4 de setembro de 2014

Desafio Corujesco: Memórias da Segunda Guerra Mundial

Neste momento de crise, espero que me seja perdoado não falar hoje mais extensamente à Câmara. Confio em que os meus amigos, colegas e antigos colegas que são afetados pela reconstrução política se mostrem indulgentes para com a falta de cerimonial com que foi necessário atuar. Direi à Câmara o mesmo, que disse aos que entraram para este Governo: Só tenho para oferecer sangue, sofrimento, lágrimas e suor. Temos perante nós uma dura provação. Temos perante nós muitos e longos meses de luta e sofrimento.

Perguntam-me qual é a nossa política? Dir-lhes-ei; fazer a guerra no mar, na terra e no ar, com todo o nosso poder e com todas as forças que Deus possa dar-nos; fazer guerra a uma monstruosa tirania, que não tem precedente no sombrio e lamentável catálogo dos crimes humanos. -; essa a nossa política.

Perguntam-me qual é o nosso objetivo? Posso responder com uma só palavra: Vitória – vitória a todo o custo, vitória a despeito de todo o terror, vitória por mais longo e difícil que possa ser o caminho que a ela nos conduz; porque sem a vitória não sobreviveremos.

Compreendam bem: não sobreviverá o Império Britânico, não sobreviverá tudo o que o Império Britânico representa, não sobreviverá esse impulso que através dos tempos tem conduzido o homem para mais altos destinos.

Mas assumo a minha tarefa com entusiasmo e fé. Tenho a certeza de que a nossa causa não pode perecer entre os homens. Neste momento, sinto-me com direito a reclamar o auxílio de todos, e digo
Unamos as nossas forças e caminhemos juntos.
Há tempos que eu estava atrás de ler as memórias de Churchill – sempre me interessei pela história da Segunda Guerra e admirava a forma como o ‘buldogue britânico’ tinha se portado ao longo do período. Também me interessava a idéia de um estadista, um Primeiro-Ministro de uma das maiores nações européias tendo tempo para escrever livros que mereceriam prêmios Nobel.

Quando saíram os dois volumes que faziam referência especificamente à época que me interessava (porque as memórias completas começam de antes da Primeira Guerra) numa edição de bolso e com uma tradução respeitosa, eu imediatamente cresci o olho. Melhor ainda que isso ocorreu à época do meu aniversário, de forma que não tive vergonha de pedir ambos de presente.

Li a primeira parte ainda no ano passado; quando terminei, queria começar a reler com lápis e caderno à mão para ir anotando passagens e citações inteiras. Em vez de fazê-lo, ou mesmo de iniciar logo o segundo volume, fui sugada para as obrigações de final de ano: confraternizações, presentes, amigos secretos, cartões, correios, surtos paranóicos e/ou ligeiramente sociopatas quando olhava para a lista de coisas que ainda tinha por fazer.

Mas, enfim... depois de muito enrolar, voltamos à programação normal e pude retornar às minhas leituras.

A primeira coisa que você precisa saber sobre Winston Churchill é que ele tinha um domínio da linguagem invejável. Os discursos dele eram incendiários, de uma força impressionante; seus escritos são muito claros, sem firulas desnecessárias, ao mesmo tempo em que demonstram uma cultura clássica imensa. Para completar, ele sabe usar com perfeição humor e ironia.

A prosa dele é muito tranqüila de ler. De uma forma geral, a não ser quando ele está fazendo listas de estatísticas, ela te prende – especialmente quando você considera que está sendo levado às confidências de alguém que estava no meio do furacão nos anos de 39-45; mais que isso, alguém que percebeu e denunciou incansavelmente muito antes de todos os outros o que Hitler pretendia.

O que não significa que não haja momentos em que eu tenha tido vontade de fazer uma careta diante do proselitismo político e ideológico da criatura. Entendo que Churchill quisesse enaltecer a cada virar de página o povo britânico, mas é um tanto exagerado dizer que Hitler perderia a guerra simplesmente pelo fato de que os nobres e persistentes súditos de Sua Majestade estavam contra ele. Também não era necessário a todo instante identificar o comunismo como a fonte de todo o mal do mundo.

Feitas essas considerações, preciso, eu mesma fazer uma confissão: ao longo de toda a leitura tive de lutar contra a compulsão de pegar um mapa do mundo, esparramá-lo no chão e colocar um monte de soldadinhos, barquinhos, submarinos e aviões representando as principais batalhas descritas por Churchill nos dois volumes.

Se eu jogasse War, provavelmente teria começado uma partida inspirada naquelas estratégias...

De resto... Para os que gostam de história, para os que se deliciam com um bom discurso, com uma prosa elegante, para aqueles que querem entender o maior dos conflitos do século XX, Memórias da Segunda Guerra Mundial não é simplesmente uma boa pedida, mas leitura obrigatória.


A Coruja


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