11 de junho de 2013

Para ler: Orquídea Negra

- Então sabe o que eu não vou fazer? Não vou te prender no porão e te interrogar depois. Não vou armar um raio laser supercomplicado e te deixar sozinha aí pra fugir. Isso é tudo babaquice. Sabe o que eu vou fazer? Eu vou te matar. Agora.
Eu já tinha lido essa minissérie – um dos primeiros trabalhos do Gaiman no selo Vertigi - anos atrás; agora com a republicação pela Panini é claro que eu não podia deixar de providenciá-la para minha coleção. É um belo livro, primoroso tanto no roteiro quanto na arte, e que já deixa entrever aquilo que Neil faria em sua obra-prima, Sandman.

A Orquídea Negra é uma super heroína resultado de uma combinação genética, uma híbrida meio planta, meio humana. Quando uma ‘versão’ sua morre, outra está pronta para tomar seu lugar, nascida do mesmo orquidário.

Mas a última Orquídea Negra morreu de forma abrupta e violenta e aquela que despertou para retomar sua consciência encontra-se confusa demais para fazer sentido de alguma coisa. Ela parte em busca de respostas sem perceber que deixa atrás de si um rastro de sangue – sua própria existência é algo suficientemente precioso para que ninguém menos que Lex Luthor despeje asseclas e não poupe recursos em sua perseguição.

Para completar, há um cientista brilhante, um ex-marido que acaba de deixar a cadeia, uma poderosa organização criminosa e o Monstro do Pântano, não necessariamente nessa ordem.

É uma história que pode parecer clichê, mas é incrível como Gaiman consegue imprimir algo de etéreo, místico e delicado num conto tão pesado em violência e destruição, ao mesmo tempo em que foge de tudo aquilo que você espera de uma típica história em quadrinhos: logo ao início dela, o vilão observa para a heroína que não pretende fazer discursos; ele conhece os paradigmas e não dará chance para que ela possa reverter a situação – e nessas palavras você já entende que essa não é uma história comum, da qual você já pode de princípio adivinhar qual vai ser o final.


A Coruja


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