25 de janeiro de 2014

A Vertigem das Listas: Um Lugar Favorito


Lulu: E, vejam só... estamos de volta! Janeiro já está perto de terminar, e isso significa que nossas curtas férias também se acabam agora, com o retorno do Vertigem.

Na verdade, não apenas do Vertigem, porque hoje, aproveitando o embalo, vamos também inaugurar a nova coluna do Coruja, o 4x4! Fotos e texto hoje (mas nas próximas edições serão só fotos e só textos em cada uma das respectivas colunas e... deixa isso pra lá.).

Dani: Você adora arranjar mais trabalho para nós... - -“

Ísis: Depois eu que complico. Se já não soubesse o que é que você tá tentando dizer, eu teria entendido bulhufas... oO

Lulu: Enfim, para começar os trabalhos de 2014, quem decidiu o tema desse mês fui eu e a proposta foi Um Lugar Favorito.

Ísis: Typical. XD

Lulu: Ísis, baixa o facho...

Ísis: Precisei pesquisar o que era facho... >.>

Lulu:Bem, embora à primeira vista esse pareça ser um tema bem fácil, na realidade, ele depende muito da perspectiva. De primeira, pensei nos jardins de Monet em Giverny, que acho o lugar mais lindo em que já estive... mas, para além do fato de que não posso nesse exato instante pegar a máquina fotográfica e ir tirar uma foto de lá para a coluna (acho que pegar as fotografias que tirei ano passado é roubar o jogo...), Giverny é um lugar lindo, mas é muito distante para eu criar de fato uma ligação afetiva com ele – o que preencheria o requisito que me impus para fazer minha escolha.

Ísis: Só pelas fotos, eu já criei um laço afetivo com o lugar e nunca estive lá. Não vi por que não se classificaria.

Lulu: É mais pelo fato de que não é um lugar que posso freqüentar com alguma assiduidade, sabe? Sabe deus quando poderei voltar lá...

Depois pensei no café que tem perto da minha casa, que eu adoro frequentar, sentar e escrever ou ler enquanto tomo um capuccino (e como um bem casado, que é excelente lá). Pensei numa certa livraria em que bato ponto quase toda semana, quando seleciono um monte de livros e me enfio na seção infantil, debaixo do dinossauro, sentada nos almofadões para ler. O prédio histórico da faculdade em que estudei, até mesmo minha poltrona fofa no meu quarto... De alguma forma, contudo, nenhum desses lugares ressonava certo na minha cabeça.

Foi então que me veio à lembrança o Instituto Ricardo Brennand.

Eu lembro da primeira vez que estive no IRB, no dia em que o museu abriu as portas ao público pela primeira vez. Lembro de me encantar com os quadros e me embasbacar com a coleção de armas brancas. Lembro de passear nos jardins ao lado de uma miríade de amigos – todo mundo que já me veio visitar no Recife e me teve como guia turística foi levado lá.

Ísis: Yup. Eu já carrega – opa, digo, motivada (pf!) duas ou três vezes.... Perdi as contas, vez que as memórias sempre se confundem quando chegamos na parte das armas...

E não é culpa da Lu! Claro que não! Que é isso? Como uma lou – ehr, entusiasta por armas poderia fazer suas memórias embaçarem?


Lulu: A coleção do IRB é uma coisa meio desconectada, com um ar um bocado kitch... o que não podia deixar de ser, considerando que ele nasceu de uma vontade meio megalomaníaca de construir um modelo em menor escala de castelos medievais. Tem de tudo um pouco – desde tapeçarias e quadros que estão entre os primeiros a serem produzidos em nosso país até altares barrocos, mármores com inspiração greco-romana e armaduras medievais.

É um lugar que tem um grande apelo para mim – primeiro, porque essa coleção de arte totalmente descombinada tem muito em comum com o depósito de informações que existe na minha cabeça. Não existe muita lógica, roteiro nem rima (Ísis: O que me faz perguntar por que você consegue gostar de um lugar que não está cheio de cronogramas, mapas etc...? Lulu: Juro que não consegui entender sua pergunta...). É uma coleção que se foi formando não com um pensamento de investimento ou com um propósito específico em mente, mas simplesmente por amor.

Segundo, porque eu tenho muitas lembranças ligadas a esse lugar. Tenho histórias, risos e cantorias. É um lugar que me é caro, pelo qual tenho um enorme carinho. E a ele só estão associadas lembranças felizes. Todas as vezes em que fui ao IRB, foi empolgada, ou pela novidade de ver tudo aquilo ou por estar com pessoas de quem eu gosto muito.


Dani: Nossa, que lugar lindo... *.*

Dé: Como a Lu disse, à primeira vista o tema parece fácil, mas na hora de escolher o canto que vemos que a tarefa não é tão fácil assim...

As escolhas mais óbvias seriam meu quarto ou a cozinha lá de casa, aonde passo 90% do tempo que estou em casa, mas não acho que isso contaria, até porque tem lugares que gosto mais do que esses.

Pensei em livrarias, parques, cinemas... Qualquer lugar que tivesse uma lembrança especial, mas alguns deles nem existem mais, então caem fora. Foi aí que eu lembrei de um lugar que eu realmente gosto: O Parque Nacional de Ubajara.

