19 de novembro de 2013

Clube do Livro (Booktour): Ficção de Polpa - volume 3

Nestas páginas, tudo é possível: de prédios que ganham vida a inocentes bonecos possuídos, dos sinistros poderes da comida congelada, passando pelo segredo da macaca Monga, pragas de gnomos e anões vingativos, o terceiro volume da coleção Ficção de polpa traz 22 contos inéditos, uma história em quadrinhos e o primeiro mistério de um clássico detetive do sobrenatural.
Dos quatro volumes que li até aqui da série Ficção de Polpa, esse terceiro volume, com foco na fantasia, foi o que considerei mais fraquinho. Ainda é surpreendente e surrealmente interessante, mas em comparação com os outros volumes, foi o que menos fez sentido pra mim.

O destaque, para mim, ficou por conta de Pelos Dentes da Baleia, cujo ritmo e cenário me fizeram pensar constantemente em mitos indígenas – a narrativa do autor foi muito autêntica, muito própria desse tipo de história; Os Melhores Amigos, que me deixou de olhos ligeiramente marejados e Todas as Cobras, que também é algo meio mitologia, meio surrealismo a quase Dalí.

Contos como O Corredor Infinito – que me fez pensar no insano Finnegans Wake – e Um Insalubre Sozinho no Escuro – em que um atendimento do SAC se transforma numa viagem metafísica em um diálogo de dar nó na cabeça – deixaram-me perplexa e piscando os olhos meio fora de foco, como uma vítima de concussão.

Outros tantos outros me deixaram uma sensação incômoda de estômago revirado – e esse talvez seja o principal motivo de eu não ter me divertido tanto com esse terceiro volume quanto com os outros. Entre pústulas e pesadelos e ursinhos de pelúcia assassinos, houve ocasiões em que eu queria fechar o livro e sair correndo... mas perseverei e fiz comentários cretinos com post-its ao longo das páginas para lidar com meu terror.

A parte mais divertida da leitura, para mim, foi tentar desvendar os motivos de Enio, o misterioso dono anterior do livro, que conseguiu autógrafos de vários dos autores do livro (e também do artista responsável pela capa), em se desfazer do volume. Minha teoria é que ele morreu, a família se desfez dos livros para um sebo e ele agora assombra o livro como um fantasminha camarada...


A Coruja


____________________________________

 

5 comentários:

  1. Tudo bom, gente? Conheci a pouco tempo o blog de vocês (pesquisando sobre George MacDonald) e gostei muito! Acho o design das edições dessa Ficção de Polpa muito bonito, mas os contos são mesmo bem irregulares. Tem uns ótimos e outros bem fraquinhos. Já tem um volume 5, em que o tema é "Aventura". Fica a sugestão pra uma resenha dos livros da série "Imaginários", que segue mais ou menos o mesmo modelo (contos fantásticos de autores nacionais), mas com os temas misturados em cada volume. Os contos também são bem irregulares, mas acho que vale à pena a leitura.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Rogério! Boa dica, vou colocá-la depois na minha lista... já tinha vista Imaginários antes, mas não tinha dado tanta atenção...

      E eu conhecia já o volume 5, está na lista também para futuras leituras.

      E MacDonald! Como você descobriu MacDonald? Eu cruzei com o nome dele pela primeira vez quando estava atrás de conhecer os autores de fantasia antes de Tolkien...

      Excluir
  2. Conheci o MacDonald mais ou menos da mesma forma... sou apaixonado por literatura fantástica e fico rastreando referências obscuras (obscuras pelo menos pra gente aqui no Brasil. Tem tanto material que nunca chegou aqui...).

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Entendo perfeitamente seu ponto, motivo pelo qual tem uma tag aqui no Coruja chamada "Antes de Tolkien" que é só para esses autores-referências-obscuras. Uma favorita minha que eu queria muito ver aqui no Brasil (mas que é esquecida até lá fora) é a Hope Mirrless, com Lud-in-the-Mist. Dunsany é outro, que teve uma publicação recente de contos, inclusive (estou com ele lá em casa para ler...)

      Excluir
  3. A tag "Antes de Tolkien" foi a que eu primeiro devorei aqui no blog. Não conhecia vários desses autores que são citados, e devo passar umas boas horas caçando as obras nos posts. Muchas gracias. (isso, como se a minha pilha de leituras já não ultrapassasse o tempo necessário pra se ler em uma única vida...) :)

    ResponderExcluir

Sobre

Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

Cadastre seu email e receba as atualizações do blog

facebook

Arquivo do blog