24 de novembro de 2012

A Vertigem das Listas: Onze Damas Astutas


Lu: Caramba, minha gente, estamos já às vésperas do fim de ano e ainda estou correndo como cobra de duas cabeças sem saber para que lado vou primeiro... especialmente porque, se tudo der certo, o Dé estará chegando aqui ao Recife amanhã e tenho de dar jeito de dar tempo de cumprir todo o roteiro turístico que estabeleci para ele...

Dé: Roteiro este que eu ainda não vi, não dei opinião, e rezo que tenha sobrado tempo pra eu fazer as minhas provas... Seja o que Deus quiser! =D

Dani: Conhecendo essa aí, desista, amigo! XP

Lu: Eu deixei espaço para as provas, não se preocupe.

Mas, bem, deixemos de lado por um momento a correria, os planos e as festas... e tratemos de começar o vertigem desse mês, que foi um dos meus temas favoritos desse ano (por sinal, já estamos organizando a lista do ano que vem e vocês têm sugestões?)... Novembro, no vertigem, falaremos sobre Onze Damas Astutas.

Preparados para essa que é a nossa penúltima lista do ano?

Bem, vou começar com a mais astuta de todas as damas. Aqui, talvez seja bom pensar que astúcia não é sinônimo de sabedoria (ainda que muitas das damas aqui presentes somem as duas características) – é algo mais instintivo e uma habilidade nem sempre apreciada – especialmente por aqueles que caem pela astúcia dos outros... A raposa é um símbolo da astúcia e acho que poucas personagens literárias me fazem lembrar tanto de uma raposa quanto Irene Adler, A Mulher no cânone de Sherlock Holmes.

Irene é capaz de reagir numa situação em que tudo parece perdido, e virar a mesa em seu favor, deixando um dos homens mais intelectuais do mundo (ao menos, do mundo criado por Doyle) com cara de tacho.


Dani: Não deve existir prazer maior no mundo do que deixar Sherlock com cara de tacho...

Dé: Curiosamente, eu que lembrei de incluir a Irene...

Lu: Não importa, porque sou eu que mando nessa bodega e ela entrou na MINHA lista.

Dé: *Se prepara para correr para as colinas*

Dani: Por que sempre para as colinas?

Dé: Minha primeira escolha eu conheci muito antes de ler a peça em que ela aparece. Eu a conheci em uma das adaptações da peça para TV, em O Cravo e a Rosa (Dani: não foi o único, com certeza!), e novamente em 10 Coisas que Eu Odeio em Você (ótimo filme, por sinal). Estou falando de Catarina, A Megera Domada.

Catarina é uma mulher, no mínimo, geniosa. Ela assuntou um sem número de pretendentes, normalmente jogando alguma peça de decoração bem pesada em direção ao infeliz. E o que acontece com Petruchio? Ela consegue que ele faça todas as suas vontades e, ao mesmo tempo, ainda faz parecer que todas as ideias são dele! Pobre Petruchio...


Dani: Sabem o que dizem, não é? O homem é a cabeça da família, mas a mulher é o pescoço, que pode virá-lo para onde bem entender.

Lu: Eu nunca tinha ouvido esse listado, mas ele agora vai entrar na minha lista! Adorei!

Dé: Por que será que não gostei desse ditado?

Dani: Porque são 2 pescoços contra uma cabeça... XP

Como minha primeira escolha, escolhi a jovem aventureira Coraline (
Dé: CORALINE!!! \o/), de nosso amado Neil Gaiman. Coraline não é só esperta, mas também muito corajosa. Não importa o quão estranho as coisas vão ficando enquanto ela se aventura no “outro lado da porta”, por falta de nome melhor, ela nunca desiste de continuar tentando salvar os pais, e sempre tem as mais improváveis e geniais ideias para cada uma das estranhas situações que aparecem para ela.

Dou especial atenção à sua última cartada contra a “outra mãe”, a cena do poço, mas na versão do livro (quem só viu o filme, vá ler!!). Essa parte realmente me fez dizer: Caramba, moça, você é esperta mesmo!


Dé: Eu adorei o filme (sou fã de stop-motion) e gostei ainda mais do livro. Excelente escolha, Dani. =D

Lu: Minha segunda dama é tão astuta que foi capaz de enganar alguém que, supostamente, era geneticamente programado para jamais ser enganado – tanto assim que a jovem Lyra Belacqua acabou recebendo o epíteto de ‘Lyra da Língua Mágica’.

Protagonista da trilogia Fronteiras do Universo, de Philip Pullman, ela é de uma astúcia ímpar do começo ao fim – e não falo isso pela capacidade sobrenatural de ler o aletômetro, mas de sair de toda enrascada em que se mete, muitas vezes dobrando todas as regras, tudo o que se pode esperar de uma garotinha num mundo e numa época que não são nada fáceis.


Dé: Eu ainda tenho que ler essa série. Procurei bastante os livros na época do lançamento do filme, mas acabou caindo algumas posições na minha lista de prioridades...

Dani: Isso me acontece o tempo todo também...

Lu: Bem, eu mais que recomendo essa história. Ela é simplesmente fora de série.

Dé: Minha segunda escolha também é conhecida por ter sido a primeira a dobrar um certo homem. No caso, o homem em questão era um mago chamado Howl.

Curiosomente, Sophie Hatter não começa merecendo estar nesta lista. Sendo a mais velha de 3 irmãs, ela sempre achou que seu destino seria viver eternamente na loja de chapéus que era de seu pai. Tudo isso começa a mudar quando a Bruxa das Terras Desoladas a confunde com sua irmã mais nova, Lettie, e a amaldiçoa transformando-a em uma idosa.

