21 de outubro de 2014

360º: As Aventuras de Kolory na Grã-Bretanha || Parte II ~ Enfim Escócia

Após visitar o castelo de Alnwick, atravessamos a fronteira e chegamos enfim à Escócia. Seguindo pela estrada com o Mar do Norte à esquerda e uma constante neblina à frente, entramos em Edimburgo pouco depois do almoço. E ei que nossa primeira parada é uma residência real: o Palácio de Holyrood.

Visitando a (outra) Rainha

Esse palácio é a residência oficial da Rainha Elizabeth II quando está em Edimburgo. A essas alturas de setembro, a rainha está em Balmoral, de forma que o palácio é aberto à visitação; mas quando há algum membro da família real presente, fica tudo fechado...

Como Alnwick, é um lugar que mistura as fundações antigas com todas as comodidades modernas. Há brasões com unicórnios – símbolo dos Stuart e que vamos encontrar também no Castelo de Edimburgo -, antigas abadias e outras ruínas, mas, de uma forma geral, essa é uma casa para ser habitada.


Por trás do palácio há um antigo vulcão extinto, o Arthur’s Seat – que é mencionado como um dos possíveis locais em que teria sido a Camelot do rei Artur. O monte tem pouco mais de 250 metros de altura e é um ponto para caminhadas.

Haja fôlego pra não infartar subindo...

A subida é íngreme pra caramba, em alguns pontos quase vertical, e eu estava na metade do caminho quando decidi parar ou acabaria tendo um ataque do coração. Considerando que eu já tinha passado um dia inteiro caminhando, tinha sido surpreendida por uma onda de calor no final da tarde (de forma que não estava adequadamente vestida, mesmo tendo tirado os vários casacos que usava) e estava com uma mochila razoavelmente pesada, não é exatamente uma surpresa que eu estivesse ficando zonza.

Mas mesmo da metade do caminho dá para se ter uma vista esplêndida de Edimburgo...

Mas a vista compensa, não?

De Holyrood mudei para um extremo oposto na escala de visitas temáticas: segui para o Museu Nacional da Escócia, onde meu objetivo era visitar a Dolly, o primeiro animal clonado da história, para tirar uma foto para o Dé, nosso biólogo do zoológico do Coruja.

Kolory e Dolly

O projeto responsável pela Dolly foi de uma equipe ligada à Universidade de Edimburgo – e eu confesso que até começar a pesquisar sobre o que eu veria na cidade, não sabia que ela tinha sido clonada lá.

O museu tem uma coleção enorme de objetos referentes a muitas partes do mundo, incluindo múmias. Mas já vi múmias em tudo quanto museu que fui e achei mais interessante dar uma olhada na exposição que contava a história da própria Escócia.

Como o Museu de Londres, que visitei no ano passado, o Museu Nacional da Escócia é bastante interativo e eu ADORO isso. Havia máquinas para você ouvir baldas folclóricas, pedaços de armadura para você colocar e experimentar a flexibilidade, jogos de computador, simulações...

Eu e a Kolory nos divertimos brincando com a catapulta. SIM, EU DERRUBEI AS PAREDES DO CASTELO!

Dá pra perceber que a Kolory é o projétil?

Mas a minha parte favorita foi a de vestir roupas de época. E sim, eu confesso, tenho fetiche por vestidos de época (mas não pelos espartilhos, isso nunca...).


E já que estamos trajados a rigor, vamos agora para o Castelo de Edimburgo, não?


Vale muito à pena chegar aqui com o ingresso já comprado - o que dá para fazer pelo site que já coloquei ali em cima. O preço é o mesmo e você não entra em fila. Eu cheguei lá bem cedinho e não tive problemas para entrar, mas quando saí perto de meio-dia? A fila estava dando voltas e descendo a ladeira, enorme.

