27 de julho de 2013

A Vertigem das Listas: Sete Sacrifícios Heróicos


Dé: O sol se põe ao fundo, e os heróis estão perto de seu objetivo final. Eles já podem ver o momento em que poderão, finalmente descansar. Porém, as Legiões do Mal estão em seu encalço, e ganhando terreno a cada instante. Não há como escapar.

Lulu: Oh, céus! E agora, quem poderá nos ajudar?

Dani: O Chapolin Colorado!!! XD Foi mal, não resisti!

Lulu: Não era para resistir, eu estava contando que alguém usasse a deixa ;)

Dé: Até que um (ou mais) deles diz: “Continuem. Eu vou atrasá-los.” Já se virando, pronto para a luta. Os demais protestam, mas ele insiste. Todos sabem que ele não voltará, mas sabem que não terão chance sem isso. Concordam e, por conta dos preciosos momentos que aquele ficou para trás ganhou, são bem sucedidos em sua missão. O mundo foi salvo, mas não sem um grande custo.

Lulu: *lágrimas, lágrimas*

Ísis: *fazendo de conta que não chora nessas cenas*

Dani: Porque o Dé é sempre tão dramático nas aberturas do Vertigem?

Lulu: Não somos todos?

Dé: Sim, leitores, hoje traremos para vocês aqueles momentos, no qual tudo parece perdido, surge um herói disposto a ir até as últimas conseqüências pelo bem maior. Traremos para vocês: Sete Sacrifícios Heróicos!

Minha primeira escolha vem de uma série de livros repleta de sacrifícios deste tipo. Sério, acho que J.K. Rowling ia pensando em quantos personagens poderiam morrer de forma heróica e ainda ter o bastante para continuar a série. (Ísis: Não duvido... Dani: Pô meu, até a raposa teve de morrer... T.T Ísis: Peraí, volta! Raposa?! Dani: Só eu lamento pela raposa? - -“ Lulu: Eu confesso que também não me lembro dessa raposa...) Basta dar uma olha no Relíquias da Morte, aonde até o próprio Harry se sacrifica! Não que ele morra, mas a intenção estava lá. Por sinal, é deste volume que vem a minha escolha.


Lulu: Cá entre nós, eu teria gostado infinitamente mais do final da história se ele realmente tivesse morrido.

Ísis: Já ouvi muita gente dizer isso... Ouvi dizer também que era o que ela queria fazer, mas os editores não deixaram, já que muitas crianças liam aquilo... ou qualquer coisa assim. Mas, realmente, não duvido que os fãs (principalmente os leitores menos maduros) teriam provocado alguma comoção (inter)nacional...

Dé: Por volta da metade do livro, o trio é capturado por Fenrir Silverback e seus capangas e levados para a mansão Malfoy. Sério, a história poderia terminar ali, e com a vitória dos vilões, não fosse a participação de um personagem (quase) completamente secundário. Dobby retira todos de lá, e ainda tem a oportunidade de descontar os anos de maltratos que sofreu nas mãos dos antigos mestres! Infelizmente, Belatrix e sua faca de prata dão fim à história do elfo doméstico que, indiretamente, salvou o mundo.

E sim, eu chorei no enterro do Dobby, não tenho vergonha de admitir.


Ísis: Dois. Quando vi aquele punhal (adaga?) voando na direção do Dobby aparatando, fiquei suplicando mentalmente pra não matá-lo, mesmo que atingisse. Obvioulsy my cries fell upon deaf ears... >.<

Dani: Três. E eu assisti esse no cinema, na estreia. (3 horas na fila. Mas valeu a pena). Na hora que o Dobby morreu houve quase uma comoção no lugar! A menina na minha frente até soluçava! Nunca havia pensado que ele fosse um personagem tão querido assim.

Lulu: Eu concordo... acho que o sacrifício do Dobby foi muito mais impactante para mim do que o do Harry, que, de certa forma, eu já esperava. Desde que o Dobby aparece pela primeira vez, criamos um vínculo especial com ele, é mesmo difícil não se emocionar nessa cena.

