20 de junho de 2013

Projeto Baudelaire: A Cidade Sinistra dos Corvos

Caro Leitor,

Com certeza você pegou este livro por engano, portanto por favor ponha-o de lado. Ninguém em juízo perfeito leria intencionalmente um livro sobre a vida de Violet, Klaus e Sunny Baudelaire, pois cada momento tenebroso de sua permanência na cidade de C.S.C. foi registrado nestas páginas de modo fiel e assustador.

Não consigo pensar em uma única razão por que alguém abriria um livro que contém assuntos tão desagradáveis como corvos migrantes, uma turba irada, uma manchete de jornal, a prisão de pessoas inocentes, a Cela de Luxo e alguns chapéus muito esquisitos.

É minha solene e sagrada ocupação pesquisar cada detalhe da vida das crianças Baudelaire e pôr no papel. Mas você pode preferir fazer alguma outra coisa solene e sagrada, como ler um outro livro no lugar deste.

Respeitosamente,
Lemony Snicket
Com esse livro passamos da metade da série e finalmente temos mais pistas, mais respostas do que apenas perguntas sobre a sombria conspiração que está verdadeiramente por trás da morte dos pais Baudelaire, da família Quagmire, do seqüestro dos gêmeos e da figura do Conde Olaf.

A história começa com os órfãos Baudelaire acompanhados do senhor Poe, que a essas alturas já não sabe mais com quem colocar as crianças – considerando o número de desgraças que ocorrem em seu caminho, não há exatamente uma fila de pretendentes a pais adotivos para Violet, Klaus e Sunny.

Por fim, ele descobre um programa governamental (?) que leva ao pé da letra o ditado de que é necessário uma cidade inteira para cuidar de uma criança (??) e decide colocar os Baudelaire nesse pacote (??!), o que se torna bastante aceitável para os irmãos quando eles descobrem na lista de possíveis moradas a Cidade Sinistra dos Corvos – cujas iniciais coincidentemente batem com as da misteriosa organização que eles estão investigando para desvendar todos os acontecimentos sinistros que ocorreram até aqui na história.

Claro que sendo os irmãos Baudelaire quem são, a mudança para a nova cidade não será exatamente tranqüila: além de lidar com os constantes becos sem saída de suas investigações, ainda há as tarefas domésticas que eles são obrigados a cumprir para todo mundo em seu novo lar e as regras sem nenhuma lógica que devem obedecer.

Mil e uma referências se somam a várias pistas falsas e personagens novos – incluindo aí um falso Conde Olaf: com uma monocelha e uma tatuagem de um olho no calcanhar, ele é preso e condenado à fogueira (!!!) assim que chega a cidade, mas os Baudelaire logo percebem que ele não é seu grande inimigo e tentam desesperadamente salvá-lo (especialmente porque ele parece ter algumas respostas para suas milhares de perguntas).

Se você chegou até aqui nas Desventuras em Série, provavelmente já tem uma boa idéia do que acontece ao final da história. A Cidade Sinistra dos Corvos representa já uma virada na história, uma vez que o padrão de guardiões para as crianças se rompeu. Mas o final do sétimo livro representa uma ruptura ainda maior – com um enorme potencial para o próximo volume da história.

E assim, continuemos com as desventuras...


A Coruja


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