30 de agosto de 2014

A Vertigem das Listas: Oito Obras de Arte Favoritas


Dani: Olá leitores queridos do Coruja!!! Estamos aqui para mais um Vertigem das Listas!!! (E assim eu estou soando como político pedindo voto... ^^) Anyway... como em geral os temas aqui sempre pendem para literatura, decidi por escolher um que vai mais para a minha área dessa vez. Então que o tema desse mês é: Oito Obras Favoritas!

Dé: Para a surpresa de... absolutamente ninguém. XD

Dani: E quando digo obras, sim, me reviro a obras artísticas. Porque sempre quis saber a opinião de meus caros aqui nesse assunto. Vale qualquer época, qualquer artista. Vale o clássico e o atual. O conhecido e o desconhecido. E quando falo obras, lembremos que não existem apenas quadros e esculturas, há Intervenções, LandArt (Dé: ?), BodyArt (Dé:!), Assemblage, Performances, Vídeo, Fotografia, LedArt (Dé: ?? Dani: Depois passo uma lista explicando todas...), Graffiti, Ilustração, Design, Street Art, Colagem, etc, etc... A lista é infinita. Só não vale mesmo literatura, cinema, quadrinhos e moda. Que apesar de também serem arte, nós já discutimos aqui praticamente diariamente.

Enfim, apesar de parecer um tema fácil para mim, esse Vertigem foi na verdade sem sombra de dúvidas o mais difícil que eu já fiz (e eu mesma escolhi ... - -“). Mesmo soando um tanto dramático, foi como escolher um filho favorito. Em uma gama gigantesca de criações e artistas maravilhosos, que são igualmente incríveis e importantes para o desenvolvimento da arte, pra mim foi quase impossível escolher um ou outro que fossem preferidos. A tal ponto que quase cheguei a apanhar da nossa Rainha, de tanto que atrasei esse Vertigem... ^^”

Lulu: Hilariantemente, devo dizer que considerei este um excelente tema e que não tive nenhuma dificuldade em descobrir quais seriam as duas obras que eu indicaria para a lista! Obrigada, Dani, por fazer a vida da sua mãe um pouco mais fácil!

Só por isso perdôo você quase ter me infartado com a proximidade do fim do prazo (prazos, prazos, prazos… me sinto às vezes o Coelho Branco arrancando os cabelos pensando nos prazos…)

Dé: Mentira. Já tinha até mandado afiar a lâmina da guilhotina.

Ísis: Lu, se algum dia fizermos o tema da Alice, você será a Rainha e o coelho... Tava todo mundo do Zoológico tenso com a ameaça de espetáculos sombrios no ar... Exceto talvez o Bode, já que ele gosta dessas coisas...

E foi uma interessante mudança, realmente, quanto ao tema da lista. Acho justo pra Dani.


Dani: Valeu Ísis!! Joínha pra tu! Mas enfim, depois de cuidadosa avaliação, como primeira escolha, acabei não conseguindo fugir de meu incondicional preferido Van Gogh, Campo de Trigo com Corvos:


Lulu: Eu tinha absoluta certeza que Vincent (olha a intimidade!) mais cedo ou mais tarde apareceria por aqui…

Ísis: Não tinha como não aparecer... ^^’’

Dé: De fato, eu tinha certeza que ele estaria nas escolhas de alguém...

Dani: Convenhamos, o cara é FODA. Ponto.

Concluída em 1890, enquanto estava mais uma vez internado, muitos acreditam que essa foi sua última obra, realizada apenas semanas antes de se suicidar. E sem dúvida a mais intensa de todas.

O que sempre me atraiu nela, assim como em todas as obras de Van Gogh, é sua honestidade. O descontrole, o desespero, a raiva, a desilusão, quase como um pesadelo. Ele não esconde sua visão do mundo, de como está sua vida. Mas não o faz de forma intencional, essa é a parte mais incrível. A sensação se passa de forma inconsciente através das pinceladas violentas, das cores intensas, das formas disformes. E ainda assim, de destoa do tema e agarra nossa atenção antes de tudo. Essa sensação é mais gritante principalmente quando comparamos essa obra com outras anteriores, como Noite Estrelada ou Comedores de Batata; quando podemos ver o contraste de seus sentimentos transmitidos através das obras antes de adoecer gravemente.

