13 de novembro de 2014

Para ler: The Eyre Affair

The barriers between reality and fiction are softer than we think; a bit like a frozen lake. Hundreds of people can walk across it, but then one evening a thin spot develops and someone falls through; the hole is frozen over by the following morning.
Esse livro foi uma das melhores coisas que caíram na minha mão nesses últimos tempos, uma mais que agradável surpresa. Instigante, divertido e um verdadeiro presente para amantes da literatura de uma maneira geral - considerando o número de referências e trocadilhos que piscam o olho de forma cúmplice para o leitor - The Eyre Affair fez-me lembrar dos melhores momentos de gente como o Douglas Adams e sir Pratchett.

A história segue Thursday Next, uma agente de Forças Especiais que investigam crimes literários – isso em um mundo em que a literatura é um bem mais valorizado que na nossa realidade. Tudo começa com o roubo de um manuscrito de Charles Dickens, avançando em direção a tentativas de assassinato, espionagem corporativa, cientistas loucos criando portais que ligam mundo real ao imaginário, guerra na Criméia, cultos em torno da autoria das peças de Shakespeare, dodos como animais de estimação geneticamente modificados, revisionistas franceses tentando alterar a História, viagens no tempo e, finalmente, o sequestro de uma personagem ficcional das mais amadas, fazendo todo mundo entrar em pânico.

Não é preciso esquentar muito os neurônios para descobrir de que personagem estou falando, não é verdade? Basta olhar o título...

The Eyre Affair é deliciosamente nonsense. Em contraste, a heroína, Thurday, é uma mulher prática, extremamente capaz e independente. É uma contradição em termos, mas a seriedade de Thursday faz muito sentido dentro do universo criado no livro. Seja como for, o fato é que ela entrou para minha lista de ‘personagens que quero ser quando crescer’.

Embora esse seja o primeiro volume de uma série, a história começa e termina aqui, fechando muito bem. Eu certamente irei atrás dos volumes seguintes (na verdade, dois já estão providenciados, falta só o resto), mas para quem está cansado de longas dodecalogias e variantes, The Eyre Affair se sustenta sozinho e vale muito, muito à pena, especialmente para o leitor que consegue pescar todas as referências que Fford joga em seu texto.

Essa é, talvez, a única ressalva que faço ao livro: muitas das piadas vão se perder caso você não tenha conhecimento de causa – se você nunca leu Lewis Carroll, não vai entender os dodos e se não sabe nada de Shakespeare, vai boiar nos cultos batendo à porta para tentar convencê-lo que Shakespeare não escreveu Shakespeare. Mas, enfim, vale à pena conhecer Thursday e seu fantástico universo. Rompa a quarta barreira. Mergulhe na metalinguagem. Você não irá se arrepender.


A Coruja


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