23 de fevereiro de 2013

A Vertigem das Listas: Duas Palavras Favoritas


Lulu: Segundo vertigem do ano, fui eu que dei o tema e acabei de última hora mudando minha idéia inicial para outra que estava me deixando mais curiosa e que talvez coubesse melhor no número de fevereiro...

Assim é que agora vamos tratar de nossas Duas Palavras Favoritas, tema inspirado na famosa canção de Mary Poppins, Supercalifragilisticexpialidocious.


Ísis: Que, de trás pra frente, é...

Lulu: “Of course you can say it backwards, which is Suoicodilaipxecitsiligarfilacrepus”…

Ísis: Um dia eu fui capaz de dizer isso…

Dani: Eu ainda não consigo...

Dé: O que leva à pergunta: Quê?!

Lulu: Dé, se você realmente não sabe é porque não teve infância... Cara, é MARY POPPINS!

Mas enfim, voltando ao assunto... É, eu sei, tenho idéias meio loucas...


Ísis: E eis que cá estamos, por causa delas... XD

Dani: Somos todos loucos aqui. Como diria o Gato de Cheshire. ^^

Dé: Eu sou normal!

Dé: E eu também!

Ísis: Excelência, o cozinheiro real está apresentando falhas técnicas...

Lulu: Sem comentários...

Bem, algumas regras para isso não virar bagunça... primeiro, a escolha deve ser de uma palavra e não do sentimento que tal palavra evoque. Não digo que sua palavra favorita não deva ser uma ligada a alguma história pessoal, mas que não escolhamos a palavra simplesmente por seu significado (amizade, amor, sabedoria, e outros clichês). Segundo, a palavra deve ser no idioma português ou a Ísis vai nos jogar russo ou chinês na cabeça, sei lá...


Ísis: Ei, por que veio pra cima de mim? Quem gosta de brincar com alemão na conversa é o Dé!

Lulu: Porque você é uma representante do caos em minha ordem. XD

Ísis: Fala assim não que eu me emociono...

Dé: Und meine Deutsch ist nicht sehr gut.*

Dani: É impressão minha ou essa rainha é meio paranóica com os anarquistas?

Lulu: Qu'on leur coupe la Tetê!** Bem, se sou uma rainha, parece-me bastante lógico que meu principal medo sejam levantes populares, não é verdade? Veja o exemplo de Maria Antonieta...

Ísis: Vou achar muito engraçado se um dia alguém mandar cortar a dela...

Lulu: Agora, para explicar o rolo, vou começar, certo?

Minha primeira palavra favorita é o verbo REITERAR.

Sou a primeira a reclamar do que chamo de jus esperneandi, o juridiquês de encher lingüiça; sempre que escrevo uma petição, tento fazê-la de forma clara e objetiva, que seja compreensível para o leigo, para quem no final das contas, a lei foi feita.


Ísis: Preciso dizer que adoro o jus esperneandi! Toda vida que ouço ou leio isso, não consigo evitar rir ou, pelo menos, sorrir. Contudo, vou ter que discordar sobre o “pra quem a lei foi feita” – foi feita pra todos, leigos, ou não. Isso, porém, não significa que eu discorde do seu ponto: fazer petições simples e objetivas com certeza diminuiria o trabalho dos juízes/desembargadores (veja que evitei usar a expressão “abarrotamento judiciário” – pra não usar uma mais complicada).

Todavia não nego que é superdivertido usar algumas palavras que ninguém mais nessa vida usa...


Lulu: Eu entendo seu ponto sobre a questão de ‘leigos’ e operadores do direito... fiz uma ligeira... não-generalização? O que quis dizer foi: a pessoa que está sendo julgada ou que está atrás de um direito deveria ser capaz de entender as leis que o acusam ou protegem.

Ísis: Aí, sim. (Eu tinha entendido, mas cadê o caos, né? XD)

Lulu: De toda forma... Há alguns vocábulos – que não são tanto um linguajar técnico mas que no dia-a-dia não usamos tanto – que terminaram por escorregar para minha fala cotidiana. E percebi isso de uma forma curiosa: era aniversário de um primo meu (que também é advogado) e minha mãe passou quinze minutos dando votos de parabéns e falando tudo o que eu ia falar.

