31 de maio de 2016

1 Ano, 365 Contos - Maio


Maio nem terminou de acabar e já estou sentindo falta dele… não se vá, minhas férias queridas… T.T

Enfim… maio foi um mês tranquilo para colocar as leituras em dia e consegui ler quatro livros completos só para esse projeto. Fantasia, ficção científica e folclore foram a base da maioria dos contos que desbravei ao longo das últimas semanas.

Li em casa, no aeroporto, no hotel, com a Ísis sentada do meu lado. Foi uma boa experiência pra trazer pra cá. Então… vamos ao diário da vez?

1 Ano, 365 Contos: Maio

Dia 01 – 20h59
O Homem da Areia de E.T.A. Hoffmann. Lido na novela O Homem da Areia. 57 páginas, 32 min.

Não sei porque, tinha a impressão de que ainda não tinha lido esse conto do Hoffmann… e, no entanto, assim que comecei a ler, imediatamente reconheci a história como familiar.

Enfim… O Homem da Areia é talvez uma das primeiras menções na literatura à figura do ‘sandman’, que serviu como inspiração para a criação do fascinante personagem de Neil Gaiman na série em quadrinhos. Como estou participando do projeto #LendoSandman, decidi inserir esse conto nas minhas leituras desse outro projeto.


O Sandman de Hoffmann não é fofinho como o do filme A Origem dos Guardiães, nem imponente como o Morpheus de Gaiman. Ele é aterrorizante, mesquinho e puramente maligno.

A história mistura personagens de fantasia com autômatos, crime e loucura. É uma história daquelas para não fazer dormir se lida na atmosfera correta. Não se engane, o Homem da Areia de Hoffmann não vai aparecer por aqui para te causar bons sonhos, muito pelo contrário...

Dia 02 – 18h26
O Professor de Lara e o Encantamento de Dois Centavos de E. Nesbit. Lido na coletânea A Caverna dos Magos. 10 páginas, 6 min.

Embora seja uma das autoras que J. K. Rowling indica como inspiração, tenho de ser sincera: não me empolgo muito com a E. Nesbit… Acho que perdi essa janela; entendo a importância da autora para a ficção fantástica, mas acabei me acostumando com um enredo um pouco mais sofisticado, com personagens menos óbvios. O que é engraçado, porque as crianças dela são personagens bem críveis em suas reações, mas tão, tão… simples.

Não vai ser meu favorito...

Dia 03 – 08h08
Escola para o Extraordináriode Manly Wade Wellman. Lido na coletânea A Caverna dos Magos. 15 páginas, 8 min.

Esse foi um conto meio… assustador. E me fez lembrar os garotos fazendo pactos demoníacos em Estação das Brumas do Neil Gaiman… Será que ele leu essa história? É bem possível…

Setwick acaba de chegar para começar o ano letivo numa escola no interior e é recepcionado por um grupo de alunos não particularmente simpático… ou, numa segunda olhada, particularmente humano.


Um pouco mais de insanidade, crime e cenas de pesadelo para o projeto desse mês. Eu tinha a ilusão de que esse seria um livro mais leve… Errei?

Dia 04 – 6h11
O Diretor Demônio de Gillian Cross. Lido na coletânea A Caverna dos Magos. 6 páginas, 3 min.

A Ísis chega daqui a pouco e vou só terminar de escrever isso para levantar e começar o dia… O programa de hoje é ir ao cinema e chorar por causa do Tony Stark. Pois é…

A despeito do título bastante aterrorizante, o diretor que sai por aí hipnotizando os pais da criança para proibir que haja carnaval nem se compara ao seu equivalente na história de ontem. Na verdade, eu gostaria de acabar com o carnaval também, especialmente quando me acordam com a música maldita às três da manhã...

Dia 05 – 07h29
Bandos de Fantasmas de Humphrey Carpenter. Lido na coletânea A Caverna dos Magos. 23 páginas, 13 min.

No aeroporto, esperando a hora de embarcar! Ísis está aqui do meu lado e daqui a pouco estaremos voando para Foz do Iguaçu. Finalmente, férias, sua linda, você chegou!!!

(Podia ter chegado me deixando dormir um pouco mais também, mas não vamos reclamar…)

Achei a história de Carpenter simpática, com seu mago atrapalhado e fantasma medroso… o sr. Majeika me fez pensar no Rincewind do Pratchett… E também em Harry Potter, embora aqui nós tenhamos um mago que serve como professor numa escola de pessoas normais e que parece mais confuso com o mundo de uma maneira geral que seus próprios alunos...

