1 de junho de 2013

Gazeta de Longbourn Apresenta: These Three Remain

He loved her. It was as simple and as complicated as that.
Valeu à pena persistir na trilogia de Aidan, a despeito de muito ter deixado a desejar o segundo volume. Na minha opinião, de forma bem franca, mais valia ter pulado completamente todo o rolo de intrigas de Duty and Desire, e passar direto para Rosings e depois para o crescimento de Darcy após a magnífica resposta de Elizabeth Bennet a muito pouco cavalheiresca ‘primeira declaração’.

É exatamente nesse ponto em que começamos o livro: Darcy decidiu de uma vez por todas deixar a lembrança de Lizzie ir embora já às portas de Rosings, quando de sua visita anual a Lady Catherine – só para encontrar a própria criatura que vem assombrando sua vida dormindo e acordado, fazendo-o ansiar por coisas que não têm lugar real em sua vida bem ordenada.

Pouco a pouco, ele sucumbe ao encanto da moça e uma dos pontos interessantes do livro é exatamente mostrar como é que Darcy conseguiu confundir completamente as intenções de ‘La Bennet’ (como o Coronel Fitzwilliam a chama), acreditando piamente que mais que esperada, sua declaração era mesmo desejada.

Após o fiasco de sua declaração, a princípio, Darcy sente-se traído, está raivoso do mundo, não consegue realmente entender como foi capaz de se enganar tanto. Mas após uma situação bastante complicada (que poderia ter se desenrolado num caso de chantagem, traição e dor de cabeça eterna para o senhor de Pemberley) e uma noite de bebedeira (e uma das cenas mais divertidas do livro é ver Darcy perdendo por um vez o controle, para muito além do seu limite em termos de brandy, o que é compreensível diante da enrascada em que ele quase se mete) para conseguir confessar aquilo que lhe está engasgado na garganta, ele finalmente percebe a realidade das palavras de Lizzie e começa a tentar emendar seus modos orgulhosos.

E, é sempre bom lembrar que, quando ele o começa a fazer, Darcy não tem perspectiva nenhuma de voltar a encontrar Elizabeth. Ele procura mudar não para fazer com que ela reveja sua posição e se jogue nos braços dele, mas porque genuinamente deseja ser um homem melhor.

É uma transformação fascinante, especialmente porque envolve mais que o próprio Darcy: você vê o crescimento de Georgiana (e devo dizer que a Georgiana de Pamela Aidan é uma personagem absolutamente adorável), a renovação da amizade com Bingley em termos menos presunçosos e mais igualitários, e, por conseqüência disso, um ganho de segurança por parte do Bingley – que o possibilitará mais tarde voltar para Jane.

E, óbvio, há o reencontro com Elizabeth em Pemberley, quando ele menos esperava, e todos os fatos subseqüentes. Os sentimentos – e a forma de expressá-los – que ele professava por Lizzie antes nesse ponto ganham contornos muito mais maduros, respeito e admiração somados à paixão que o conseguira cegar completamente antes.

These Three Remain é, enfim, um livro muito gostoso de ler, uma releitura à altura do original de Austen, mais que indicada para todos aqueles que amam o devotado e passional Mr. Fitzwilliam Darcy dos Darcy de Pemberley.


A Coruja


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