5 de março de 2016

180º - Passagem (Transporte Aéreo)


Estamos de volta com mais uma etapa da viagem ao Japão, e dessa vez falaremos de transporte. Para tratar do assunto, teremos duas edições, uma para transporte dentro do Japão, e a outra para chegar lá. Comecemos pelo segundo.

Primeiro, o Japão é um arquipélago, ou seja, um conjunto de ilhas; no caso, mais de 6.800! Não é o único país que assim se constitui: as Filipinas, por exemplo, é outro arquipélago com pouco mais de 7.000 ilhas. O que isso significa, porém, é que não dá para chegar até lá por terra. Só se chega a lugares assim via aérea, via marítima, ou nadando mesmo. Como eu creio que ninguém aguenta nadar daqui pro outro lado do mundo, vamos comentar apenas por navio e por avião.

Por navio. Vou ser sincera e dizer que nunca viajei em um navio; o mais próximo a isso que tenho como experiência é viagem de barco de até 2 horas, mas nunca em alto mar. Assim, dei uma pesquisada para não deixar passar em branco e poder comentar por aqui; assim, descobri que é possível fazer a viagem de duas formas: num navio de cargas, e em navio cruzeiro. O primeiro é mais barato, mas dura mais (aparentemente entre 40-60 dias) e tem menos opções a bordo, inclusive quanto às refeições e entretenimento. O segundo é extraordinariamente mais caro, e, sendo bem honesta, fazendo uma rota em que estejam inclusos o Brasil e o Japão, só achei cruzeiros volta ao mundo, e esses custam de BRL 80.000,00 ou mais.

Melhor ir de avião mesmo, a menos que sua intenção seja viajar pelo mundo, e que você tenha tempo (leva uns dois meses ou mais) e dinheiro. Como nada disso está em abundância para todos, foquemos nas passagens de avião, sim? Afora o que já foi dito no master post da coluna 360º, podemos adicionar o seguinte: não existe mais vôo direto para o Japão. Você vai precisar fazer conexão em pelo menos um algum lugar. É simplesmente do outro lado do mundo, literalmente 180º! Não tem gasolina que aguente uma viagem dessas de uma só vez; que eu saiba, mesmo quando havia vôo direto, fazia-se pelo menos uma parada para reabastecer.

Vídeo super fofo da inauguração do vôo Brasil-Japão pela extinta VARIG.
Interessante notar que Urashimaru Tarou é realmente uma lenda japonesa:
ele ganha uma caixinha da tartaruga que salva que lhe dá juventude.

Aí você precisa ver qual a melhor rota para você, em termos de cansaço, em termos de valor, em termos de por onde você quer passar, e por onde não quer. Como dito no referido post 360º, se você já tiver uma aliança de companhias aéreas com a qual costumeiramente viaje, tente ver primeiro qual a melhor rota/preço que ela oferece, pois é sempre bom pontuar dentro do mesmo programa se você não costuma viajar tanto ao longo do ano.

Às vezes, porém outra companhia oferece alguma promoção com preço muito convidativo, e talvez valha a pena aceitá-lo. De novo, depende da sua prioridade, mas se você viaja uma ou duas vezes por ano, recomendo manter-se sempre na mesma aliança aérea. Isso porque, assim o fazendo, o passageiro ganha pontos/milhas e certos privilégios, como a possibilidade de upgrade sem pagar a mais para a classe executiva (se estiver inicialmente na econômica), ou primeira classe (se já estiver na executiva). Por outro lado, se viagens, especialmente para lugares mais longe, não é algo que você faça com certa frequência –digamos, uma vez a cada 2-3 anos –, então é melhor procurar a companhia que lhe oferecer o melhor preço pela rota mesmo.

Avisarei, porém, o seguinte: viajar para o outro lado do mundo cansa. Não só a viagem em si, como também o jetlag resultante da diferença entre horários. Todo o Japão (que tem um só fuso-horário) e quase todo o Brasil (devido à predominância do horário de Brasília) são exatamente opostos: quando aqui no Japão são oito horas da manhã de uma terça-feira, no Brasil (horário de Brasília) são oito da noite da segunda-feira.

Portanto, não subestime essa diferença. Quer queira, quer não, quer seja sedentário, ou atleta, você sentirá o efeito de dar meia volta ao mundo. Por isso separe pelo menos o primeiro e o segundo dia de sua viagem para descansar e/ou fazer apenas programas leves, dando tempo ao seu corpo se adaptar um pouco. Provavelmente sua viagem terminará antes de você se adaptar completamente, mas sem esses primeiros dias de repouso, dificilmente terá a energia de sempre.

Eu costumo fazer os dois vôos sem pausa, porque já me acostumei, e porque, pela companhia com a qual viajo, o tempo de espera para a conexão é super rápido, de forma que não sinto muito o cansaço. Normalmente, porém, não é esse o caso. Conexões internacionais costumam demor, às vezes quase 24hs. Assim, se você não está acostumado a passar umas oito horas ou mais espremido no espaço limitado que é a cadeira da classe econômica de qualquer avião, e/ou o tempo de conexão é comprido, faça um stopover, ou seja, “quebre” o fluxo de sua passagem para passar pelo menos um dia na cidade de conexão. Assim, não só você ganha mais para sua bagagem cultural, como também já dá ao seu corpo a chance de começar a se adaptar, e de poder encarar o resto da viagem com mais disposição.

As rotas mais fáceis que conheço são pelos EUA, por Frankfurt, pela Finlândia, e pelos Emirados Árabes. Contudo, é claro que há inúmeras outras formas de montar sua viagem até a Terra do Sol Nascente. Divirta-se tentando!

E até a próxima edição, quando cuidaremos do transporte dentro do Japão!


A Elefanta


____________________________________

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sobre

Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

Cadastre seu email e receba as atualizações do blog

facebook

Arquivo do blog