Pra mim, Van Gogh é e sempre será o maior entre os artistas. Ele não tinha a melhor das técnicas, não era famoso, não era nem mesmo são. Mas era honesto e sincero em todas as suas obras, mesmo sem perceber, e deu sua vida pela arte.

No fim ele morreu desconhecido, louco e sem nada. E hoje é um gênio.

Como irônica é a vida.

Lulu: Acontece… é triste, mas na maioria das vezes, esse tipo de gênio só é reconhecido quando já é tarde demais…

Dé: Não foi o primeiro e, infelizmente, provavelmente não será o último...

Lulu: Como disse antes, não tive grandes dificuldades em encontrar minhas indicações para o tema desse mês, porque elas estavam na ponta da língua. Ou melhor dizendo - eu me restringi um pouco para escolher só pinturas e aí elas estavam na ponta da língua. Se eu tivesse aberto mais meu leque de possibilidades, eu teria ficado meio maluca tentando encontrar dentre as gravuras de Arthur Rackham apenas duas favoritas (eu gosto muito, MUITO, do estilo do Rackham).

Dani: E teria compreendido o meu desespero.

Ísis: Por que vocês só gostam de coisas sombrias? >.<

Lulu: Mas, enfim, quando a Dani deu o tema eu pensei só em pinturas e em se falando de pinturas eu já tinha a minha resposta pronta - e tenho motivos para minhas escolhas que vão para além do fato de que elas me são esteticamente prazerosas.

A primeira é o quadro de Monet em que aparece a ponte japonesa sobre o lago das ninféias, Le bassin aux nymphéas, harmonie verte, de 1899.


Dani: *..*

Lulu: Eu vi esse quadro nas duas vezes em que estive no Musée d’Orsay, em Paris (Dani: Eu te odeio). Ele já me era caro mesmo antes mesmo antes de vê-lo pessoalmente, mas o motivo pelo qual ele é um absoluto favorito é que eu estive no lugar em que ele foi pintado e conhecê-lo, após estar nos jardins de Monet, foi uma emoção muito forte.( Dani: Te odeio muito Lulu: Precisamos fazer alguma coisa com todo esse seu ódio, Dani...)

Não vou negar que fiquei com os olhos cheios d’água. Aliás, não, não foi só olhos cheio d’água - eu chorei mesmo, tanto quando vi os painéis no Orangerie, quanto nas variações dessa imagem, no D’Orsay. Para sempre vou associar esse quadro não apenas a própria beleza dele em si (e o estilo de Monet me é muito agradável de forma geral), mas também com as lembranças da visita que fiz aos jardins.

Ísis: Acho linda a arte de Monet e esse quadro é um dos que mais gosto dele. Tem aquele lindo das mocinhas brincando nos jardins também...

Não fui nos jardins e isso é algo que definitivamente preciso corrigir na minha próxima visita à França...


Dani: Monet foi o cara. Imagina o quanto ele teve de aguentar dos críticos até finalmente poder esfregar na cara deles “Há! Num falei! Num falei que eu tava certo! Seus bando de babuínos balbuciantes que não sabem nem desenhar um homem palito!”

Dé: Eu tive que pensar um pouco nas minhas escolhas. Não por não conhecer muitas obras (coisa que acho ser verdade... preciso andar mais em museus), mas por não conseguir decidir em apenas duas.

Até aí, tudo bem. Acho que todos tiveram o mesmo problema.

Dani: Há! Num falei! Num Falei!

Dé: O problema é ter, entre as que eu conheço, alguma que me marcou de maneira memorável, para incluí-la aqui. Até eu parar de pensar em pinturas, claro. Assim que o fiz a primeira obra veio como que por mágica: Quatro Estações, de Vivaldi.


Tive contato com a obra muito cedo, logo na primeira série, uma vez que meu colégio usava o início de Primavera para sinalizar os intervalos e final da aula. De lá pra cá, conheci um pouco melhor a obra completa (e as outras estações!) e ela despertou um pouco do meu apreço por música clássica.

Sim, eu gosto de música clássica, acredite se quiser/puder.