Uma Unidade de Conservação com Proteção Integral, o Parque de Ubajara fica na Serra da Ibiapaba, a pouco mais de 300 km de Fortaleza. Visitei o Parque algumas vezes, normalmente em aulas de campo, e algumas (poucas) vezes à trabalho... E estas que foram as melhores visitas, eu lhes garanto.


Embora seja aberto à visitação, nem todas as áreas são abertas ao público, com excelentes motivos. A foto não é recente, mas é de uma das áreas aberta apenas aos pesquisadores, o que eu espero que compense um pouco. Um dos motivos pelo qual gosto tanto do Parque é me lembrar, exatamente, pelo que eu trabalho. Como a maior parte do mundo deveria ser, e que existem coisas que ainda vale a pena lutar, como biólogo e ecólogo.

Quem não gostaria que existissem mais lugares assim no mundo?

Ísis: Ei, Dé, esse eu queria ver. Quando você for um biólogo renomado e tiver acesso a qualquer lugar, leva eu, sim? POR FAVOOOOOOOOR!!! Juro que não farei bagunça!

Lulu: Posso ir também?

Quanto tempo de distância é de Fortaleza? Dava para fazermos uma excursão quando eu for em agosto?

Dani: Também quero!!!!

Ísis: Acho que são umas três horas de carro. Não lembro bem e faz tempo desde a última vez que fui (e meu Chrome tá lento demais agora para consultar o Titio Google.). Já fui lá várias vezes, mas obviamente só na parte turística. Na época do Ensino Fundamental, passei mal nas trilhas para a gruta, mas sempre adorei as cavernas, amei o bondinho e adoro o lugar em geral. Apoio totalmente sua escolha! ^^

Então, quanto à minha escolha, fui menos longe. Primeiro que pra bater foto, obviamente precisa ser por aqui (Japão/Nagoya), o que elimina o meu restaurante preferido em Fortaleza (e em Recife, Rio Grande do Sul, ou qualquer outro canto que não seja Japão, pelo menos). Me toquei que não tenho ido muito além do meu quarto ou karaokês (não que me seja exatamente uma novidade, só não tinha notado ainda que não tinha um lugar de que gostasse mais).

Se tivesse algum lugar aqui para ver bem muitas estrelas, era de lá que teria batido fotos. Mas, em Nagoya, considere-se feliz se conseguir ver a lua... OK, não é pra tanto. Nagoya é uma grande, populosa e, cheia de automóveis (assim, como Orlando, na Florida, ela também foi projetada para um grande número de carros); porém, devido a políticas severas contra poluição, o ar no Japão é bastante limpo (algo pelo qual sou muito grata) – o que não é verdade na China (pelo menos por onde passei). Entretanto, a quantidade de luzes à noite impossibilita ver mais que um satélite, um planeta (Vênus) e uma ou outra estrela. Se bem que agora no inverno a visibilidade está UM POUCO melhor.

E já que estamos no assunto, se tivesse alguma máquina de PUMP IT UP aqui no Japão (mais especificamente em Nagoya, se possível), minha foto seria disso. Só tem DDR aqui... >.< Mas tô falando demais de algo que não é a foto. Em resumo: meu lugar preferido (da vez) é minha sala de pesquisas.



Não, não estou sendo nerd. É que fora meu quarto, é na kenkyuushitsuonde passo a maior parte do tempo e, foi mal, mas eu adoro o lugar. Minhas senpais são superincríveis e me sinto totalmente confortável ali. Falta só um sofá, coisa que temos discutido se devemos comprar esse ano ou não. Valei-me!

Dani: Bom, a Lu bem que tinha razão, foi mesmo difícil escolher um lugar como favorito. Também pensei na hora no meu quarto já que também passo a maior parte do tempo nele, desenhando, mas se for pensar em um lugar de real importância para mim seria o Parque da Consciência Negra aqui na Cidade Tiradentes.

Ele fica a uns 15 minutos a pé da minha casa, bem no começo da Mata Atlântica. De fato que esse parque não tem quase nada, só alguns caminhos asfaltados e umas mesinhas aqui e ali. É praticamente puro mato, na verdade. ^^” Mas é exatamente por isso que gosto tanto dele. Não é um... “lugar planejado” como outros parques, é quase natureza bruta. E eu adoro isso. Tem árvores, riachos, flores, ervas, umas plantas esquisitas com cheiros muito fortes, e até alguns animais. Eu mesma já vislumbrei alguns macacos e cobras por lá. E principalmente, uma coisa que venho valorizando cada vez mais com o passar dos anos: silêncio.

É um lugar maravilhoso para relaxar, caminhar, ler, desenhar... Sempre que estou me sentindo muito estressada ou cansada da cidade, costumo ir para lá recarregar as baterias (e ser picada por alguns pernilongos, porque afinal nada é perfeito).


Ísis: Nada é perfeito, mas spray anti-mosquito meia hora antes deve ajudar! ^^

Leva eu!!! Quero ir para um lugar assim, praticamente virgem.


Lulu: Enfim... olha aí a lista dos lugares favoritos do povo do zoológico:

Um Lugar Favorito (para cada um de nós)

Instituto Ricardo Brennand, Recife
Parque Nacional de Ubajara, Ceará
Sala de Pesquisas em Nagoya
Parque da Consciência Negra, São Paulo


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2 comentários:

  1. Foi mal aí,m as só por ser parte dos 8% restante de Mata Atlântica "pura", eu voto no Parque da Consciência Negra como vencedora. ^^

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