Para não soar repetitiva, eu simplesmente disse, quando afinal consegui pegar o telefone, que reiterava todos os felizes votos de minha excelentíssima Dona Mãe. E ela caiu na gargalhada achando a coisa toda muito bizarra, mas reiteramos de um lado e de outro nossas respectivas esperanças de felicidades e desde então noto que o reiterar é algo constante em minha fala.

Não é pedantismo meu, nem algo que faça conscientemente, no estilo Mr. Collins tecendo elogios a Rosings, mas a reação de D. Mãe foi tão exagerada que a ocasião marcou e essa palavra se tornou uma favorita minha.


Ísis: O pior é que vivo usando ela também. Vamos montar o “clube das reiteradas”? Se bem que não tá soando nada bem isso... Sugestões? ^^

Lulu: Então, quando eu li seu clube das reiteradas na minha cabeça soou como bordoadas, que também é uma palavra bonita que soa bem, não acha? Podemos ser os reiterantes? Não sei, Ísis, a gente pode apenas mandar um ofício reiterando nosso uso do verbo...

Ísis: MP ou AR? Essa conversa está saindo dos trilhos, Vossa Excelência há de reiterar. (risos)

Só falta a conjugação agora: eu reitero, tu reiteras, eles reiteram...


Dani: Cruzes... olha o que dá quando o caos e a ordem se unem...

Dé: Posso começar a falar em biologuês, se isso te fizer feliz, filhinha.

Dani: Biologuês? Fiquei curiosa agora...

Ísis: Faz de nós duas.

Dani: Enfim, seguindo as instruções de Dona Lulu, para escolher uma palavra de que gosto, também procurei buscar algo do meu ramo, e que não costumo usar com tanta freqüência, a palavra “estupendo”. As únicas vezes que me lembro de usá-la com real significância foram em frente a obras de arte tão perfeitas e maravilhosas que não haveria outra forma de se elogiar.

Fora que a sonoridade dela é bem gostosa, você tem de encher a boca para falar, não dá para murmurá-la como qualquer coisa. Podem tentar, ela sempre vai sair forte e chamativa.


Lulu: Gostei da escolha e da explicação. Foi ESTUPENDA!

Ísis: Reitero a estupenda posição da rainha.

Dé: Então... vou quebrar um tabu do Coruja aqui... Por que, todos perguntam? Porque a minha primeira palavra é um palavrão.

“Caralho” é uma palavra com uma flexibilidade ímpar. Se você quer reforçar o quanto uma coisa é boa, ela é “boa pra caralho”. Se você deu uma topada na quina da parede, só “caralho” define. Se você quer xingar alguém, é só adicionar um “...do caralho” no final, que a intensidade do xingamento é aumentada exponencialmente.

E sim, eu falo palavrões. Pra caralho.


Ísis: Estava eu sob a impressão de que éramos proibidos de falar palavrões aqui. Tanto que eu estava tentando imaginar como o Dé faria essa escolha sem poder usar tais palavras...

Dani: Eu nunca achei que fosse proibido falarmos palavrão por aqui, só nunca me ocorreu a necessidade de usar um... Gostei da escolha do Bode. Todo mundo fala palavrão, e pessoalmente nunca achei nada de errado em se falar. São só palavras afinal... fora que há formas muito piores em se ofender alguém se precisar falar um belo “foda-se” ou “puta que pariu”...

Dé: Eu não ensinei ela a falar assim, eu juro. Só servi de exemplo. =P

Lulu: Sem maiores comentários porque me pediram expressamente para não usar o veto imperial (Não seria real? Acho que o Dé anda me confundindo ou então decidiu me associar à Marcha Imperial...)

Minha segunda palavra tem uma explicação mais prosaica, mas a mesma origem: é algo que se infiltrou no meu vocabulário cotidiano por conta de petições jurídicas: é o DORAVANTE, que na minha cabeça sempre soa como um forte e airoso ‘Dora, avante!’

Olá, que explicação mais fajuta, não é mesmo? Mas eu gosto da sonoridade do ‘doravante’.


Ísis: Putz, logo se vê que somos do mesmo ramo. Também tenho uma paixão por essa palavra. Só que eu tenho que tomar cuidado ao falá-la em voz alta porque, semelhante à sua imaginação retro descrita (risos), se a minha pitbull, a Thora (pronuncia-se “Tora”, em português) me interpreta mal, o diabo vem pra janta. Imagina aí, eu falo “Doravante o Dé...”, e ela entende como “Thora, avante (no) Dé!”?