Dani: Oh man... Adoro essa obra... Especialmente Outono e Inverno. (Toquei Primavera até dizer chega nas minhas épocas de violino e peguei raiva. Mas admito que é linda)

Ísis: Música clássica é linda, ponto. ^^’’

Bem, para minha primeira indicação, aponto a pintura do teto da Capela Sistina, no Vaticano. Foi encomendada pelo Papa da época (Júlio II, se não me falha a Wikipédia) a Michelangelo, um dos mais famosos e consolidados artistas da época (e um velho rabugento, de acordo com o guia que me levou lá na 2ª visita).


Aquele tipo de pintura (fresco), aparentemente, não pode ser consertada (pelo menos não na época dele), o que significa que Michelangelo pintou aquele ENORME teto com muito cuidado para que não errar. E não se enganem, essa obra não é famosa porque é grande ou porque é simplesmente bonita. Ela é majestosa, e é realmente impressionante. Fotos não lhe fazem jus, é preciso ver para entender o efeito que ela tem. Na sala onde fica, existem APENAS bancos nas laterais para se apreciar o conjunto das artes ali localizadas.


Dani: Ah, esses gênios da humanidade...

Lulu: A minha segunda obra é The Fighting Temeraire, um quadro de 1838 do inglês J. M. W. Turner. Esse também é um quadro que tive oportunidade de ver pessoalmente, na National Gallery em Londres (na verdade, eu bati o museu inteiro só na expectativa de vê-lo).


Gosto das cores desse quadro, da melancolia que ele passa, que ele representa. O navio Temeraire teve um papel importante na batalha de Trafalgar e na vitória de Nelson e seu declínio marca também o declínio da própria marinha britânica.

Historicamente, ele é muito interessante – e todo mundo sabe o quanto eu gosto de história e especificamente desse período das guerras napoleônicas. Mas também tenho mais dois motivos bem nerds para gostar dele: um é que o navio Temeraire deu nome ao dragão Temeraire da série de fantasia de Naomi Novik pela qual sou apaixonada (Dé: \o/). Dois é que no filme Skyfall, o novo Q se apresenta ao agente James Bond na frente desse quadro. E eu adoro a rabugice e a inteligência cortante do novo Q (não perguntem).

Ísis: Você só gosta de personagens brigões! Que coisa incrível! >.>

Dani: Eu simplesmente adoro os pintores românticos... Muitas pessoas não conseguem entender como pode ser complexo fazer uma paisagem passar um sentimento. Em imagem com figuras humanas, há as situações, expressões, tudo auxilia facilmente, agora numa paisagem você basicamente só pode trabalhar com as cores e no máximo com o movimento. E fazer com que isso te leve às lágrimas é pra mim um trabalho de mestre. Turner fazia isso muito bem. Assim como Delacroix.

Escolha perfeita, Lu!!

Dé: Minha segunda indicação também não é uma pintura, mas uma obra arquitetônica.

O Portão de Brandemburgo é um dos cartões postais de Berlim, e fica em localização privilegiada, próximo à outros cartões postais, como o Tiergarten, o Parlamento Alemão (Reichstag), e serve de entrada para a Unter den Linden, uma avenida que inclui entre outras coisas diversas embaixadas, a Museuminseln (conjunto de 5 museus, um ao lado do outro), a catedral de Berlim, e também a renomada Universidade de Humboldt.


Quando estive em Berlim (Dani: Já disse que te odeio também, né Dé? Pois é...), eu gostava muito de andar (literalmente, andar) pela cidade quando estava sem muita coisa para fazer. Curiosamente, em 6 entre 10 vezes eu acabava indo parar lá. Apenas descrevendo, não tem como dizer tudo que senti quando vi o Portão de Brandemburgo.

Ísis: Te entendo demais. Curiosamente, senti o mesmo com a Torre Eiffel, embora só a considerasse um bocado de ferro junto... >.> (mas cá entre nós, NADA ganha do Coliseu de Roma... aquilo, sim, é uma linda obra arquitetônica!)

Minha segunda indicação, para não fugir do costume, vem de mangakas. No caso, refiro-me não aos mangás em si, mas às ilustrações coloridas dos mesmos (exemplo: capas dos mangás). Normalmente, a primeira opção do gênero que me vem à são as meninas do CLAMP (
Dani: AAAAAMO!!!! *__*), das quais já muito falamos por aqui. Boa parte de seus mangás foram publicados em português, e, ao buscar “clamp illustrations” no Google, é possível ver as inúmeras ilustrações coloridas dessas moças.