Dia 06 – 17h01
A Boa Mulher de Augusto Pessôa. Lido na coletânea A Panqueca Fugitiva, o Resmungão e Outros Contos Nórdicos. 9 páginas, 4 min.

Pai do céu, que mal sinto minhas extremidades… hoje tivemos nosso primeiro dia de passeio cá em Foz e fizemos uma trilha e pegamos um barquinho para ‘ir tomar banho’ nas Cataratas do Iguaçu. Detalhe: fazia 18ºC hoje pela manhã, quando embarcamos no Macuco Sáfari e a sensação térmica, com o vento e a água, devia ser bem menor que isso.

A Ísis, que tem couro de sapo, não sentiu frio.

Após passar o dia tomando banho (de chuva, de catarata, de garoa das quedas d’água), voltamos ao hotel e aproveito um breve respiro antes de sairmos para cruzar a fronteira com a Argentina.

Enfim, sobre a história de hoje… trouxe para a viagem um volume fininho de contos folclóricos - como as histórias são bem curtas, posso continuar meu desafio e ter tempo para passear e bater papo com a Ísis.

Em A Boa Mulher temos um fazendeiro pior que João, que troca sua vaca por feijões mágicos. Ao longo da história, ele faz várias trocas, cada uma mais estapafúrdia que a outra, até terminar sem nada para levar de volta para casa. No caminho, encontra o vizinho, que aposta com ele um saco de ouro de que o fazendeiro levará a maior bronca da vida da esposa, tendo em vista a maneira bastante estapafúrdia dele de fazer negócios.

Achei divertido, embora tenha minhas dúvidas se o homem não achou uma maneira de se comunicar com a esposa para ganhar o segundo saco de ouro. Pensei que fosse dar tudo errado quando ele apostou a fazenda...

Dia 07 – 23h41
Os Sete Potros de Augusto Pessôa. Lido na coletânea A Panqueca Fugitiva, o Resmungão e Outros Contos Nórdicos. 11 páginas, 3 min.

Chegamos faz pouco do bar de gelo, e eu desconfio que a Ísis está meio bêbada aqui do lado e por pouco não perdi a hora para ler o conto de hoje. Mas, hei, deu tudo certo no final… mas acho que a partir de amanhã tentarei me lembrar de ler o conto do projeto pela manhã antes de sair...

Tenho de dizer que isso aqui é totalmente história de trancoso. E alguém me explica se Araldino lá é nome nórdico? Mas, tá, gostei assim mesmo. Está se provando um livro engraçadinho, acho que terei de providenciar uns volumes deles para meus sobrinhos...

Dia 08 – 22h02
A Raposa e o Urso de Augusto Pessôa. Lido na coletânea A Panqueca Fugitiva, o Resmungão e Outros Contos Nórdicos. 9 páginas, 3 min.

Normalmente gosto de raposas e criaturas astuciosas, mas acho que essa aqui foi um pouco injusta na forma como agiu com o amigo urso…


Mas as ilustrações são lindas! Tô ficando completamente apaixonada pelo projeto gráfico desse livro.

Dia 09 – 21h51
Florisbela e Bela Flor de Augusto Pessôa. Lido na coletânea A Panqueca Fugitiva, o Resmungão e Outros Contos Nórdicos. 9 páginas, 5 min.

Amei esse conto, provavelmente será meu favorito dessa antologia. Me fez pensar em Valente; a Florisbela poderia muito bem ser a inspiração para Merida. A Ísis concorda comigo.


Gosto especialmente da relação das irmãs, especialmente porque o início clássico de contos de fadas dá uma expectativa de que elas serão inimigas e não é isso o que acontece. A violência é bastante casual… e a Florisbela monta um bode em vez de um alazão branco. O que não há para gostar numa história como essa?

Dia 10 – 21h51
Os Três Corvos de Augusto Pessôa. Lido na coletânea A Panqueca Fugitiva, o Resmungão e Outros Contos Nórdicos. 13 páginas, 4 min.