Dé: Pq em mim?! O que eu fiz pra Thora?! (Pq se for “o que eu fiz pra ti?!”, aí aparecem motivos)

Ísis: Eu não me responsabilizo por algo que não disse!

Dani: Eu juro que não li isso... - -“

Lulu: Dé, se eu fosse você, passava bem ao largo da Ísis quando ela vier visitar... ou quando fores visitar ela. Veja que ela já está providenciando a defesa para quando mandar a Thora avançar em você...

Ísis: Prevenido está aquele que se antecipa... E agora o bode mata a elefanta... Acho que é uma boa hora pra eu apresentar as minhas duas palavras preferidas (em português). E comecei mentindo aí: não faço idéia de quais REALMENTE sejam minhas palavras preferidas (em português). “Saudade” é uma delas, e, embora não seja pelo motivo que Lulu pensa (o sentimento), eu sei que ela vai me bater de qualquer jeito, então vou ser mais prática (ou morrer tentando).

Lulu: Não matarei, você tem direito a sua opinião *Dé, a quantas anda a fervura do caldeirão?*

Dé: *Aumenta o fogo*

Dani: Posso pintar um quadro para a sepultura também?

Ísis: Medo... A Coruja com fome de elefante pediu ao bode pra cozinhar... Se bem que nunca comi carne de elefante... O que estou dizendo?!!!!

Dani: Já comi carne de bode e adoro. Adoooro uma buchada de bode. Mas isso não vem ao caso, só a título de informação. XP

Ísis: Você tava era literalmente pondo mais lenha na fogueira, que eu vi!!!!! Mas se te faz feliz, pelo menos pinta um quadro na minha lápide, please. (Vou ter direito pelo menos a uma lápide, Excelentíssima?)

Dani: Peraí, agora você está pedindo para ser cozinhada?

Ísis: Não foi bem pra ser cozinhada que pedi... E, só pra constar, o quadro da lápide (que foi o que pedi) NÃO é pra se referir a essa cena também não! Quero algo mais bonitinho, que eu possa ficar olhando pela eternidade...

Lulu: Gosto de carne de sol de bode, bem assada, do jeitinho que minha avó faz, já que estamos falando de preferências culinárias...

E sim, há de se ter direito a lápides...


Dani: Que delícia...*babando feito Homer Simpson*

Ísis: Não tô gostando do rumo dessa conversa... Melhor voltar ao assunto. Pois bem, eu jurava que “defenestrar” seria uma das palavras escolhidas pela Lulu. Não só soa bem pra caramba, como você adora fazê-lo! XD

Lulu: Eu gosto muito de ‘defenestrar’ e tinha esperança de que ela aparecesse por aqui, mas como eu já tinha escolhido minhas duas palavras, ficava difícil somar mais uma, né? Ela seria minha terceira escolha...

Ísis: Faz sentido. Achei estranho, confesso, quando ela não apareceu na sua lista. Eu jurava que teríamos de brigar por ela (lá vem o caos!)... Desde que eu a olhei no dicionário pela primeira vez (e foi por culpa da Lulu que o fiz, devo dizer), me apaixonei por essa palavra. Adoro o jeito que ela soa; bolo de rir quando penso nela enquanto, ao mesmo tempo, lembro-me da louca que eu chamo de amiga; e, por fim, amo o fato de ela soar como uma palavra de significado horrível, mas não necessariamente o ser. Como muita coisa nessa vida, a coitada é apenas mal entendida.

OK, palavra número dois... uhm... Vou colocar “lascar”. Porque gosto como ela soa, porque adoro dizê-la e porque acho que ela soa engraçado, principalmente dependendo do tom que se utiliza ao falá-la. XD

E, sério, “vá se lascar!” é muito divertido de dizer, sem precisar ser (muito) antiético.


Dani: Essa é uma expressão que costumo usar muito também! ^^ Adoro xingar os outros sem estar realmente ofendendo.

Ísis: Obrigada!!! Alguém me entende nessa vida!!!

