3 de julho de 2014

Para ler: The First Dragon

A única grande vantagem de estar completamente cercado é que isso lhe dá a oportunidade de atacar o inimigo em qualquer direção que você escolha.
Há tempos que estava na expectativa para ler este último volume da série das Crônicas da Imaginarium Geographica. Quem acompanha o blog sabe de como, a cada novo livro eu ia me apaixonando mais e mais pelos conceitos e pela forma como Owen construiu todo o seu mundo. E agora, finalmente chegamos ao grande final, tentando descobrir como amarrar todas as pontas soltas que foram sendo deixadas ao longo da saga – os pequenos e grandes mistérios, o futuro de tantos personagens fantásticos.

Quando terminei de ler esse livro, minha vontade era retornar ao começo e ler a série inteira um seguido do outro. Eu amei, amei o final da saga, com todos os pequenos detalhes que fazem referência a acontecimentos passados, na forma como Owen conseguiu magnificamente costurar todas as suas referências – mitológicas, literárias, históricas – e resolver os paradoxos temporais resultantes de tantas idas e vindas no tempo.

O mundo da série Crônicas da Imaginarium Geographica é uma colcha de retalhos com algumas das obras mais criativas e importantes da literatura ocidental, mas esse empréstimo não tira em nada a originalidade da história. Não apenas a narrativa é muito bem amarrada, como os personagens são cativantes, dos vilões aos heróis – sem insultar a inteligência do leitor, sem maniqueísmos óbvios, com escolhas que têm consequências para todos os envolvidos.

Isso é algo importante, especialmente nesse último volume, quando nos deparamos com tantas situações em que em prol de um bem maior, é preciso sujar as mãos; em que se compreende que para existir criação é preciso existir também destruição – em que vamos do momento em que se passou a existir significado até o potencial do fim.

É uma despedida, mas é também um novo começo. Com The First Dragon fechamos um ciclo – começamos com o Rei do Inverno, lá no primeiro volume, e agora estamos no Reino do Verão. Algumas coisas foram perdidas para sempre, outras tantas retornaram, e novos guardiões surgiram.

Mais que isso, ao final dessa jornada, somos lembrados de que o Arquipélago dos Sonhos está aberto a todos nós. E que basta um pequeno passo para que possamos partir em nossas próprias aventuras.


A Coruja


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