30 de julho de 2016

A Vertigem das Listas: Sete Obras que Nós Gostamos e Nossos Amigos Desprezam/Ignoram


Tayla: Oláááá, pessoas! No meio deste friinho gostoso de julho eu sou a feliz dona responsável pelo vertigem de julho!

Esta época do ano, graças ao seu ventinho gelado e essa preguicinha que vem com as férias, é ótima para descobrir obras interessantes, não é? E, tendo encontrado coisas legais e ficado viciados nelas, qual é a nossa primeira reação? Espalhar a palavra na esperança de encontrarmos alguém para conversarmos sobre o assunto, é claro! Infelizmente nem sempre nossos amigos veem o que gostamos com bons olhos. Não é nem que eles não gostam daquilo. Na maioria das vezes, eles nunca nem tinham ouvido falar ou, se ouviram, o preconceito é tanto que os impede de darem uma chance.

Claro, todos serão super educados com você e falarão “Claro, deve ser legal, depois vou ler/assistir/ouvir”, mas eu, você e a CHINA sabemos que isso NUNCA irá acontecer.

É o “vamos marcar” do mundo cultural.


Lulu: Tenho de dizer que ADOREI essa definição…

Dé: HAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAH!!! Adorei!

Tayla: São aquelas obras que, por algum dos seguintes motivos, os seus amigos têm um pé atrás:

* É um Best-seller. O senso comum diz que 99,99% dos best-seller são ruins e é isso aí;
* É cult. E portanto só pessoas babacas/pedantes gostam.
* É um filme/série de baixo orçamento. Porque todos sabemos que dinheiro = qualidade, né, Transformers?
* É antigo. Por que assistir/ler/ouvir uma obra prima antiga é mil vezes pior do que assistir/ler/ouvir a última obra requentada do momento;
* Muito longo, não li. Se funciona na internet, funciona no mundo real.
* Tem gráficos/diagramação feia/ruim. Porque o quê define uma boa história é a aparência, certo?
* É ruim/estranho. E às vezes eles têm razão, mas custa dar uma chance? Eu pensei que nós fôssemos amigos, pô!

Então, você que ama Lemonade, mas tem amigos que só associam a Beyonce com música pop de qualidade duvidosa, e você que ama Paulo Coelho, mas... bem... isso já é auto-explicativo... este mês é para vocês! Hoje falaremos justamente dessas obras que adoramos, mas nossos amigos desprezam ou ignoram.

E como manda a boa ditadura etiqueta do Coruja, eu serei aquela que começará as indicações deste mês.


Lulu: Ei, isso não é uma ditadura! É uma monarquia absolutista! Minha inspiração é Catarina a Grande, não Stálin!

Ísis: Sim, senhora, como quiser… (tragam o suquinho da ditad- digo, da Rainha!)

Tayla: Então a minha primeira indicação é a obra de um roteirista magnífico: Bryan Fuller. Ele é imaginativo, surpreendente, ótimo em criar argumentos, mundos e personagens non-sense, mas parece que nasceu com o corpo inteiro enfiado na jaca. Sua habilidade de criar séries fantásticas, mas que são canceladas depois de uma ou duas temporadas é surpreendente. A sua série de maior sucesso foi Hannibal que conseguiu a façanha de chegar à terceira temporada.

Sempre tento recomendar a obra (em especial Dead Like Me e Pushing Daisies) dele para meus amigos (fora a galera do Coruja), mas ninguém assiste. Agora que ele vai ser o roteirista de American Gods espero que mais gente passe a conhecer seu trabalho.



Dé: Culpado. Só assisti aos 10 primeiros minutos de Pushing Daisies.... Mas estou com grandes expectativas para Deuses Americanos.

Lulu: Quem não está? E eu gostaria de observar que sou EXTREMAMENTE fã de Pushing Daisies e nada me faria mais feliz que passar uma tarde inteira debatendo essa série contigo, Tay! As outras eu não assisti porque - ou nunca ouvi falar do assunto ou o tema tem a ver com algo que me dá pesadelos (estou falando de O Silêncio dos Inocentes, se não ficou claro o suficiente…).

Enfim, vou começar esse vertigem com uma indicação que a Tay já tinha adivinhado quando primeiro sugeriu o tema no nosso grupo do whatsapp… Jonathan Strange & Mr. Norrell da Susanna Clarke - tanto o filme quanto a série da BBC - é uma história espetacular de magia, guerra e intriga, confundindo personagens reais com outros fictícios.

O problema de muita gente com ele é o tamanho e o início devagar… mas, sério, dêem uma chance que vocês não se arrependerão.

Esse é um daqueles livros que eu adoraria uma continuação… ou algo que se passasse no mesmo universo. É um dos livros favoritos do tio Gaiman também, isso deveria funcionar como uma senhora recomendação!


Dé: Culpado novamente. Não li. Ainda. Está na fila… Que é gigantesca.

Gigantesca também é a série que eu vou recomendar aqui. Ela é MUITO BOA, e tenho testemunhas que podem confirmar, tal como a Lu e a Régis, mas o simples tamanho desta série assusta quase todo mundo que começa a ler… inclusive a Lu e a Régis, que pararam no meio do caminho.

Estou falando, obviamente, de Dresden Files. Pra variar. São “apenas” 15 livros, mais algumas coletâneas de contos, algumas séries de quadrinhos e uma série de TV. É bastante material….


