘aparecer’ no Arquipelágo dos Sonhos... ou então os mundos-ilhas que existem lá vão ecoar nas mentes das pessoas aqui, fazendo com que elas criem histórias baseadas nesses mundos.

Dani: Então a Sheldonópolis do The Big Bang Theory também existe lá? XD (Alguém lembra desse episódio?)

Lulu: Muito provavelmente... e não, não lembro, porque eu só assisto um episódio ou outro perdido quando meu irmão está na sala... Eu quase não assisto televisão exceto por noticiário... se me deixarem passo o dia na CNN...

Mas, voltando... Os personagens principais da história são J.R.R. Tolkien, C.S.Lewis e Charles Williams – esse último um autor menos conhecido aqui no Brasil, mas que participou do grupo dos Inklings em Oxford e foi um importante editor também. De certa forma, eles já tinham em suas mentes a idéia da Terra-Média, de Nárnia, da Camelot de Arthur, mas o livro parte do princípio que eles começaram a escrever inspirados por aquilo que viram e viveram no Arquipélago.

O interessante é que toda a série se fundamenta no princípio de um grupo de escritores (vivos ou mortos) que se tornam tríades de guardiões não apenas do Arquipélago, como também do Atlas em que estão desenhados os mapas desse mundo – a Imaginarium Geographica.

Dani: Nossa, eu também preciso ler isso!!

Lulu: O primeiro volume foi lançado em português, mas os outros ainda não saíram aqui no Brasil... e o último volume foi lançado agora em novembro; chegou lá em casa semana passada!

A forma como Owen montou tudo isso é muito interessante. Há uma ciência (ou magia) por trás de como o Arquipélago funciona, bem ainda como a sociedade não tão secreta dos escritores-guardiões que junta gente como Edgar Allan Poe e Jules Verne, Leonardo da Vinci e William Shakespeare, Kepler, Kipling, Defoe, Dumas, Dickens e por aí afora...

Eu estou maluca para ler o último volume da série!

Dé: Eu disse que iria restringir os cenários e RPG apenas à Forgotten Realms, não é? Bem, eu menti. Eu não poderia deixar esta lista passar sem mencionar o cenário de A Lenda dos Cinco Anéis: Rokugan, aonde a honra é mais poderosa que o aço!

Rokugan nasceu originalmente como um cenário de jogos de cartas colecionáveis, tipo Magic: The Gathering, mas que logo ganhou um RPG e uma série de romances que contam a história do cenário, que por si só é meio que uma mistura mística de Japão, China e Coréia.

O Império de Jade vive sob o governo do Imperador, que é servido pelos (originalmente) sete Grandes Clãs, fundados pelos descendentes dos Kami. Após o Segundo Dia do Trovão, um novo Grande Clã foi fundado e, recentemente, um novo também recebeu o título. Vários clãs menores existem, normalmente criados como recompensa a um servo especialmente valoroso.

Aqui, a Honra é tudo. A Honra determina interações sociais, leva à guerras (bem comuns, por sinal), motiva samurai e shungenja igualmente e estrutura a sociedade. Aqui, os homens não nasceram iguais: os samurai (não necessariamente GUERREIROS, vale ressaltar) são superiores aos meros camponeses, que são superiores à criaturas não humanas. A vida de um youkai, benigno ou não, vale menos que um punhado de arroz, que é a base da economia do cenário.

Ísis: Nossa, essa parte eu não sabia. Interessante....

Dé: Isso. A moeda vigente é o koku, que é a quantidade de dinheiro necessária para comprar arroz o bastante para alimentar um homem por um ano.

Continuando... além dos conflitos internos, Rokugan enfrenta também naçõe estrangeiras, criaturas sobrenaturais e o Kami Negro: Fu Leng. Esta não é uma terra para fracos, definitavmente.

E o clã do Caranguejo detona!!! =P

Dani: Clã do Caranguejo??

Ísis: Para minha terceira e última opção, fiquei em dúvida entre vários:, Dragonball (onde tudo é diferente e ao mesmo tempo semelhante ao nosso), Naruto (NINJAS!!! ADORO ninjas... e vejamos que a trama de Kishimoto-sensei é muito boa, cheia de moral e – surpresa! – mais intrigas políticas... mas o que eu mais gosto mesmo são os conflitos de ideias), Full Metal Alchemist (onde tudo vai pela alquimia e certas coisas nos são proibidas), Code Geass, Gundam Wing etc. Ia decidir por Loveless (adooooro o conceito de que batalhas são travadas com palavras), mas me toquei que isso não é um detalhe do mundo, mas do roteiro.