Estou mais uma vez no avião, saindo de São Paulo, já a caminho do Recife. Sentirei falta desses dias de folga…

Enfim, mais uma vez, tenho de dizer: caramba que é muito história de trancoso! Eu tô me lembrando direto das noites passadas na calçada da minha avô, ouvindo Nenê de Tali contando histórias pra uma ruma de crianças embasbacadas…

Vejam só: temos três corvos que são na verdade três bruxas casadas com marinheiros que decidem, absolutamente do nada, matar os maridos - afinal, elas são bruxas, e têm de fazer maldades, né? Essa é a teoria… Na minha opinião, é coisa de maluco. Mas gostei do capitão menino salvando o dia.

Dia 11 – 22h53
É Mentira de Augusto Pessôa. Lido na coletânea A Panqueca Fugitiva, o Resmungão e Outros Contos Nórdicos. 7 páginas, 6 min.

Dia de extrema preguiça, considerando que viemos chegar em casa passando das duas da manhã, acordamos relativamente cedo para o horário que fomos dormir, saímos de tarde para comer e só voltamos agora há pouco da farra.

Bem… essa história me lembrou vagamente uma que minha mãe conta para ilustrar a fama de mentiroso de pescador. O conto, em si, é bem típico de histórias de fadas, com três irmãos que saem pelo mundo para ganhar a vida, sendo o caçula sempre o mais esperto.

Dia 12 – 15h05
O Resmungão de Augusto Pessôa. Lido na coletânea A Panqueca Fugitiva, o Resmungão e Outros Contos Nórdicos. 15 páginas, 5 min.

Acabo de deixar a Ísis no aeroporto… Já estou sentindo saudades…

Enquanto isso… leio. Gente, que história é essa? Sabia que algumas histórias do folclore nórdico eram bem doidas, mas não tinha chegado nesse nível de bizarrice. Cinco mulheres chocando um ovo gigante de onde nasce um homem feito com cara de bebê e força descomunal, esfomeado por aveia e peixe e disposto a qualquer serviço…

Sério, bizarro, muito bizarro, mas me rendeu umas gargalhadas aqui…

Dia 13 – 20h10
A Panqueca Fugitiva de Augusto Pessôa. Lido na coletânea A Panqueca Fugitiva, o Resmungão e Outros Contos Nórdicos. 6 páginas, 3 min.

QUE CONTO ABSOLUTAMENTE BIZARRO!!!! Temos aqui uma panqueca bem gordinha e roliça fugindo de uma fileira de gente e bicho, com o porco se revelando o mais espero de todos ao final.


Nem sei o que dizer sobre essa história. Sério. Não consigo imaginar que esse nível de bizarrice possa ser superado. Por sorte, esse livro acabou. Amanhã começamos com um pouco de ficção científica e logo por um clássico. Nunca li Philip K. Dick, será que vou gostar? Estou ansiosa...

Dia 14 – 09h11
Lembramos para Você a Preço de Atacado de Philip K. Dick. Lido na coletânea Realidades Adaptadas. 27 páginas, 21 min.

Estou (de novo) numa sala de espera, aguardando me chamarem para fazer teste ergométrico. Primeira vez que faço esse exame - como tenho um longo histórico de problemas cardíacos na família e, embora minha pressão costume ser baixa, minha frequência cardíaca é bem disparada sem explicação óbvia (normalmente ela aumenta do nada quando estou em repouso), médico decidiu incluir um check-up completo da parte cardíaca no pacote desse ano.

Enfim, comecei a ler a antologia de contos do Philip K. Dick que inspiraram filmes. A primeira coisa que tenho a dizer é que Lembramos para Você a Preço de Atacado é um título muito mais legal que O Vingador do Futuro. A segunda é que o filme tem muito pouco a ver com a história do conto.

O foco aqui não são perseguições e cenas de luta, mas a forma como funciona a memória e o subconsciente. Douglas Quail, o protagonista, vive uma vida bastante comum e quase medíocre, e tem como grande anseio viajar a Marte. Como não pode fazê-lo - por questões financeiras e também por não ser um agente do governo - ele procura uma empresa chamada Rekordar, que implanta memórias para fazer com que o cliente acredite que realizou aquele seu desejo.

O problema é que quando começam a mexer em sua memória, Quail vai despertar para algumas lembranças esquecidas que revelam que ele é bem mais do que aparenta.

O impressionante da história é como o autor consegue alcançar um resultado tão interessante e tão profundo em seu questionamento de como se constrói a identidade através da memória, com tão poucas páginas e tão pouco desenvolvimento do personagem. Não é necessário ter um background completo de Quail, nem todos os detalhes do que ocorreu em sua história para compreender o personagem. PKD não desperdiça nem uma palavra, não escreve nada além do necessário - e mesmo assim, seu estilo não é seco e consegue nos sugar para dentro da história completamente.

