2 de julho de 2013

Desafio Literário 2013: Julho - Cor ou cores no título || Red Shift

“I’m not sure about the mean galactic velocity. We’re with M31, M32 and M33 and a couple of dozen other galaxies. They’re the nearest. What did you say?”

“I love you.”

“Yes.” He stopped walking. “That’s all we can be sure of. We are, at this moment, somewhere between the M6 going to Birmingham and M33 going nowhere. Don’t leave me.”

“Hush,” said Jan. “It’s all right.”

“It’s not. How did we meet? How could we? Between the M6 and M33. Think of the odds. In all space and time. I’m scared.”
Eu conheci Alan Garner na biblioteca do colégio, lá pelos treze, quatorze anos e a prosa dela, seu conhecimento de mitologia, sua forma de mesclar o mundo real e a fantasia me conquistaram de cara. Mais que isso, Garner foi uma forte fonte de inspiração para muito do que escrevi nessa época e foi ele quem despertou minha curiosidade para a mitologia celta.

Por todos esses motivos, quando li um artigo sobre grandes livros de fantasia e ficção científica do último século (já não me lembro mais em que site) e dei de cara com o autor, foi coisa de piscar de olhos eu começar a fuçar atrás do livro pelo qual ele era citado.

Red Shift alterna três épocas diferentes para contar sua história: vamos das décadas de 60 e 70 a século XVII até o período das invasões romanas; acompanhamos o desenvolvimento da relação de Jan e Tom, batalhamos com Logan, Macey e outros soldados perdidos da Nona Legião e vemos Thomas tentar lidar com uma guerra civil entre puritanos e monarquistas. São personagens e tempos diferentes, mas existe uma conexão extremamente sutil que liga todos eles numa mesma narrativa – e não é apenas o machado de pedra que inclusive aparece na capa do volume.

O livro se apóia fortemente em diálogos – na verdade, ele é quase todo diálogo e quase nenhuma descrição. Há um ritmo quase poético, especialmente nas falas de Tom, Macey e Thomas (que podem ou não ser todos os mesmo personagem em diferentes vidas), divididos entre o mundo real e os delírios que podem até levá-los a um estado berserk.

É preciso atenção para entender o que está acontecendo, para compreender a dimensão que essas relações estão tomando, as repetições de padrão nos encontros e desencontros dos personagens de forma quase cósmica.

É um volume curto, pouco menos de duzentas páginas, mas extraordinário em suas referências. Não é uma história leve que você leia de uma sentada só, porque você tem de estar sempre bastante concentrado para acompanhar o que está acontecendo e creio que o ideal seja digerir cada cena de uma época antes de viajar para outra ou você acabará se perdendo entre as ramificações existentes.

Fiquei feliz de reencontrar Garner. Ele foi um dos autores que marcaram minha adolescência e me fizeram apaixonar pela ficção fantástica. É bom revê-lo num texto mais maduro, que mantém as características que me fascinaram naquelas primeiras leituras.

Nota: 4
(de 1 a 5, sendo: 1 – Péssimo; 2 – Ruim; 3 – Regular; 4 – Bom; 5 – Excelente)

Ficha Bibliográfica

Título: Red Shift
Autor: Alan Garner
Editora: Macmillan
Ano: 1973
Número de páginas: 197


A Coruja


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