1 de agosto de 2013

Para ler: Instruções

Toque o portão de madeira na parede que você nunca viu antes.
Diga “por favor” antes de você abrir o trinco,
atravesse,
desça o caminho.
Um diabrete de metal vermelho se pendura da porta da frente
pintada de verde,
como uma aldrava,
não toque nele; ele morderá seus dedos.
Ande pela casa. Não pegue nada. Não coma nada.
No entanto, se alguma criatura dizer-lhe que têm fome,
alimente-a.
Se ela dizer que está suja,
limpe-a.
Se ela chorar dizendo-lhe que dói,
se você puder,
alivie sua dor.
Esse livro é, originalmente, um poema dentro das coletâneas de contos do Gaiman – eu o li pela primeira vez, se bem me lembro, em M is for Magic e desde aquela primeira leitura, me apaixonei perdidamente por ele.

Mais tarde, o poema foi transformado em um livro ilustrado por Charles Vess, e na ocasião em que dei de cara com ele, a releitura me provocou lágrimas. Finalmente, esse ano, o livro saiu traduzido aqui no Brasil, pela Rocco. Obviamente, corri para providenciar meu exemplar e desta feita, reler os já conhecidos versos me deixou sorrindo com um contentamento simples, mas extremamente agradável.

Ficam avisados os amigos: vou dar esse livro de presente pra cima e pra baixo agora...

Não é que seja nada demais. Instruções é um poema sobre uma jornada, sobre aquilo que você encontra nos mundos dos contos de fadas. É uma história sobre descobrimento, incrivelmente delicada e gentil, uma histórias sobre histórias e uma história sobre nós mesmos.

Não sei se alguém que não perceba as inferências que Gaiman fez em seus versos dará tanta importância ao livro. Parte do encanto é se reconhecer naquelas linhas, são os ecos de memória que chegam dali.

As ilustrações de Vess são um espetáculo à parte. Passei mais de hora vasculhando os detalhes das imagens, encontrando personagens escondidos em meio às sombras, debaixo de pontes, confundindo-se com a folhagem.

Em sua nostalgia, Instruções é também bastante melancólico. Por mais grandiosas que sejam as aventuras pelas quais o personagem (VOCÊ, no imperativo, seguindo as instruções dadas) passa, há sempre de se voltar para casa (ou construir uma casa. Ou descansar).

Ao final, enquanto escrevia essa resenha, comecei a ouvir a narração do Gaiman do poema... tive de parar por um momento para assistir o filminho das ilustrações junto e claro, comecei a lacrimejar de novo.

Acredite em sonhos. Acredite em seu coração, e acredite em sua história.



A Coruja


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