Ísis: Aí eu discordo. Não ia muito com a cara do Dobby, não. Não desgostei dele, mas também não amei o personagem... Mas na última parte da saga (As Relíquias da Morte), isso mudou. Principalmente quando ele fala “Dobby will always be there for Harry Potter.” – meu coração derreteu aqui.

Dani: Eu na verdade comecei a gostar quando ele começa a tentar salvar a vida do Harry quase matando ele de cada vez! XD

Lulu: Eu sempre gostei dele, das tentativas atrapalhadas dele de salvar a vida do Harry... A morte dele realmente partiu meu coração...

Bem, minha primeira escolha é um sacrifício historicamente real, que virou quadrinhos e filme. E não foi de um único herói... mas de trezentos.

Sim, estou falando da épica batalha das Termópilas, quando o exército espartano segurou os persas até o último homem, com a morte inclusive do rei, Leônidas, dando tempo para que os gregos se organizassem para resistir e depois vencer os persas.


Dani: Tinha que ser tu para colocar História aqui, né Lu? ^^”

Lulu: Mas é óbvio!

Ísis: Tem meu total apoio. Amei não só o filme (Também, não dá pra não amar, né? XD), como a história em si, antes mesmo do filme ser produzido. Acho que isso é o mais puro exemplo de “sacrifício heróico”... (Não que no filme eles vejam suas ações como sacrifício, já que pra eles é playtime... LOL)

Dé: Iguinha, não é bem assim... Se você reparar direito no diálogo entre Leônidas e Gorgo quando os espartanos vão para as Termópilas, vemos claramente que o rei não esperava retornar. E até a escolha de soldados "com filhos, para continuar seu legado” é escancarar que ele pediu homens dispostos a morrer. Claro, que sendo espartanos, eles iriam ter sua diversão ao levar tantos persas quanto puderem para o inferno junto com eles.

300 excelentes escolhas, Lu.


Ísis: Acabou com meu barato... Mas é sempre bom lembrar mesmo.

Dani: Eu notei isso também. Meu coração quase quebrou quando percebi o que ele estava dizendo...

Ísis: Achei massa quando ele disse pros gregos (ou Macedônios? oO) que trouxe mais soldados.

Bem, minha escolha como sacrifício heróico provavelmente é pouco conhecida, a menos que se tenha assistido Code Geass, às DUAS temporadas. (Quem não quiser SPOILER sobre o fim da série, pule as próximas linhas dessa cor!!!)

Eu admirei muito o protagonista, chorei, frustrei-me e o diabo-a-quatro enquanto seguia a saga de um dos filhos do imperador da “Britannia”. Lelouch me cativou desde o começo pela sua inteligência (juro que não foi pelo visual, ainda que me agrade MUITO), mesmo que tenha creeped me out com aquela voz masculina grossa que normalmente não é usada num personagem com a aparência dele.

Mas a vontade dele de mudar o mundo, inicialmente para que a irmã pudesse viver em paz, foi um grande marco pra mim. Mesmo quando Lelouch acha que ela morreu, resolve continuar sua missão, dessa vez pela memória dela (e outros motivos). Mas o sacrifício dele está no fato de que, no fim, ele se sacrificou não por uma pessoa (que seria, no caso, a irmã) ou que quer que seja, mas em nome da paz e da esperança por uma amanhã melhor. Lelouch agiu deliberadamente de forma que todos o odiassem e o quisessem morto, pois sua morte significaria que a população mudaria o mundo. E foi isso que ele fez.

E é aqui que eu admito que embora eu ame esse personagem, “de paixão”, e talvez por isso (eu acho), o final do anime me traumatizou tanto, mas tanto, que passei duas semanas em depressão depois de o assistir. Até hoje (uns 3 anos depois), não posso ouvir “Code Geass” sem lembrar dessa cena e ficar triste por uns dois minutos... Pelo menos parei de chorar (depois de um ano – e eu não estou brincando).


