2 de outubro de 2014

Projeto Shakespeare: As Alegres Matronas de Windsor

FALSTAFF: Pois atenção, garotos, que agora vou tomar minhas medidas.

PISTOLA: (Medindo) Barriga, quatro metros. Papada, doze quilos.

FALSTAFF: Chega de gracinhas, Pistola. Na verdade tenho quatro metros de cintura e não me ressinto de falarem da minha cinta ou de meu cinto; mas agora não consinto. Pois sinto que no momento o mais importante é o meu sentimento sintomático: pretendo conquistar as mulher de Ford.
Minha primeira apresentação a essa peça, curiosamente, não foi com o livro mas sim com um filme... e um filme brasileiro. Isso faz um bocado de tempo, mas acho que aconteceu comigo zapeando os canais e de repente parando nele (foi assim também que descobri o filme adorável inspirado em A Moreninha).

Não sei exatamente o que foi que me chamou a atenção no filme, mas sei que eu o assisti até o fim... e depois fui atrás de saber do livro. E devo concordar que, de todas as histórias do bardo, As Alegres Matronas de Windsor é a que melhor se sairia no estilo do cinema nacional – tanto pela história, quanto pelo humor.

Diz-se que essa foi uma peça escrita sob encomenda pela rainha Elizabeth, que queria ver Falstaff – de Henrique IV - apaixonar-se. Não que o velho patife realmente esteja apaixonado pelas duas matronas a quem corteja: seu interesse em Mrs. Pajem e Mrs. Ford é na bolsa dos maridos de ambas, que elas controlam.

O que ele não esperava, consumado velhaco que era, é que suas duas ‘pombinhas’ o pudessem enrolar. E é exatamente isso que elas fazem, sobrando em suas artimanhas até para o marido exageradamente ciumento de uma delas.

Ao mesmo tempo há os tráficos de cartas amorosas por Leva-e-Traz, que faz a ponte entre o jovem e tolo Magrela, o doutor ciumento Caio, o garboso Fenton e a bela Ana Pajem – com conclusões hilariantes para pelo menos duas partes desse quadrado amoroso.

Há algumas (muito) boas tiradas, em especial sobre gêneros, mas nenhuma discussão particularmente mais profunda. As Alegres Matronas de Windsor não é a melhor das comédias de Shakespeare, mas é tremendamente divertida, com personagens caricatos e ridículos, e situações bem inusitadas.


A Coruja


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