O Castelo de Edimburgo, que domina todo o horizonte da cidade, é uma fortaleza que existe desde o século XII, embora apenas a capela de Santa Margaret sobreviva dessa época – ela é o edifício mais antigo de Edimburgo. Isso porque a fortaleza esteve envolvida em vários conflitos, foi bombardeada, teve partes inteiras destruídas e reformadas, de tal forma que é uma mistura de épocas e estilos.


O Castelo é um dos principais símbolos de Edimburgo e é onde estão guardadas as Jóias da Coroa e a Pedra do Destino, sobre a qual eram coroados os reis escoceses. Também é possível visitar aposentos que pertenceram a Mary Stuart – a rainha que perdeu a cabeça por ordem da prima inglesa Elizabeth – e onde nasceu o futuro rei James I, que unificou a Inglaterra e a Escócia sob uma única coroa após a morte de Elizabeth.

De lá de cima é possível se ter uma vista incrível da cidade. Pena que quando estive no castelo estivesse nublado e chovendo...

Nas muralhas do castelo, com o Mar ao fundo e a cidade aos pés 

Edimburgo é uma cidade incrivelmente literária. Em agosto a cidade é tomada de assalto por um dos principais festivais de literatura do mundo – e ah, como eu queria poder ir a esse festival... futuramente, futuramente...

Mas a coisa vai para além disso. Você sabia que em Edimburgo está o maior monumento do mundo dedicado a um escritor? O Scott Monument homenageia Sir Walter Scott, o pai do romance histórico e o faz entronizando o autor numa das ruas principais da cidade, a Princes Street, cercado por jardins e horizontes tão grandes quanto sua obra.


Também é possível visitar a casa do autor, nas vizinhanças da universidade, em George Square, e da rua é possível enxergar um busto na janela de onde estaria Scott a escrever.



Outro ilustre morador da vizinhança – apenas umas três ou quatro casas de distância – é Sir Arthur Conan Doyle, o autor de Sherlock Holmes.



Falando em Holmes, os fãs do detetive podem se esbaldar na cidade. Afinal, ainda que 221 Baker Street seja o endereço oficial de Holmes, a verdade é que seu nascimento ocorreu em Edimburgo. Para ser mais exata, nesse prédio:


Hoje esse prédio na High School Yards é o Centro para Inovação de Carbono de Edimburgo, mas no passado ele funcionou como parte da escola de medicina da Universidade de Edimburgo... e era aqui que o jovem Conan Doyle tinha aulas de anatomia com o Doutor Joseph Bell – o homem que serviu de inspiração para criar Sherlock Holmes.

Esse prédio também está ligado a Sir Walter, uma vez que antes de ser escola de cirurgiões, ela foi uma escola para garotos e Scott estudou aqui. Dando a volta pelo quarteirão batemos na parte que servia de hospital e aqui Stevenson conheceu o homem que o inspiraria a criar o mais famoso pirata antes do capitão Jack Sparrow: Long John Silver, de A Ilha do Tesouro.


E já que estamos em Robert Louis Stevenson, na Lawnmarke é possível encontrar o Deacon's House Cafe, o restaurante da criatura cuja história inspirou-o a escrever O Médico e o Monstro:


Entre a escola de cirurgiões – onde estudou Doyle - e a faculdade de direito – onde estudou Stevenson – há hoje um simpático restaurante, The Hispaniola. Mas à época deles estudantes, ali funcionava um pub, o Rutherford's Bar, e se diz que ambos frequentaram o lugar (mas não chegaram a se conhecer à época).


E só mais um pouco à frente está o Spoons Café Bistro. O Spoons é esse café que fica num primeiro andar em Nicolson Street:


E o que há de importante nesse lugar? Simples:


Embora o Elephant House seja mais conhecido como o lugar em que Rowling começou a escrever Harry Potter (e de fato ela escreveu lá), foi no Spoons que o bruxinho e todo o universo em torno dele de fato principiou a tomar forma – até porque esse café pertenceu ao seu cunhado e não à toa ela podia chegar lá, sentar, pedir um único café e passar o dia todo escrevendo.