Lulu: Eu cheguei a começar a assistir, mas não cheguei a ir até o final por questões, como sempre, de falta de tempo. Talvez um dia eu retorne a ele... Porque, né, é o CLAMP... e o CLAMP adora torturar seus leitores.

Dani: Não posso comentar nada sobre esse, já que nunca assisti. Alguém me empresta?

Mas enfim, para a minha primeira escolha, ironicamente também vou encaixar História aqui (pode bater, mamãe - -“ Lulu: Mas porque eu faria isso quando só posso ter orgulho de vê-la emulando a mamãe?). Se bem que no meu caso é mais uma lenda. E até onde eu saiba nunca foi realmente confirmado se aconteceu mesmo. (me corrijam se eu estiver errada, por favor)

Estou falando do meu desenho favorito da Disney e da mais fodástica das suas princesas. Ousem discordar de mim: Mulan.


Lulu: Eu não discordo, pelo contrário, concordo integralmente, 110%. O único outro filme da Disney que compete pra mim no posto de ‘favorito’ é O Rei Leão.

Ísis: Acho que agora eu que vou cortar o barato, mas... eu discordo. A Mulan não é princesa. XP (Quem assistiu ao Mulan II vai entender porque eu acho isso ótimo!)

Dani: Assim como a Alice também não é, nem a Wendy, nem a Megara, mas ainda assim são chamadas de “Princesas”. É Disney! Eles podem tudo lá. ^^

Enfim, ela não morre no filme, dizem que na lenda sim. Eu realmente não sei. Mas não é por sua morte que sua história nos emociona. Imaginem uma mulher, uma reles mulher, na China de 450 a. C, em plena guerra com os Hunos, indo contra todas as leis e morais de seu tempo, abdicando de sua própria identidade e consciente do que isso custaria à sua família e a si mesma se fosse descoberta, decidir se fingir de homem e tomar o lugar do pai no exército para salvar a sua vida.

Na minha opinião, nunca haverá um sacrifício mais belo e mais comovente que o dela. Ela não apenas ergueu a cabeça e seguiu para a morte como muitos outros heróis, ela teve de se transformar em outra pessoa, aprender a lutar, lidar com os homens do exercito, enfrentar uma guerra de frente e encarar a expectativa da morte dia após dia. Não só sob o medo de morrer, mas também o de desonrar a família, condená-los a criminosos por deixarem-na fazer isso, e por fim também condená-los à morte (porque imagino que, naquela época, é exatamente o que fariam). Tudo só para salvar a vida do pai doente.

E se ainda não convenceu, tente (como eu já fiz muitas vezes) se colocar na cabeça dela por um instante. Na guerra, no campo de batalha, uma mulher entre milhares de homens, sem saber se vai viver ou morrer, mas ciente de que jamais faria outra coisa.


Lulu: Eu entendo e concordo completamente com você, Dani. Acho que Mulan teria tido um destino negro se tivesse sido descoberta e não estou falando apenas de morte. Ela provavelmente viraria concubina dos soldados e passaria por todo tipo de abuso antes de ser morta.

Ísis: Sabe que nunca procurei a lenda real? Vou atrás depois (vê se dessa vez eu lembro)...

Dé: A minha segunda escolha foi a que me levou a escolher esse tema para o Vertigem desse mês.

Quando Hogart Hughes saiu de casa para examinar a estação de força na floresta, aposto que a última coisa que ele esperava encontrar era o Gigante de Ferro. Mas a amizade entre os dois cresce e Hogart ensina muitas coisas boas ao Gigante sem memória.


Dani: Cara, resgatou um do fundo do baú, hein!

Dé: Quando o filme muda de tema, e é revelado o que o Gigante é, a convicção dele de que NÃO É uma arma faz as palavras de Hogart tomarem todo um novo sentido. Droga, já tô chorando só de lembrar!

“You are what you choose to be.”

