24 de março de 2015

Para ler: A Décima Terceira História

Todo munda tem uma história.
Quando é que você vai me contar a sua?

A décima terceira história contém os três ingredientes essenciais a uma história clássica: enredo forte, exploração original de um relacionamento apaixonado e fora do comum (uma sinfonia de irmãos e gêmeos) e uma narradora cuja busca incansável da verdade é sedutora. Uma heroína improvável, sem filhos, eternamente ligada à literatura — uma paixão absoluta pelos livros permeia a trama. Assim como um ligeiro senso de implausibilidade e de esqueletos dentro de armários, ansiando por libertação. A escritora Vida Winter passou quase seis décadas cuidadosamente arquitetando respostas para a imprensa. Iludir jornalistas e admiradores acerca de sua origem, afastá-los de seu passado enigmático — tão enigmático quanto sua primeira obra, intitulada Treze contos de mudança e desespero, mas que só continha 12 — é como uma segunda natureza.

Porém, tudo isto está prestes a mudar quando Margaret Lea, biógrafa amadora, recebe uma carta da famosa autora convidando-a a redigir suas memórias. Pela primeira vez, Vida Winter, reclusa e doente, vai contar a verdade. Uma verdade com certo quê de Irmãs Brontë: uma casa isolada em prados enevoados, gêmeos com sua própria linguagem, governantas sisudas. Uma família atormentada por segredos e cicatrizes. Mas poderá Margaret, acostumada a cuidar dos livros no velho antiquário do pai, confiar totalmente em Vida? E terá sido eleita depositária das confidências por mero acaso?
Não tenho muita idéia de porque comprei esse livro, considerando que não conhecia a autora ou a história. Acho que foi uma daquelas compras impulsivas em que você olha para um livro em promoção e decide colocá-lo debaixo do braço. Mais tarde vim descobrir que ele estava em várias listas de clássicos modernos e tinha sido recebido muito bem pela crítica e pelo público.

Seja como for, A Décima Terceira História estava me encarando já fazia um tempo na estante e decidi me aventurar a lê-lo afinal. Interessava-me a vaga noção de que se tratava de um livro sobre livros e sobre histórias – algo que dava para perceber pela capa e da breve sinopse – de forma que comecei com boas expectativas para ele.

O início me capturou completamente. Eu podia me enxergar um pouco na narradora, Margaret, com seu amor pelos livros e logo o mistério em torno de Vida Winter também me pescou.

Enquanto li, não me senti particularmente preocupada com a qualidade da história. Permaneci completamente absorta pelas vidas dos Angelfield, pela forma como os personagens iam se entrelaçando, pelo sentimento de assombro e repulsa que certas passagens me provocavam. Foi um livro ‘vira-página’, do tipo que você só larga a muito custo antes de chegar ao final.

Em muitos pontos, o livro lembrou o trabalho das irmãs Brontë – lembrança, aliás, proposital, considerando a importância que livros das autoras assumem para os personagens na história e o próprio clima gótico que permeia toda a narrativa.

Contudo, ao terminar a leitura, senti que alguma coisa não batia. Não estava totalmente satisfeita; pelo contrário, me incomodava o final, a degradação moral e mental dos personagens, o distanciamento de Winter e a obsessão de Margaret. Faltou alguma coisa para que eu pudesse verdadeiramente me importar com o destino daqueles personagens e acreditar neles.

O livro não é ruim. Mas essa ‘alguma coisa que falta’ – empatia, talvez – acaba por eclipsar o potencial que o romance tinha.

Nota:
(de 1 a 5, sendo: 1 – Não Gostei; 2 – Mais ou Menos; 3 – Gostei; 4 – Gostei muito; 5 – Excelente)

Ficha Bibliográfica

Título: A Décima Terceira História
Autor: Diane Setterfield
Tradução: Lea Viveiros de Castro; André Pereira da Costa
Editora: Record
Ano: 2007
Número de páginas: 434

Onde Comprar

Amazon || Cultura || Saraiva
A Coruja


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