22 de julho de 2014

Para ler: O Segredo de Chimneys

Ora, os vagabundos e os aristocratas pouco se incomodam, fazem a primeira coisa que lhes passa pela cabeça e não se importam com o que os outros possam pensar... Sempre encontrei o mesmo nas classes mais altas: destemor, autenticidade, e alguma vezes extrema tolice.
Esse foi pra mim um dos romances policiais (ou intriga política, se for ser mais exata) mais divertidos da Agatha Christie. E quando digo divertido, não é apenas no sentido de ter um bom mistério para se tentar desvendar, mas no acúmulo de situações algo absurdas, nos personagens carismáticos, nos diálogos afiados... Um divertido que provoca riso – algo que nem sempre se correlaciona com histórias de suspense.

Tudo começa quando Anthony Cade é incumbido de transportar do Egito para Londres um manuscrito com as memórias de um famoso aristocrata de um pequeno país das Bálcãs. Problema é que essas memórias podem comprometer o sucesso do retorno da monarquia pós-revolução à Herzolováquia – o que, por sua vez, afetaria uma série de interesses de pessoas poderosas em meio mundo (tem petróleo no meio... tinha que ter...).

Assim é que Cade acaba se envolvendo numa trama de chantagem, assassinatos, identidades secretas e investigações internacionais envolvendo príncipes sem trono, ladrões mundialmente conhecidos, organizações revolucionárias desastradas, pares do reino e a bela e intoxicante Mrs. Virginia Revel.

Vou ser sincera: os crimes, em si, não me interessaram tanto. Não há nada terrivelmente original ou diferente nos motivos e na forma com que os criminosos agem – pelo contrário, para acreditar em todas as intrigas que ocorrem, você precisa de uma dose razoável de suspensão de descrença. O que realmente prende a atenção em O Segredo de Chimneys são as milhares de pistas falsas e viradas de enredo que chegam a te deixar tonto, os personagens e o humor que permeia as relações entre eles.

O marquês de Caterham me fazia sorrir toda vez que entrava em cena; Lomax com seu apego ao segredo e as maneiras fazia-me revirar os olhos bem humorada; Virginia e Bundle são mulheres independentes, decididas e agradáveis de acompanhar e o superintendente Battle é misterioso e aparentemente onipresente.

Mas é Cade que rouba a cena, que faz com que nos apaixonemos pelo livro. Divertido, charmoso, cavalheiresco, o homem certo na hora certa: ele rouba a cena do começo ao fim.

Vai para a lista de favoritos!


A Coruja


____________________________________

 

2 comentários:

  1. Que legal! Esse é um dos meus livros favoritos dela também, que bom encontrar alguém que também gosta. (a maioria jamais ouviu falar)
    Anthony Cade é um dos meus flertes literários favoritos :)
    Parabéns pelo blog!
    beijos,

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O Cade é realmente muito bom! Aliás, esse livro entrou na minha lista de leituras por indicação sua ^^

      Excluir

Sobre

Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

Cadastre seu email e receba as atualizações do blog

facebook

Arquivo do blog