4 de julho de 2013

Projeto Pratchett: Dodger

"O dinheiro faz as pessoas ricas; é uma falácia pensar que ele as torna melhor, ou mesmo que as torna pior. As pessoas são o que elas fazem e o que elas deixam para trás."
E lá vamos nós para mais um Pratchett, dessa vez fora do mundo do Disco e direto nas páginas de um Dickens... com um bocado mais de humor tipicamente pratchettiano, claro... e ninguém menos que o próprio Dickens como personagem!

Dodger, o protagonista do livro, é um garoto magricela de dezessete anos, que vive nas ruas e se sustenta recolhendo ‘tesouros’ nos esgotos de Londres: coisas perdidas, jogadas foras, levadas pelas tempestades, encalhadas nas valas escuras da cidade.

Após presenciar um grupo espancar uma jovem garota que tentava fugir de uma carruagem, Dodger acaba se metendo numa investigação com potencial para irritar algumas pessoas bem poderosas – e incluindo encontros com Sweeney Todd, Benjamin Disraeli e a própria Rainha Vitória.

Eu gostei da recriação história que Pratchett fez no livro, o clima, os jogos de palavras, os personagens reais que se entrecruzam em suas páginas. Não é uma história particularmente pesada, a despeito do início bem violento – muito pelo contrário, os encaminhamentos felizes que ele dá a seu protagonista estão bem longe de qualquer veracidade histórica.

Confesso que enquanto lia, fiquei um pouco confusa com isso, até decidir deixar de lado o que conheço da fechada sociedade vitoriana - Dodger deve ser lido como um conto de fadas a Cinderela e não um estudo social, por mais que realidade e ficção se misturem na história.

Talvez seja pelo fato de que deixamos Discworld de lado por hora, para se aventurar em nosso próprio mundo; talvez porque em pouco mais de duzentas páginas partimos dos esgotos para os mais altos círculos da sociedade londrina, o fato é que demorei um pouco para me acostumar com Dodger.

Contudo, uma vez que deixei essas questões de lado e comecei a ler o livro por ele só – e não apenas por aquilo que conheço e espero da série Discworld, minha relação com ele se tornou bem mais fluida. Esse é um livro divertido, mais leve do que estou acostumada dentro da miríade de obras do Cara de Chapéu que estou sempre lendo. Uma boa leitura para tardes chuvosas, manhãs claras e dias preguiçosos passados sem levantar da cama.


A Coruja


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