Primeiro contato com o autor e já estou impressionada.

Dia 15 – 10h52
Segunda Variedade de Philip K. Dick. Lido na coletânea Realidades Adaptadas. 57 páginas, 42 min.

Não assisti o filme derivado dessa história, mas creio poder dizer sem sombra de dúvida que esse é um conto de terror. Daqueles de causar arrepios.

A história se passa em um universo em que a Guerra Fria ‘esquentou’ e a Rússia varreu do mapa boa parte do resto mundo antes dos americanos começarem a revidar, mudarem seu corpo maior de oficiais para a lua, deixando seus combatentes com fábricas de robôs cada vez mais sofisticados cujo único objetivo é a destruição.

Simpático, não?

Senti extremos calafrios quando as garras aparecem e simplesmente retalham o pobre enviado russo e ninguém faz absolutamente nada - até porque não podem fazer mesmo nada para ajudar. Mesmo antes da revelação de que as máquinas tomaram o controle e estão construindo novos modelos perfeitos para infiltração, é bem claro que a humanidade se tornou refém daquilo que construíram.

O interessante é que o questionamento que se coloca nessa história é se somos capazes de descobrir quem é humano e o que aparenta ser humano. E como a semente da destruição se insere mesmo entre seres artificiais.

EDIT.: faz quatro dias que li esse conto e acabo de ver no jornal uma manchete que diz que cientistas criaram um robô com a mobilidade de um inseto. É claro que a primeira coisa que me veio à mente foram as garras dessa história. Calafrios, muitos calafrios.

Dia 16 – 20h53
O Impostor de Philip K. Dick. Lido na coletânea Realidades Adaptadas. 19 páginas, 10 min.

Eu me pergunto se não fosse por esse projeto dos contos, se eu teria ido atrás de livros como A Cidade Inteira Dorme e outros contos do Ray Bradbury e essa antologia do Philip K. Dick. Especialmente o PKD, que não escreve num gênero com o qual eu tenha muita familiaridade. Estou começando a ler ficção científica a sério de uns tempos para cá, tendo sempre preferido fantasia… Então há muito por conhecer no gênero.

É impressionante como esses autores conseguem, em histórias tão curtas, criar enredos tão elegantes na forma como se contém. Isso é algo que sempre me surpreende quando estou lendo bons contos, porque não tenho esse talento para a síntese. Tenho muita dificuldade em controlar a verbosidade, normalmente enrolo demais e quero contar demais. É uma questão de estilo e tento lidar com isso da melhor maneira possível, mas não nego que queria ser capaz de contar uma história bem amarrada sem me esparramar demais.

Em O Impostor temos a Terra em guerra com algum povo alienígena genérico. Spence Olham, membro da comunidade científica que está tentando desenvolver armas que possam proteger o planeta é acusado de ser um impostor - um alien que tomou o lugar do verdadeiro cientista e que traz em seu corpo uma bomba que explodirá após ser dita uma determinada frase-chave.

A questão é que Olham tem absoluta certeza que não foi substituído. Ele é 100% humano. Ou, talvez, ele tenha sido programado para acreditar que é humano. O conflito de identidade criado por essa situação é simplesmente fenomenal, assim como a reflexão sobre os limites legais que podem levar um homem comum à morte porque não se pode arriscar que ele não seja inocente.

Cada um dos contos dessa antologia, sozinho, seria capaz de render horas de debate. Reunidos em um único livro, tenho a impressão de estar recebendo um coice na cabeça para me fazer pensar de forma mais profunda sobre o que se esconde por trás das aparências cotidianas desses personagens.

Dia 17 – 16h07
O Relatório Minoritário de Philip K. Dick. Lido na coletânea Realidades Adaptadas. 49 páginas, 33 min.

Minority Report é um dos poucos filmes da lista desses contos que assisti. De novo, o conto não tem nada a ver com sua adaptação cinematográfica. Os filmes são óbvios e melodramáticos onde PKD não é. Pelo contrário, suas soluções nunca são fáceis ou felizes.

Até certa medida, o filme espelha a história do livro em seus termos fundamentais: a existência de uma polícia que prende criminosos antes mesmo que eles possam cometer crimes, com base nas visões de três mutantes clarividentes.

