10 de junho de 2014

Para ler: O Vendedor de Armas

Morte e desastre estão sobre nossos ombros a cada segundo de nossas vidas, tentando no acertar. A maior parte do tempo ele erram. Muitos quilômetros sem uma colisão central. Muitos vírus passam por nosso corpo sem nos atacar. Muitos pianos caem um minuto depois de você ter passado. Ou um mês depois, não faz diferença.

Então, a menos que a gente se ajoelhe e agradeça a cada vez que um desastre não nos acerta, também não faz sentido reclamar quando ele acerta. Nós ou qualquer outra pessoa. Porque não estamos comparando ele com nada.

E, de qualquer forma, estamos todos mortos, ou nem nascemos, e toda a vida é na verdade um sonho.
Passei três anos com esse livro me olhando da estante, e não faço a menor ideia de porque demorei tanto para tirá-lo da prateleira. Nenhuma mesmo.

Mas, finalmente, tentando desocupar da minha lista os livros que estavam lá há mais tempo, peguei, enfim, O Vendedor de Armas, lembrando-me do comentário da Raven, que tinha adorado o bendito.

Demorei um pouco para chegar ao final do livro – primeiro porque eu o comecei antes de uma viagem, e acabei interrompendo o pobre no meio; segundo porque calhei de começá-lo numa época em que estava um tanto de ressaca literária. A despeito dos maus auspícios, uma vez que tenha engrenado, a narrativa de Laurie me prendeu completamente.

O Vendedor de Armas acompanha as aventuras (e principalmente desventuras) de Thomas Lang, ex-soldado que se mete numa enrascada digna das mais convolutas teorias da conspiração. A ação é constante, frenética, de te deixar de olhos arregalados e respiração rápida – você quase não tem tempo de pensar no que acabou de acontecer antes que alguma nova bomba (metafórica e literalmente falando) exploda ao fundo, sendo mantido num constante estado de ponta dos pés pronto para correr ou lutar de acordo com a necessidade.

Li mais de um comentário comparando Lang a James Bond e concordo em parte: O Vendedor de Armas certamente está dentro do estilo espionagem, embora seu tema seja mais do tipo ‘tudo o que um espião NÃO deve fazer’. Lang está longe de ser sutil e mais cai de paraquedas em cena que deliberadamente decide o que fazer.

Ao longo da leitura, consegui suspender minha crença o suficiente para encarar todo périplo dos personagens, mas uma vez tendo terminado – e tido tempo de pensar no que acontecera na história em vez de ser apenas levada de conflito em conflito – o plot é risivelmente inverossímil.

Não que isso seja um defeito, vez que a graça do livro é exatamente esse exagero, os excessos, os clichês bem aproveitados, tudo temperado pelo humor autodepreciativo e ácido de Lang. Eu sempre aprovo personagens sarcásticos.


A Coruja


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