Dé: O que me leva à pergunta Isis: Eu sei que tu lê muito mangá e assiste muito anime, mas... Mês passado tu revelou que nunca tinha sequer ouvido falar de V de Vingança. Tu lê, excetuando coisas de trabalho/estudos, alguma coisa que NÃO SEJA mangá, ou ligado de alguma maneira?

Dani: A mesma pergunta me veio à mente! ^^

Ísis: ... Eu considerei não responder isso, porque é um assunto que me incomoda deveras... Mas, pra resumir: não. Desde mais ou menos o segundo ano da minha faculdade que a minha lista de livros/ano começou a cair e muito... Até mesmo romances (embora ainda leia um ou dois desses). E se estiver se referindo a quadrinhos, definitivamente não. E só pra constar, também não leio/assisto tantos mangas/animes, não mais, pelo menos. Tipo, esse ano acho que só assisti/li no máximo seis novos (e acho que nem isso).

Lulu: Bem, se vale de alguma coisa... eu tenho indicações para te fazer... ou já fiz... você comprou os livos da Gail Carriger, não foi? Lembrei-me direto de ti enquanto lia...

Dé: Curiosamente, eu também. Recomendo a série, Isis.

Dani: Fiquei curiosa. Que série é essa?

Lulu: É uma mistura de Steampunk e romance de banca de época entre uma humana sem alma e um lobisomem e tem vários rolos no meio, vampiros barrocos, assassinatos, espionagem, e rainha Vitória. É divertidíssimo. Eu já resenhei o primeiro e o segundo volume – que saíram em português inclusive – aqui no Coruja.

Ísis: Por fim, como terceira e última escolha (minha) do Vertigem desse ano, resolvi apontar o “reino das 8 cores” de Saiunkoku Monogatari. Começa que parece a China antiga, o que me faz amar esse anime só por isso, mas tem personagens super cativantes e muitas intrigas políticas. Lulu iria gostar, eu acho... Basicamente, fala de uma garota (filha de um “ex-nobre”) que quer ser funcionária pública, mas, nesse mundo, somente os homens podem. É baseado na série de livros (mas tá saindo mangá e já teve duas temporadas de anime) japonesa. Tem uns 15+ livros, mas já foi publicado até o fim (diferente das outras mídias). Meu sonho atual é dominar japonês suficiente pra começar a ler livros em japonês (que não sejam de Direito... >.< CANSEI!!!). Mas paciência dura e eu sou teimosa. Chego lá... Enfim, o reino é dividido em nove províncias, cada uma correspondente à cor do clã que a governa (Azul, Vermelho, Verde, Amarelo, Branco, Preto, Marrom, Azul claro e Roxo, essa última sendo a cor da família imperial). Cada uma tem suas características marcantes e seu papel na política do país e da história. Para quem gosta de um shoujo com história (e não só o romance água com açúcar) – sem falar de vários personagens colírios! – esse é uma boa opção! 

(E pra quem quer estudar a linguagem superformal japonesa, esse é uma boa opção, já que tem vários nobres e servos, então é bastante usada.)

Lulu: Já eu encerro minha lista com um mundo vindo do meu filme favorito para os feriados natalinos. Eu revejo ele TODO ANO.

Estou falando do mundo do Halloween, em O Estranho Mundo de Jack.

Dani: Tim Burton!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Dé: Boys and girls of every age, would you like to see something strange?/ Come with us and you will see, in this Town of Halloween…

Lulu: Eu adoro, ADORO as animações do Tim Burton (Dé: Só você?), a forma como ele faz o bizarro, o estranho, o sombrio se tornar tão vibrante e carismático. Nesse aspecto, francamente, foi difícil me decidir entre o mundo dos mortos de A Noiva Cadáver e o mundo do Halloween, mas eu tenho uma relação de nostalgia muito forte com o segundo e por isso decidi escolhê-lo...

Ísis: Rapaz, eu fiquei traumatizada quando vi isso na época. Tinha menos de onze anos e morri de medo quando vi... E embora não tenha mais medo, continuo meio traumatizada com o negócio... Mas vi o Noiva-Cadáver e, embora tenha sido legalzinho, acho que o trauma anterior me fez não o apreciar o tanto que meus colegas gostaram.

Dani: Comigo foi um pouco diferente. Eu era louca por esse filme quando criança, mas meus pais achavam sombrio demais e não me deixavam assistir. Eu assistia escondida! ^^

Dé: Para minha terceira opção eu ia escolher o mundo de Chrono Trigger, jogo de Super Nintendo que eu considero o melhor jogo de videogame já criado. Aí lembrei de Samus Aran e o mundo da série Metroid, oficialmente meu jogo favorito. Enquanto ouço músicas sobre Warcraft, Starcraft e Diablo, o trio de jogos-chefe da Blizzard. E lembrei de Ferelden, mundo de Dragon Age. Ou o Reino dos Cogumelos. Ou Contra, Castlevania, Final Fantasy(ies), Demon’s Crest, Battletoads, Street Fighter, Alone in the Dark...