Fora isso, Hollywood se preocupou em passar uma mensagem positiva e ‘limpinha’, ao passo que, no conto, os clarividentes têm uma aparência grotesca, o questionamento do sistema não altera a ideia de que ele é ainda melhor do que o retorno à sociedade anterior - uma sociedade aparentemente controlada pelo exército.

O Relatório Minoritário foi um dos contos mais tensos do livro até aqui - sendo que nenhum deles foi exatamente um passeio no parque (embora eu tenha dado boas risadas com o final totalmente inesperado de Lembramos para Você a Preço de Atacado). Escolhas difíceis e muita pouca fé na humanidade...

Dia 18 – 08h53
O Pagamento de Philip K. Dick. Lido na coletânea Realidades Adaptadas. 46 páginas, 36 min.

Estou embasbacada com esse conto até agora. E percebi que uma das coisas que me causa estranheza nele é que não estou acostumada a forma como ele manipula o tempo, presente e futuro. Acho que estou mais acostumada com a noção, dentro da ficção científica, que um viajante do tempo que altera o passado não constrói uma nova história para si mesmo, mas se ‘apaga’ ou dá margem à criação de um universo alternativo.


Aqui, a manipulação do tempo já está prevista e é absoluta. Você muda o passado porque já estava previsto que você mudaria o passado. Ou melhor, porque você viu o futuro, e alterou esse futuro, você o altera também no presente. Isso elimina alguns paradoxos, mas também me dá a impressão de que existir menos espaço para escolhas.

Confuso? Mas faz MUITO sentido dentro da história...

Dia 19 – 13h36
O Homem Dourado de Philip K. Dick. Lido na coletânea Realidades Adaptadas. 39 páginas, 27 min.

Fiquei pensando em X-Men durante boa parte desse conto. Não é o melhor do livro, mas é um ponto de vista interessante. Eu normalmente sou de opinião que é possível conviver, que seria possível haver coexistência entre as duas espécies, mas que os seres humanos são por demais intolerantes para entender isso. Sim, sou partidária do professor Xavier sempre.

Curioso que eu tenha acabado por ler esse conto justamente no dia de estréia do filme novo. Tenho que ver quando poderei ir ao cinema assisti-lo...

Dia 20 - 21h27
Equipe de Ajuste de Philip K. Dick. Lido na coletânea Realidades Adaptadas. 30 páginas, 16 min.

Último conto do PKD! Vou ficar com saudades dele, gostei muito do estilo do autor, é o tipo de ficção científica que me agrada bastante (bem mais que aliens verdes de cabeça grande…).

Esse é talvez o terceiro conto de Realidades Adaptadas que lida com destino e abre questões sobre livre-arbítrio. Ela é mais bem-humorada que a adaptação com o Matt Damon , com uma figura divina que parece estar esperando a hora de marcar o cartão e sair pelo resto do dia. Um bocado irônico, do meu ponto de vista, especialmente e era a intenção do PKD fazer a equipe de ajuste como uma espécie de anjos da guarda da realidade, e um aceno à religião.

Terei de passar mais tempo agora pensando na forma como religião se interlaça com os contos do autor… e termino este livro vidrada na ideia de ir atrás de O Homem do Castelo Alto. Não sei dizer o porquê, mas fiquei com vontade de fazê-lo meu próximo PKD.

Dia 21 - 20h30
Grimnir e a Alteradora de Formas de Alan Garner. Lido na coletânea A Caverna dos Magos. 12 páginas, 7 min.

E… voltamos à coletânea A Caverna dos Magos, que comecei a ler no início do mês antes da Ísis chegar e acabei interrompendo para colocar dois outros livros no meio. Não me arrependo de nada!

Particularmente não me arrependo porque estou desapontada com esse livro. Alan Garner foi um dos primeiros autores de fantasia que conheci e eu gosto muito do universo que ele criou em A Pedra Encantada de Brisingamen e A Lua de Gomrath. Assim é que eu estava ansiosa para ver um conto novo do autor e, no entanto… no entanto, essa história é um capítulo tirado diretamente do primeiro livro, sem quaisquer acréscimos visíveis e sem o benefício de contar ao leitor tudo o que acontece antes daquele momento.

Aqui somos simplesmente largados no meio da ação, sem explicação sobre quem são os personagens, sem começo claro ou final satisfatório. Não gostei. Não mesmo.

