29 de janeiro de 2013

Clube do Livro (Janeiro): A Mãe do Freud

"A Mãe do Freud" é uma coleção de contos e crônicas de todo um universo recriado com humor e inteligência. De forma irônica conta a história de celebridades que possuem parentes no Paraná, o encontro das mães judias com seus filhos extraordinários, que promovem crimes de colarinho branco. Um conto sobre um comando especializado em atendimentos sexuais de emergência, ou um grupo de amigos que decide ficar eternamente na mesa de um bar.
Esse mês no Clube do Livro o tema foi ‘livros de contos nacionais’ e, como depois de tanto estresse no final do ano passado, estávamos precisando de alguma coisa mais leve, deu o Veríssimo na cabeça.

Mas é engraçado, porque eu não esperava a identificação que tive com o livro. Lá no clube, fizemos comentários conto por conto e aí entraram detalhes sobre o contexto da época em que eles foram publicados – 1985 – e sobre os desdobramentos que alguns dos fatos que estavam no fundo daquelas histórias tinham tido em nossas vidas.

É um livro de contos de humor, mas nos trouxe tanto mais coisas além dos risos rasgados com situações algo bizarras... trouxe um debate político, sobre a ditadura, sobre a recessão, sobre o início da abertura econômica, a inflação galopante; trouxe lembranças de infância, histórias e anedotas trocadas.

Recordar é viver, como já diz o clichê, e eu fiz muito isso com esse livro. Fez-me resgatar um pouco as Histórias de Trancoso que ouvi na infância, de chegar na casa da minha avó e sentar no banco da calçada e a vizinha, Nenê de Tali ou minha madrinha se abancarem na cadeira de balanço e começar a contar causos, os fantasmas da Casa Nova (que foi a primeira casa da cidade, então dificilmente se poderia chamar nova...), as assombrações soltas no mato, lobisomens, princesas, 'carpinteiro do meu pai, não me cortes meus cabelos, minha mãe me penteava, minha madrasta me enterrou... só por causa da figueira que o pássaro bicou...'.

É uma coisa que minha geração ainda pegou, esse ouvir histórias contadas numa noite que é noite de verdade, que você pode deitar no chão do alpendre e contar estrelas, que a gente ia para a casa da roça e ficava à luz do lampião ouvindo só o vento ao nosso redor - e ainda hoje, quando vamos para a casa da minha avó, fazemos graça com essas histórias que ouvimos 'ah, se não vai, nego, não vou...' Só que meus primos mais novos (uns dez anos mais novos) só tiveram contato com isso tarde demais e têm zero de interesse no assunto: vão para Mirandiba e ficam o tempo todo pendurados na internet do celular, sem se dar conta de que a história deles está toda contada por ali...

Enfim, é um livro divertido, às vezes meio sem pé-nem-cabeça (ou pé e cabeça, depende da interpretação), extremamente próximo da nossa realidade, da nossa história.


A Coruja


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