Em suma, todos os jogos de videogame que já joguei na vida e que eu adoro. Sinceramente, não consigo decidir por um só. E é aí que entra Wreck-it Ralph!

Lulu: Também me diverti muito com esse filme, e isso sem entender metade das referências que estavam na história, visto que não jogo vídeo games...

Dé: Sério, esse filme foi uma coisa de louco para qualquer gamer. Eu realmente passei SEMANAS procurando todos os personagens de jogos que já joguei. Consegui reconhecer de cara até mesmo o último chefe de Altered Beast, do Mega Drive! E olha que eu não jogava esse jogo tinha quase uma década.

Poder ir de jogo em jogo, vivendo coisas de cada mundo ALÉM do que vemos no jogo é, simplesmente, uma ideia fantástica. Uma sessão de treinamento com Ryu? Com alguma sorte. Dicas de direção com um piloto de F-Zero ou Top Gear? Vai fundo! Acompanhar a evolução em tempo real em EVO? Sonho de todo biólogo! Dar um mergulho com Eco the Dolphin? Na hora!

Já tem muito tempo que não me empolgava assim com algum filme (mentira, não me deixem começar a falar de O Hobbit), ou com a idéia por trás dele.

Ísis: Pelo que li na net, parece que o segundo filme do O Hobbit não tá agradando tanto (àqueles que já leram o livro). Será que tu dirás o mesmo depois de assistir à segunda parte que está nos cinemas brasileiros agora (no Japão, não)?

Lulu: Bem, eu reli pela décima vez o livro agora no início de dezembro e assisti o filme pouco depois. Fiquei um pouco triste com a retirada de uma das minhas cenas favoritas do livro, que é Gandalf contando a história da jornada para Beorn e os anões chegando de dois em dois...

Teve alguns detalhes que achei um tanto estranhos (em especial o romance que escolheram fazer), mas não detono o filme completamente – as seqüências de ação ficaram excelentes, Smaug está absolutamente fantástico e muito me interessa ver o desenvolvimento da parte do Gandalf contra o Necromante. Só farei uma avaliação final quando ver o terceiro filme.

Dé: Vi o filme ontem. Bom... Vamos esperar o terceiro, né?

Ísis: Independentemente dessa resposta, filmes/jogos estilo crossover normalmente são divertidos (embora não existam muitos). Esse também parece legal.

Dani: Acho que foi aí que meu ânimo caiu com os filmes. Caramba gente, precisa mesmo de 3 filmes para aquele livro?! Senhor dos Anéis até entendo, tem toda uma saga, dezenas de guerras e histórias secundárias, 3 livros, mas O Hobbit???

Sinceramente, só o fato de eu saber que vai haver um 3º filme já me fez perder mais da metade da vontade de continuar assistindo. Já não estou aguentando mais essas sequências infinitas de Hollywood.

Mas enfim, nem havia pensado em incluir games nas minhas escolhas, mas agora que o Dé falou, vou escolher então o meu último mundo preferido: Mario Bros World!!

Como não admirar o incrível mundo cheio de cogumelos, canos subterrâneos e estrelas pululantes de Mário? Se ignorarmos o jogo em si e pararmos para olhar o cenário um momento, dá pra ver como é bem desenvolvido, com uma temática forte, constante e personagens fiéis aos habitats mesmo com as mudanças de fases. Nós temos num mesmo lugar plantas carnívoras crescendo em canos de esgoto, dinossauros que comem tudo o que veem pela frente e nuvens onde se pode caminhar e até arrancar estrelas dançantes! Sem falar no personagem principal: um encanador italiano bigodudo!

Dé: E uma princesa biscate! XD

Dani: E o pior, tudo parece fazer sentido!! Mesmo com tantas características destoantes e personagens diferentes, tudo parece (surpreendentemente) se encaixar num mesmo mundo. Que, aliás, parece ser uma grande peça de teatro. Com as cortinas subindo no começo, o cenário todo pregado no “fundo” e a coxia escura no fim de cada fase.

Diferente de Westeros, eu gostaria sim de viver no mundo de Mário!

Dé: Dani, me lembra de te mandar alguns fan-films de Mario, depois.

Ísis: OK, então. Tá na hora de fechar essa galeria. A todos vocês que tiveram coragem de ler isso tudo, e as outras setenta páginas ou sei lá quantas de Vertigem que fizemos esse ano, nosso muito obrigado! Esperamos que tenham se divertido pelo menos um pouco com essas listas, e que pelo menos um item delas os tenha inspirado!

Até o Vertigem do Ano que vem (que deverá ser menos volumoso, talvez...)!



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