Dia 22 - 06h37
O Misterioso Oliver de Russell Hoban. Lido na coletânea A Caverna dos Magos. 13 páginas, 6 min.

Gostaria muito de entender porque meu relógio biológico faz isso comigo, porque ele me acorda tão cedo em pleno domingo? Isso não é justo. A vida não é justa. Quero continuar dormindo! Por mais que me sinta produtiva de manhã, esse é um horário desnecessário para estar de olho grelado.

Maldita dor de cabeça.

Ok, reclamações à parte, tenho que dizer que o conto de hoje compensou um pouco a decepção de ontem. O Misterioso Oliver não é uma das melhores histórias que já li, mas tem potencial e eu gostei da forma como ele se relaciona com o mito de Hades e Perséfone.

Tenho muita vontade de escrever uma história que tenha esse mito como base...

Dia 23 - 21h58
Os Guardiões do Descobridor de Joan Aiken. Lido na coletânea A Caverna dos Magos. 20 páginas, 14 min.

Eu acho, tendo quase certeza, que já li essa história antes, há muito, muito tempo. Ou se não foi ela, algo parecido, porque ela me é bastante familiar…

Garoto que é mentiroso compulsivo, num internato, ansioso por demonstrar sua importância a seus pares… não sei se tenho ou não pena do rapaz - acho que boa parte do veneno que sentimos na história vem do fato de que ela é narrada por alguém que claramente não gosta de Denzil.

Dia 24 - 14h32
Os Endiabrados de William Harvey. Lido na coletânea A Caverna dos Magos. 13 páginas, 6 min.

Que história mais sem pé nem cabeça… alunos envolvidos em uma seita ou culto que se reúne numa única determinada noite do ano para cantar coisas sem sentido que nem eles mesmo entendem porque estão fazendo aquilo… Era um enredo que tinha potencial para se tornar assustador e no entanto… não fez nada, não foi para frente nem para trás, nem contou qualquer coisa...

Dia 25 - 22h28
A Magia de Voar de Jacqueline Wilson. Lido na coletânea A Caverna dos Magos. 9 páginas, 5 min.

Hoje é o dia do orgulho nerd! O dia da toalha! O dia da revolução gloriosa! Deveria ter achado um conto do Pratchett para ler hoje, mas me lembrei disso um pouco tarde demais… Papai fez cirurgia de catarata hoje e nem me dei conta de pensar em outra história para ler hoje…

Em vez disso li uma história sobre um sapo mágico tentando ensinar uma criança de dias modernos a voar. Não sei porque, mas Rebecca e Glubbslyme me fizeram pensar nos livros da bruxa Onilda que eu lia quando criança…

Gostaria de ter visto o que teriam feito se voassem no aspirador de pó, teria sindo ainda mais tragicômico que com o guarda-chuva amarelo.

Dia 26 - 20h41
O Enigma Chinês de John Wyndham. Lido na coletânea A Caverna dos Magos. 26 páginas, 14 min.

Dei boas risadas com essa história - ela me fez lembrar de Guardas! Guardas! do Terry Pratchett, mas de uma forma menos… medieval.

Um casal no interior de Gales recebe do filho viajante um ovo para salvaguardar… um ovo que choca num dragão. O dragão, claro, torna-se uma curiosidade local, exceto para um dos trabalhadores ligado ao sindicato, que se irrita porque o tal dragão é um imperial chinês, símbolo, portanto, da opressão aos povos e etc, etc, etc… de forma que ele teima até conseguiu seu próprio, legítimo e plebeu dragão vermelho galês.

E então ele decide jogar os dois dragões numa rinha para brigar… com resultados bastante inusitados.

Dia 27 - 18h35
O Desejo de Roald Dahl. Lido na coletânea A Caverna dos Magos. 4 páginas, 3 min.

História curtinha… mas interessante pela forma como deixa no ar se a brincadeira do garoto com o tapete era, de fato, apenas uma brincadeira ou se ele foi tragado pelo mar de cobras que significava pisar nas partes negras do tapete...

Dia 28 - 08h20
O Menino Invisível de Ray Bradbury. Lido na coletânea A Caverna dos Magos. 15 páginas, 8 min.

Opa, Ray Bradbury! Já decidi que mês que vem passarei o mês todo lendo Bradbury para o projeto - sim, de novo - e é sempre bom reencontrá-lo assim, inesperadamente.

