26 de agosto de 2014

180º - Lojas de Conveniência


Olá! Bem vindos a mais uma edição (curta) (e atrasada) do 180º. Em primeiro lugar, peço desculpas pela falta desavisada do 180º em junho. Não tive condições de escrevê-lo, nem adiantado, nem na época que deveria ir a ar. Esse mês, para não repetir a situação e arriscar a morte da coluna, contentemo-nos com uma edição curta.

E, por isso, resolvi falar das lojas de conveniência.

Não sei se é diferente em cidades como São Paulo, por exemplo, mas, pelo menos da última vez que fui, não tinha isso lá. Então, estou tomando como base que não existe no Brasil... e, dos lugares a que fui, acho que só vi parecido na capital da Tailândia, Bangkok.

Enfim, sabem aquelas lojinhas que existem em alguns postos de gasolina? As que vendem coisas como sorvete, bebidas, biscoitos, band-aid, sabonetes, papel higiênico etc? Agora, imagine aquilo em praticamente toda esquina, algumas vendendo também verduras, frutas e outros perecíveis?

Bem vindo ao Japão. E eu não estou brincando quando digo que, pelo menos nas maiores cidades (como Tokyo, Nagoya, Kyoto, Osaka, Kumamoto etc) existe uma em quase toda esquina. Depende da área, claro, mas, em algumas, é realmente uma (ou até mais) por quarteirão.

Além dos que já mencionei acima, elas normalmente têm também alguns “salgadinhos”, tipo os dogue americanos, nuggets, nikuman (Imagine mais ou menos um pão-bola recheado de carne moída), rolinhos primavera etc. Elas são bastante práticas, no sentido de que não é preciso ir até uma loja ou supermercado para coisas mais emergenciais (a exemplo de esparadrapo).

A coisa mais próxima que temos aqui seriam as farmácias, principalmente as 24hs. Entretanto, elas não vendem comida que não seja de validade longa (chocolates, barra de cereal, batata frita etc), e acho que nem todas vendem sorvete e/ou bebidas. As lojas de conveniência não vendem remédios, mas praticamente qualquer emergência mais típica pode rapidamente ser resolvida lá. O mais importante delas, contudo, é o fato de estarem sempre abertas, o que inclui às 3 da manhã, por exemplo.

Quanto aos preços, admitidamente costumam ter os produtos custando mais caros que comprar num supermercado, mas ocasionalmente você tem uma bem interessante: a loja de conveniência a 100ienes. Ou seja, você gasta apenas uns 2,30 reais pra comprar praticamente qualquer coisa que precisa (desde ovos, até, ocasionalmente, linhas de costurar).

E aqui chegamos ao ponto principal: a palavra-chefe do dia, que é “conveniência”, coisa essa típica da cultura japonesa. Se eu fosse resumir o Japão em poucas palavras, usaria “conveniência” e “(não)incomodar ”. Principalmente, contudo, e já mencionei isso na edição sobre calendários, a palavra-chave no Japão é “coletividade”.

Sabemos que no Brasil (e no Ocidente, em geral), preza-se muito pela individualidade, e muitos alegam que deveríamos frisar mais o coletivo, a sociedade. No Japão, pelo menos para os estrangeiros, temos o universo contrário: dá-se muita importância ao coletivo, e pouca à individualidade. Tanto que muitas das regras de comportamento são baseadas na premissa de que não se deve incomodar o próximo:

• Não faça muito barulho (os jovens e os bêbados às vezes relevam essa).
• Não chegue muito perto (quando percebi que abraços não são bem vindos, quase tive um troço!).
• Não fale ao telefone no metrô ou em ônibus (essa eu entendo, porque muita gente fala gritando).
• Não fure a fila (ÀS VEZES é renegada pro metrô, mas em geral, é obedecida, o que é lindo).
• Faça fila. (LOL)
• Não jogue lixo por aí (volta e meia tem no chão, mas não é tão comum – exceto quando é toco de cigarro).
• Não tire mais que uns 03-07 dias de férias (pelo que me foi dito por uma senpai, embora tenham legalmente direito a 20 dias de férias, para não atrapalhar a vida de outros companheiros, normalmente se tirar uma semana de férias, já tirou muito. Não é algo bem visto...)
• Limpe a sujeira de seu cachorro no meio da rua
• E por aí afora...

Parece uma maravilha, mas muito disso e você acaba se sentindo muito pressionado. É engraçado, de certa forma. Mas é assim que eles são (devem) ser criados, então talvez para os japoneses em si, não seja tão opressivo.

Em resumo, coletividade impera na Terral do Sol Nascente, mas, incrivelmente, esse também não é um modelo que seja 100%.

O jeito é continuarmos buscando.


A Elefanta


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