15 de agosto de 2013

Para ler: Enigmas de Londres - Espíritos do Tâmisa

– Então magia é real – eu disse. – O que faz de você um... o quê?

– Um mago.

– Como Harry Potter?

Nightingale suspirou.

– Não, não como Harry Potter.

– Em qual sentido?

– Eu não sou um personagem de ficção – disse Nightingale.
Esse é outro daqueles títulos que uma vez que você começa, não consegue largar mais – e por isso eu aconselho a não começá-lo pelo final da tarde ou à noite, a não ser que esteja disposto a virar a madrugada sem dormir, que foi exatamente o que eu fiz.

Enigmas de Londres: Espíritos do Tâmisa é um livro de ritmo rápido, repleto de cenas verdadeiramente cinematográficas, roteiro pronto para adaptação – e não é à toa, já que o autor é roteirista de séries da BBC e sabe o que está fazendo – com aquele humor irônico tipicamente britânico.

Peter Grant é um recruta da Scotland Yard que após ser deixado de guarda numa cena de crime, acaba encontrando uma testemunha inesperada... e incorpórea. A partir desse momento, ele acaba sendo designado para um departamento da polícia especializado no sobrenatural e terá de lidar com deuses lacustres, fantasmas, demônios, vampiros e outras variações do gênero.

Seu primeiro caso é uma imitação da pantomima com fantoches Punch and Judy: uma sucessão de incidentes bizarros e assassinatos aparentemente sem qualquer ligação. Há uma série de referências absolutamente nerds, de mitologia grega a Harry Potter – tudo isso numa Londres vibrante e colorida, fascinante em cada mínimo detalhe.

Num certo sentido, Peter Grant me lembrou muito o mago Harry Dresden – na verdade, a série de Aararonovich e a de Butcher poderiam muito bem se passar no mesmo mundo, com Dresden se ferrando em Chicago e Grant em Londres... com a diferença que Grant parece (ao menos nesse primeiro volume) ter uma sorte bem melhor que Dresden.

O humor sarcástico dos personagens é o mesmo; mas Dresden é um mago maduro, acostumado com as enrascadas em que se mete, enquanto Grant acaba de entrar nesse mundo, tendo Nightingale como mentor (e eu realmente gostaria de mais Nightingale!). Talvez por isso, embora os personagens de Espíritos do Tâmisa sejam memoráveis, a trama, em si, é genérica e parece servir mais como uma introdução – uma introdução interessante o suficiente para te fazer ir atrás de mais, mas que deixa ainda um certo sentimento de que algo mais faltou.

Talvez essa minha impressão se deva ao fato de que se abrem muitas questões, mas não há tantas respostas. Definitivamente, teremos de voltar para o segundo volume.


A Coruja


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2 comentários:

  1. Já gostei! Do tema, que eu sinto falta de livros sobre bruxos sem ser garotas adolescentes e por ele ser roteirista da BBC *--* Você sabe quantos livros vão ser?

    Beijos, Milla
    http://estanteaoreves.blogspot.com/

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  2. Três palavras apenas me fizeram já esticar os olhos pra este livro:

    roteirista de Doctor Who

    acho que nem o slogan de um Harry Potter com CSI me atraiu tanto quanto a frase a cima. E acho que isto também já basta pra história ser bem maluca...

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