Essa história é agridoce. A bruxa - que possivelmente não é bruxa - tentando enfeitiçar o garoto para que ele se torne seu filho e lhe faça companhia… mentindo que o tornou invisível para que ele seja forçado a ficar ao seu lado com outras ameaças…

Há um elemento cômico, com as tentativas da velha senhora de enganar a criança, mas ao final, a verdade é que essa história sobre solidão.

Dia 29 - 20h11
Meu Nome é Dolly de William E. Nolan. Lido na coletânea A Caverna dos Magos. 5 páginas, 3 min.

Esse conto me deu nó no estômago, especialmente a se considerar as notícias sobre o estupro no Rio de Janeiro. Dolly, a protagonista, está sendo molestada pelo pai adotivo e recorre a uma bruxa para resolver a questão. A história termina em morte e desfiguramento, ambígua na forma como trabalha a idéia da boneca e da criança.

Dia 30 - 07h23
Algo para Ler de Philip Pullman. Lido na coletânea A Caverna dos Magos. 17 páginas, 11 min.

Estamos no período de chuvas cá no nordeste e hoje a cidade amanheceu debaixo d’água. Além de ter chovido praticamente sem parar a noite inteira, a maré está alta. Não vai dar nem para sair de casa agora de manhã, vou ter que trabalhar daqui mesmo hoje.

Um conto do Pullman! Gosto do Pullman, embora ele seja do tipo às vezes oito, às vezes oitenta - a trilogia Fronteiras do Universo é uma das minhas obras favoritas, mas eu detesto A Borboleta Tatuada e se amei o início da história da Sally em A Maldição do Rubi, prefiro ignorar a existência das continuações…

Tenho de dizer que posso me identificar com Annabel, a protagonista desse conto, embora eu concorde que ela seja um pouco esnobe e difícil. Acho, sobretudo, que ela não deveria ter sido forçada ao ‘convívio social’ se não se sentia confortável com isso.

Sobretudo, eu concordo com o pensamento de Annabel sobre o que seja o inferno...


Dia 31 - 14h42
O Centésimo Sonho de Carol Oneir de Diana Wynne Jones. Lido na coletânea A Caverna dos Magos. 26 páginas, 18 min.

Último conto do mês! O final desse livro só tem autores clássicos do gênero: assim como o Pullman, a Diana também é uma das minhas autoras favoritas - embora eu prefira muito mais O Castelo Animado que a série de Crestomanci.

O Centésimo Sonho de Carol Oneir traz Crestomanci de forma periférica, mas de uma maneira que gostei até mais do que nas histórias originais do mago de nove vidas. Gostei de Carol, achei interessante a forma como sonhos são comercializados e sobretudo, diverti-me com a greve dos personagens oníricos.

Essa é uma história que não estaria deslocada num volume de Sandman. O que é curioso, porque comecei e agora termino esse mês de contos fazendo referências ao projeto #LendoSandman.

Conclusões

Maio foi um mês de descanso, mas foi também um mês produtivo em leituras. A melhor coisa que ele me trouxe foi me apresentar ao Philip K. Dick - sério, acho que vou ler muito mais do autor em tempos vindouros.

Eu me diverti com os contos folclóricos de A Panqueca Fugitiva, o Resmungão e outros contos nórdicos, embora não esteja completamente certa se são mesmo contos nórdicos… eles se assemelham muito às histórias de trancoso que ouvi na infância da vizinha contadora de histórias quando visitava minha avó…

A Caverna dos Magos em compensação, foi um volume que achei meio dispensável. Tem bons contos e muitos autores que amo de paixão, mas, não sei, não foi uma antologia que funcionou para mim. É o tipo de livro que eu leria mais nova e adoraria, mas que hoje não tem peso suficiente para realmente me prender.

Contos: 152/365
Páginas: 3.436 (617 lidas esse mês)
Tempo: 39 horas e 56 minutos (6h 15min de leitura esse mês)

Para junho eu tenho um livro novo do Ray Bradbury que consegui numa troca e que deve me ocupar por boa parte do mês. Estou feliz em voltar a ele, eu realmente fiquei apaixonada pelo estilo do homem… mas desconfio que não vou ficar tão apaixonada pelas Crônicas Marcianas como fiquei com os contos mais sombrios e voltados à fantasia dele… Não sei, vamos ver o que junho nos reserva...


A Coruja


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