O Elephant House (pelo qual passei de ônibus, um tanto rápido demais para tirar foto e acabei não voltando...) é mais conhecido porque fica numa região mais turística e movimentada. O Spoons está num lugar mais escondido, mas, em compensação, há um mundo de referências em torno dele que você pode inferir que inspiraram a Rowling: uma rua à frente do café há uma placa marcando o local em que morreu o poeta William McGonagal, mais um pouco adiante você atravessa um túnel chamado Potterow Port e por aí vai...

Para quem quer ter uma idéia das ruas vitorianas pelas quais Sherlock Holmes passava ao lado do bom doutor Watson; ou conhecer o lugar onde o detetive nasceu graças à inspiração causada por um professor; para quem gosta de seguir fantasmas e monstros e acompanhar a geografia do Dr. Jekyll e seu Mr. Hyde; para quem ama romances históricos grandiosos ou gostaria de experimentar a magia das ruas de pedra de Hogsmead – Edimburgo é uma cidade capaz de atender a todos esses anseios.

Amantes de história e de literatura encontrarão algo com que se encantar a cada passo. Mas mesmo sem esse particular interesse meu, posso dizer que Edimburgo é uma cidade linda, cheia de ângulos a serem descobertos e pelos quais se apaixonar.


Eu certamente gosto da idéia de voltar lá...

Algumas informações importantes para terminar nosso tour por Edimburgo. Eu fiquei num hotel bem distante do centro e tive que pegar ônibus para chegar lá. Mas é fácil se localizar e usar o transporte público - fora que o passe livre diário aqui é metade do preço de Londres. E ainda tem wi-fi grátis (sim, funcionou).

Uma vez tendo chegado ao centro, você consegue chegar em praticamente todos os pontos importantes para se ver a pé. A despeito de ser a capital, Edimburgo não é nem de longe a maior cidade da Escócia (é menor que Recife) - inclusive pelo detalhe de que a cidade é quase vertical (tem mais escadas que ladeiras, mas as subidas são bem graduais, você quase não percebe).

Parte do meu tour literário, fiz sozinha, porque tinha mais ou menos uma idéia de onde ficavam as coisas e elas estavam no centro turístico. Mas eu recomendo MUITO fazer um walking tour com um guia que realmente conhece a cidade. Eu peguei um que saía do Museu do Escritor (que é bem pequeno, mas muito interessante), durou quase duas horas, mas valeu à pena porque eu nunca acharia alguns dos lugares para os quais o guia nos levou.

Fora que o guia vai nos levando e contando anedotas sobre os autores de que estamos conversando - e você tem oportunidade de conhecer outras pessoas que se interessam pelo tema e têm também suas próprias histórias a partilhar.

Aliás, há tour a pé pela cidade com todo tipo de tema. Se você gosta de fantasmas e histórias assustadoras, pode pegar um perto da Catedral de St. Giles para visitar os túneis subterrâneos que cortam toda a Edimburgo (com guias vestidos a caráter, levando foices e variantes). Se gosta de história, de literatura, de crimes sangrentos, de whisky, de Harry Potter e assim por diante - você certamente acabará encontrando um passeio destes para fazer.

Eu queria fazer todos, mas cadê tempo? Eu tive uma tarde chegando com a excursão e um dia livre, mas passaria pelo menos uma semana subindo e descendo por Edimburgo...


A Coruja


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4 comentários:

  1. AI que invejinha! mas imagino sua animação, Lu! Deve ter sido realmente muito bom conhecer tantos lugares cheios de referência e história, principalmente de autores que você gosta!

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    1. Pois é, fiquei apaixonada. Quero voltar!

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  2. Adorei essa parte, acho que você sabe o por quê.

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    1. Claro que sei. Obviamente lembrei de ti quando estava lá ;)

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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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