9 de abril de 2013

Para ler: Adverbs

How do you forget something? You just walk away from it, those who are still alive. There are so few clearings in our hearts and minds, so few places where something can't grow on top of whatever happened to us before, and this is love too.
Eu não me lembro mais onde que vi um comentário sobre esse livro – acho que em algum dos blogs literários que acompanho... o caso é que tal comentário deixou o nome do livro na minha cabeça e uma vez que estou a reler Desventuras em Série, fiquei curiosa sobre a carreira do Daniel Handler e encontrando por acaso esse volume num sebo, decidi-me a lê-lo.

Adverbs é uma série de contos que, a depender de como você leia, podem estar todos conectados ou não (eu escolhi ler como se cada história fosse o desdobramento da outra, mas aaqui, você escolhe), todos investigando a natureza desse sentimento tão estranho que é o amor.

Advérbios abrem cada capítulo e servem para descrevem não quem ou quando se ama, se é ou não correspondido, mas como é o processo de se apaixonar – imediatamente, subitamente, particularmente, freqüentemente... há amores não correspondidos, amores silenciosos, amores antigos e o autor consegue nunca cair no clichê ou no piegas. Seus personagens são muitas vezes ambíguos e não necessariamente gentis e delicados, como pensamos ser os apaixonados.

Na maior parte das vezes, eles têm a delicadeza de um rinoceronte solto numa loja de cristais (sempre quis usar essa metáfora!).

Os contos guardam ainda um humor que é bem próprio do Handler, mesmo nas situações mais estapafúrdias; um humor que brota involuntariamente de situações cotidianas, que parece trivial, mas não o é.

É o homem que termina uma relação e ao entrar no táxi se apaixona à primeira vista pelo taxista; é o garoto que cuida da entrada do cinema e fantasia em se tornar o herói de sua companheira de trabalho, é as conversas de estranhos no bar, é a forma como às vezes o passado parece te bater à porta quando é menos conveniente.

Há certos temas recorrentes e metáforas que se repetem (aves que gostam de coisas brilhantes, vulcões, a incapacidade de se encontrar o amor numa boate escura), que muitas vezes nos causam uma estranheza que também faz parte do amar. É o não saber o que fazer com as mãos, puxar assuntos sem qualquer nexo, tudo na tentativa de manter a conexão que acreditamos existir com o outro.

Não é um livro que eu recomendaria para qualquer leitor de Desventuras em Série - coisa que alguns fãs talvez façam. Não leia Adverbs porque gostou da triste vida dos irmãos Baudelaire: o humor até pode ser parecido, mas esse volume exige uma maturidade maior, uma sensibilidade e uma mente aberta porque Handler nem de longe se adequa aqui aos modelos sociais que costumamos encontrar nas histórias de amor.

Mas, se der uma chance de verdade, é um livro que vale à pena ser conhecido, que vale à pena ser lido, daquelas para se apaixonar... perdidamente.


A Coruja


____________________________________

 

2 comentários:

  1. Adverbs não foi traduzido para o português... Uma pergunta para lê-lo em inglês. Ele possui um vocabulário muito difícil? Obrigado

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Fernando, o vocabulário em si, eu não considerei muito difícil. O problema é que existem muitos trocadilhos que se você não os entende, as histórias perdem uma boa parte da graça.

      Excluir

Sobre

Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

Cadastre seu email e receba as atualizações do blog

facebook

Arquivo do blog