Dé: Eu costumo ser só UM POUCO mais... incisivo? =P

Lulu: Ahã...

Dé: E a Isis ainda não explicou porque gosta da palavra “saudade”...

Ísis: Porque é uma palavra que aparentemente só existe no português, e eu tenho orgulho disso.

Dani: Ok, a minha segunda palavra é provavelmente um dos maiores maus que sofro (e tenho certeza de não ser a única), “procrastinar”. Pessoalmente não gosto da sonoridade dessa, tanto que prefiro usar o termo “protelar” no lugar dela na maioria das vezes, mas admito que também tem algo de divertido em se falar “procrastinando”. Soa meio... vulgar, jocoso, mas é gostoso de dizer. Eu procrastino, tu procrastinas... hehe...

Fora que o significado dela, apesar de ruim, ser muito bom enquanto se pratica! XD


Ísis: Prefiro não comentar...

Dé: Procrastinação domina.

Lulu: Eu que o diga...

Dani: Não acho que você sofra disso, mamãe. Você até assusta de tão dedicada que é nas coisas que faz... E com seus mil e um prazos e projetos...

Lulu: O que não significa que volta e meia eu não pense em mandar todos os prazos para os quintos dos infernos e queira ficar de papo para o ar pensando na morte da bezerra.

Ísis: Prefiro não comentar isso também. Duas sentenças de morte no mesmo mês não me soa nada inteligente...

Dé: A minha segunda palavra é... “comida”!

Sério, quem não gosta de comer? EU adoro comer, a ponto de que aprendi sozinho a cozinhar.

Doces, salgados, amargos, azedos... todo tipo de comida tem seu charme. Curiosamente as limitações da minha dieta não estão me fazendo subir pelas paredes...


Dani: Senhor, essa palavra é a favorita de meio mundo!!! Talvez só não das anoréxicas...

Ísis: Se eu tivesse a dieta de um bode (leia-se capim), eu não estaria dizendo o mesmo... Cruzes!

Dé: Sou (predominantemente) carnívoro, com muito orgulho! Nada de comer só mato o dia inteiro pra esse bode aqui... Só quando a dieta manda... Saco, porque fui decidir perder peso mesmo?

Ísis: Porque se você continuar com carnes, a rainha, que aparentemente adora carne de bode, vai mandar é o cozinheiro pra fogueira...

Lulu: Não adoro carne de bode. Na verdade a carne de bode assada é uma exceção à regra; normalmente minha mãe e minha avó preferem fazê-lo cozido, com molho e dessas receitas (especialmente as mais sangüíneas) eu não gosto nem do cheiro.

Para ser sincera, o fato de que D. Mãe adora chupar o tutano dos ossos do bode às vezes me dá uma certa náusea.

E como foi que essa conversa desvirtuou tanto do tema? Encerremos por aqui por hoje e mês que vem voltamos com mais listas – e prevejo que até o fim do ano o Vertigem estará com o tamanho de uma tese de pós-doutorado com a gente enfiando tanta conversa pela tangente.

Diga tchau, Lilica!


*Trad: E meu alemão não é tão bom.
**Trad: Cortem as Cabeças!
***No fim das contas quem esnobou a regra foi a própria rainha... HEHEHE!
****Vou colocar um aqui também, só para não ficar de fora. ^^


____________________________________

 

2 comentários:

  1. Asausuhausah adorei este tema. Uma das minhas palavras favoritas sempre foi CARNE. E quando a ouço sempre me vem coisas diferentes a mente (desde salivar até os "pecados da carne"). E por coincidência, é uma das palavras mais usadas no meu curso também (pegue um TCC de Cênicas e vc conta milhões de carne e corpo). Também adoro o som dela em inglês FLESH. Eu também gosto do caralho. (E isto ficou bem estranho), mas só depois que o Dé falou, mas me dei conta que esta é uma das palavras que mais uso no dia a dia (só pareço uma garota delicada =). Acho que tudo bem usar nas postagens tipo "este livro é do caralho". Mas não seria nem um pouco legal alguém usar nos comentários com intuito pejorativo.

    Adorei esta loucura de vocês!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Estamos aqui para servi-la (e reitera-la e defenestra-la e ...)

      Excluir

Sobre

Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

Cadastre seu email e receba as atualizações do blog

facebook

Arquivo do blog