Ísis: Dé ainda criará a facção Dresden… XD

Tayla: A minha segunda indicação já é mais... complicada. Evillious Chronicles é uma série dark-fantasy/ficção científica contada de forma fragmentada e multimidia (basicamente entre novels e músicas) e que foi muito inspirada por contos de fadas e mitologia.

Nas músicas são contados mais de 1000 anos de história começando com a origem do pecado original e dos sete pecados e terminando com um possível apocalipse. Nas mais de 50 músicas e 13 novels que formam a história até agora (sim, ainda não terminou!), nós vemos a história deste mundo e das influências que os sete pecados trazem para a vida política dos reinos ao mesmo tempo que acompanhamos as forças conflitantes que querem juntar e controlar/destruir os pecados. Resumindo: é uma história complexa e interessante que faz você ficar horas pensando em teorias e mais teorias. Qual música tem a ver com o quê? Quais serão as consequências para as ações dos personagens?


Ísis: Bem diferente essa indicação… Que interessante! ^^

Tayla: Mas aí vem o problema que afasta todo mundo desta série: VOCALOID. O sintetizador eletrônico de voz no qual você pode configurar fonemas e melodias para formar músicas. Todas MUITO sintetizadas, é claro. Algumas inclusive que fazem você pensar em um gato sendo torturado. Várias e várias vezes. É com esse programa que Monthy, o produtor e roteirista da série, fez todas as canções de Evillious Chronicles. E eu não conheço (pessoalmente) ninguém fora eu que consegue ignorar a voz de taquara rachada dos “cantores” e aproveitar a história.


Se você consegue, me manda uma DM, um sinal de fumaça, qualquer coisa e vamos fangrilar juntos! Inclusive, vou fazer uma lista das músicas com legenda em PT ou ES no google docs e colocar no post.

Lista de músicas na ordem de lançamento (caso vocês queiram aproveitar a sensação de WTF? que aqueles que acompanham a série desde o começo tiveram)

Lista de músicas na ordem cronológica


Lulu: A sua descrição me interessou, Tay… vamos ver se arranjo tempo ;)

Tayla: Lu, dê uma olhada nas músicas Moonlit Bear, Tale of Abandonment on a Moonlit Night e Chrono Story. Elas estabelecem o tom da série e tem a ver com Hansel & Gretel =D

Ísis: Sério que era Vocaloid do qual você estava falando!? Juro que não ia adivinhar. Vem pra cá que você vê isso em todo buraco… LOL

Tayla: Imagino lol. Particularmente, eu acho VOCALOID uma ferramenta magnífica uma vez que ela dá total liberdade ao compositor, permitindo que ele conte a história que quiser em forma musical (algo que eu sinto muita falta na maioria das músicas contemporâneas que preferem colocar um lalalá genérico, porém que vende). Só é uma pena que a voz sintética seja tão… sintética xD

Dé: Já ouvi falar muito de VOCALOID, e tudo que tenho pra dizer é: meh. Não me interessa. XD

Tayla: =P

Lulu: Continuando as indicações, vou falar de um autor pelo qual me apaixonei perdidamente, que eu gostaria que fosse traduzido em português porque assim, teoricamente, ficaria mais fácil empurrá-lo para as pessoas.

Falo de Charles de Lint. Minha gente, Charles é puro, puro amor! Os contos dele misturam folclore e mitologia celta com fantasia urbana da melhor qualidade. Ele me lembra o Gaiman, com um estilo um pouco mais suave (embora ele trate de temas bastante sérios).

Um dos meus objetivos de vida é ler toda a bibliografia dele. E enquanto isso não acontece, choramingo e tento convencer outras pessoas a lê-lo e procuro desesperadamente alguém com quem possa conversar sobre o autor. Tem alguém por aqui que queira tagarelar comigo?


Dé: Minha segunda opção é, assim como a primeira opção da Tay, uma pessoa. Um artista e roteirista, mais precisamente. Stjepan Šejić é um desenhista croata, que trabalha atualmente para a Top Cow Comics, desenhando séries tais como The Darkness e Witchblade. Contudo, o que eu indico são as obras autorais dele: Death Vigil, Sunstone e Ravine.

Sunstone é uma história entre duas mulheres que descobrem um gosto em comum por BDSM; Death Vigil é uma fantasia urbana aonde mortos-vivos enfrentam horrores Chthullianos, enquanto Ravine é uma fantasia medieval mais tradicional. Vale muito a pena ler os três.


Tayla: Dé e suas fantasias urbanas. Lol Não conheço esse artista, vou dar uma cubada depois.

Ísis: Mais outra opção peculiar… Interessante, estou gostando dessas obras… ^^

Minha indicação é Shadowhunters, a série de TV. Eu adorei os atores, achei interessantes as modificações em relação aos livros (não que eu os tenha lido completamente), e as músicas são fantásticas. :)

A cantora que faz a música chave de cada episódio tem uma voz linda! Particularmente gosto de "Where do we go from here" e "War of hearts".

Tem pontos que eu não gostei, mas em geral, a série me cativou e estou ansiosamente aguardando a segunda temporada!


Lulu: E assim encerramos por hoje esse vertigem. Até próximo mês com mais listas!

Sete Obras que Nós Gostamos e Nossos Amigos Desprezam/Ignoram

1. TUDO do Bryan Fuller.
2.Evillious Chronicles, série de Akuno-P/mothy
3. Jonathan Strange & Mr. Norrell, da Susanna Clarke
4. A bibliografia de Charles de Lint, com ênfase especial em seus contos
5. Dresden Files, série de Jim Butcher
6. Death Vigil, Sunstone, e Ravine, de Stjepan Šejić
7. A série Shadowhunters


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