“Superman…”


Dani: Putz, 'cê quer mesmo acabar com a gente, né Dé! Primeiro esse tema e agora essas histórias! O Vertigem era para ser divertido, mas tô chorando com cada um que vocês escrevem... T.T

Lulu: Bem, estamos falando de sacrifícios, e sacrifícios heróicos ainda por cima, é óbvio que eles só se tornariam memoráveis se criássemos algum tipo de vínculo com os personagens, não é mesmo?

Curiosamente, o sexto personagem da nossa lista desse mês começou oficialmente sua carreira como um vilão... e um dos vilões mais emblemáticos do cinema: estamos falando, obviamente, do temível Darth Vader.


Dani: Meu segundo vilão favorito!!!!!!!!!!!!!!!!!! XD

Lulu: Vader é um personagem quase que de tragédia grega – a família Skywalker como um todo, para ser sincera, parece ter saído direto das páginas de um Sófocles ou talvez até do bardo inglês...

Isso porque depois de uma longa trajetória de erros, pecados e crimes sem perdão... Vader escolhe se sacrificar pela família que ele mesmo abandonou e condenou no passado.

Trágico, trágico...


Dani: Ai que esse Vertigem tá muito triste, meu Deus...

E para finalizar, como escolha coletiva, decidimos todos pelo grande sacrifício de um personagem igualmente grande e poderoso. Apesar de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa não ser minha crônica preferida, não deixa de fazer parte das histórias de Nárnia que tanto amo, e possui o maior sacrifício das crônicas (até onde eu me lembro pelo menos... *forçando a cuca*), quando Aslam decide se entregar no lugar da liberdade de Edmundo para a Feiticeira Branca, se entregando à humilhação e morte apenas para salvar a vida de um “traidor” das leis da Magia Profunda.

Entretanto, sem contar que com isso ele invocaria uma magia ainda mais antiga que acaba por reverter sua morte, é claro. Afinal é uma história infantil. :)

Há quem diga que Aslam assume uma posição de Jesus Cristo nesse ato, e eu mesma já ouvi exaustivamente essas comparações, querendo levar tudo para a polêmica religiosa (e que mais de uma vez já me cansaram uma amizade), mas honestamente, para mim sempre foi exatamente o que Aslam é em Nárnia. O filho do Imperador de Além Mar, o criador, o messias...

E nada mais condizente do que ele agir como agiu.


Lulu: A questão da similaridade de Aslam e Cristo tem a ver com a posição abertamente evangelizadora do Lewis. Eu entendo quem lê Nárnia como uma alegoria bíblica, até pelo fato de que a coleção de história começa com um Gênesis e termina com o Apocalipse e talvez futuramente eu dedique um especial inteiro sobre o assunto... Mas independente de qualquer coisa, o sacrifício de Aslam é uma das mais belas e mais emocionantes cenas da obra do Lewis, especialmente a se considerar que ele está se sacrificando não por um bem maior ou coisa do tipo, mas por um único garotinho que sequer é muito simpático.

Bem, por esse mês é só, né, pessoal? Agora, mais vertigem, só em agosto!


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5 comentários:

  1. Nossa! Este Vertigem foi muito triste mesmo... Maldita Ísis por me lembrar do Lelouch!! :'( Daí eu me lembrei do fim de Chrno Crusade e to em cacos...

    Mas eu concordo com todas as escolhas de vocês, inclusive o primeiro que pensei foi nos 300 de Esparta. Sempre adorei a história da Batalha das Termópilas. Principalmente a dos 300 soldados que se sacrificaram... Adoro o filme, mas a HQ é um primor.

    Ainda estou tentando lembrar de uma raposa morta em HP...

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    1. E alem de só eu lamentar a morte da raposa também sou a única que lembra dela.

      Coitada da bichinha...

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    2. ONDE. ESTÁ. A. MALDITA. RAPOSA?! Estou enlouquecendo tentando lembrar dela...

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    3. Dica: Algum lugar de Enigma do Principe. ;)

      E sim, filhinha, eu também lembro da raposa.

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    4. Preciso criar vergonha na cara e terminar de ler HP... >.<
      Debora, obrigada por compartilhar de minha dor quanto a Code Geass...

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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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