Entretanto, para não bater sempre na mesma tecla, resolvi apresentar outra artista. Eu já mencionei esse anime (e as novels) em algum outro Vertigem: Saiunkoku Monogatari. A trama é de Yukino Sai (e é uma história muito boa, ambientada num equivalente à China antiga), mas o mangá e as ilustrações das novels são de Kairi Yura, que e a artista que quero indicar. Particularmente, os tons pastéis e o drapejamento das roupas chinesas dela são o que me chamam a atenção. Isso, e a capacidade dela de desenhar os personagens tanto simples (a protagonista não é tida como uma mulher belíssima; é uma garota de feições simples), quanto os bonitos.


Dani: Estava esperando ver ilustras por aqui!!! Valeu Ísis!! Tem pouca gente que considera ilustra obra de arte mesmo. Esse acho, é um dos grandes problemas da arte como conceito. Sempre que se fala nisso, logo tende-se a ir direto para os clássicos, deixando outras artes mais contemporâneas e controversas a serem renegadas.

E falando nisso é exatamente do tipo de arte mais controverso que acabei por tirar minha segunda escolha de obra preferida, da polêmica artista Marina Abramovic, A Artista Está Presente.


Ok, infelizmente, para explicar porque gosto dessa obra, terei de explicar um pouco sobre essa artista. Para quem não conhece, Marina Abramovic é uma consagrada artista nascida na Sérvia e a grande pioneira da performance nos anos 70. Existe ainda hoje um (triste) preconceito e uma falta de entendimento do que exatamente é essa arte, e SE de fato pode ser considerado arte. Eu mesma demorei muito para entender, mas admito que depois que o fiz, acabei completamente apaixonada.

A arte performática tem de diferente basicamente se usar o corpo como instrumento para arte. Como a dança, por exemplo. Ou o teatro. Já no caso da performance, existe a intenção de se explorar os limites do corpo, suas possibilidades internas e externas. Como fazer isso varia de artista para artista. Marina se focava principalmente na exploração entre o artista e o público, as possibilidades da mente e a resistência física. Muito de seus trabalhos mais famosos se baseavam principalmente nisso, na resistência, na troca entre indivíduos e na harmonia interna.


A Artista Está Presente na verdade é um documentário produzido pela HBO que registra uma grande retrospectiva das melhores obras de Marina no museu do MoMA, realizado no ano de 2010. Incluindo entre estas uma nova performance em que a artista fez durante 3 meses interagindo com o público, em ela apenas senta em uma cadeira e olha para a pessoa. Apenas isso. Parece bobo. Mas imagine por um minuto, você se sentar em frente a alguém que está disposto a não fazer nada a não te olhar? Que se dispõe completamente a te ver e te “sentir presente” pelo tempo em que você estiver ali? Não é a toa que muitos que sentaram lá chegaram a chorar.

Ela revolucionou o modo de se fazer arte, de se sentir a arte, Marina abriu portas para possibilidades que sequer imaginaríamos antes. Teatro, cinema, dança, televisão, cultura pop; não da para dizer o quando foi influenciado pela arte da performance e a maioria das pessoas nem faz ideia. Ou pior, sequer acha que isso é arte.

Eu escolheria toda a obra de Marina como minha favorita, como não posso, escolho esse documentário, que foi uma grande homenagem feita a uma artista fantástica, que todos deveriam conhecer.

E se por acaso alguém ficou interessado, podem baixar o documentário completo aqui

Ísis: Deixa ver se entendi, ela ficava lá sentada, olhando pra você? oO
Ehr... acho que vou ver esse documentário, porque não estou entendendo isso...

Em nota parcial, ainda bem que não me toquei que números de dança podiam ser indicados. Senão ficava louca (porque entra aí dança, patinação de gelo etc)...


Oito Obras de Arte Favoritas

1. Campo de Trigo com Corvos, Vincent Van Gogh
2. O Lago das Ninféias - Harmonia Verde, Claude Monet
3. Quatro Estações, Vivaldi
4. Capela Sistina, Michelangelo
5. A Última Viagem do Temeraire, William Turner
6. Portão de Brandemburgo, Carl Gotthard Langhans
7. Saiunkoku Monogatari, Yukino Sai
8. A Artista Está Presente, Marina Abramovic


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