Depois de acabar se tornando a faxineira no castelo de Howl, Sophie vai aos poucos ganhando mais e mais confiança e tomando controle das rédeas que nem sabia que segurava.


Dani: Putz, preciso comprar esse livro!!!

Lu: Sério que você ainda não leu O Castelo Animado, Dani? Precisamos corrigir essa falha! Mas pelo o filme você assistiu, né?

Dani: O filme assisti sim, mas nunca é a mesma coisa...

Dé: Filme é bem diferente do livro, mas ainda assim muito bom.

Dani: Para minha segunda escolha, peguei o meu livro preferido de todos os tempos, embora a personagem não seja a minha favorita, a pequena Alice de Alice no País das Maravilhas.

Impossível dizer que Alice não é astuta, quando, mesmo caindo nesse mundo maluco e completamente confuso, ela consegue se mostrar sempre correta, objetiva a racional. Não importa o quanto todos pareçam loucos ao seu redor, a colocando em situações difíceis e inconsequentes, ela sempre mantém a cabeça muito bem presa no lugar e tenta resolver as coisas da forma mais racional e prática possível.


Lu: Minha lista pessoal fecha com a ardilosa Milady de Winter, de Os Três Mosqueteiros. Adoro Dumas, adoro os personagens totalmente pirados dele... e adoro, amo de paixão Milady. O que é estranho, porque ela se porta como uma vilã para com Athos, que é meu segundo mosqueteiro favorito.

O primeiro é o Aramis e adoro Aramis exatamente porque ele é pura astúcia e garbosidade...


Dani: Ele também é o meu primeiro favorito! ^^

Lu: E é por essas e outras que você é minha filha ;)

Mas, enfim... eu não concordo muito com o julgamento que fazem de Milady. Vá lá que ela não é exatamente flor que se cheire, afinal, ela é uma espiã e assassina a serviço de Richelieu... mas, considerando tudo o que aconteceu, e como ela veio a ter a flor-de-lis tatuada... ela é uma criatura sem dúvida alguma admirável...


Dani: Mas em geral, os malvados não são em sua maioria muito astutos?

Lu: Bem, é o mínimo que se espera de um bom vilão. Eu já disse que em umas duas ou três peças de trabalhos de escola e faculdade, eu sempre fiquei com o papel de vilã-da-risada-maligna?

Dé: Nota mental: Tomar mais cuidado quando a Lu estiver por perto. *Paranóia mode: ON*

Dani: Cuidado com a visita a ela, então. XD

Dé: A minha lista finaliza com uma mulher, no mínimo, diferente. Ela conseguia prever o futuro, e com uma precisão tão grande, que seus descendentes se tornaram “descendentes profissionais”... ao menos alguns deles.

Agnes Nutter, Bruxa, aparece em Belas Maldições (Valeu, Lu!) e, desde o começo, já sabia de tudo que iria acontecer. Seu livro de profecias continha, de maneira (quase) detalhada tudo que as pessoas precisavam saber. Bom mesmo é o motivo pelo qual ela decidiu publicar o livro...

E claro, sendo uma bruxa, ela foi parar na fogueira... E MESMO ASSIM ELA DEU A ÚLTIMA RISADA!


Dani: Ah, Neil Gaiman... o que faríamos sem ele?

Lu: Agnes Nutter é uma das melhores sacadas de Belas Maldições. Agora... considerando que uma contra-parte dela aparece na série Discworld, eu desconfio que ela foi obra da pena do Pratchett ^^

Dani: Para a minha última escolha, chamo Katniss Everdeen de Jogos Vorazes. Quanto a essa, não há dúvida nem discussão em relação à esperteza e astúcia. Ela pura e simplesmente só sobreviveu aos jogos devido a elas. Logo que entrou na Arena ela mostrou que sabia como se virar, ela sabia se proteger, encontrar locais seguros para passar a noite, como encontrar comida e água, e não demorou a também descobrir como ganhar o público e os patrocinadores. Ela soube até mesmo como se aproveitar os sentimentos do amigo para conseguir se ajudar. Cruel, eu sei, mas eficiente mesmo assim.

Dé: Ainda não li os livros, mas estou tentando convencer uma amiga a me emprestar. Assim que eu ler, dou meu parecer. =P

Lu: Agora precisamos de nomes que todo mundo concorde... Eu sugiro a famosa não-líder de todas as bruxas de Discworld, a temida e incomparável Vovó Cera do Tempo!

Dé: Vovó esta que eu só sei que é ranzinza, tem um humor bem ácido e não é uma pessoa legal... Tenho que ler mais Discworld.

Dani: Eu também... Por enquanto só tenho um exemplar do Pratchett. Preciso aumentar a pilha. Ei, quem sabe não dá outra mesinha de centro?

Mas pelo que já conheço sobre essa senhora, tenho de dizer, ela é o máximo! Ranzinza ou não a mulher é genial e me surpreendeu praticamente em todas as suas aparições em Os Pequenos Homens Livres!


Lu: Dá uma mesinha de centro sim. Farei uma foto da minha coleção, acho que são mais de trinta livros... E com toda certeza; a Vovó é ranzinza, mas esperta como ela só e incrivelmente astuta – o suficiente para dar conta de proteger o mundo (mas principalmente Lancre) quando necessário.

O grande problema da mesinha de centro pratchettiana, Dani, é que os livros dele em português estão quase todos esgotados; quando você encontra é em sebo e pelos olhos da cara.

Mas eu sempre tenho fé que um dia eles voltam a reeditar... e a traduzir novos títulos...


Dé: O último nome da lista está acima da ralé apresentada até agora. Pelo menos em questão de títulos, já que Cersei Lannister é uma rainha! Rainha de SETE reinos, ainda por cima.

As maiores característica desta dama da alta sociedade são sua habilidade em jogar o “Jogo do Trono” e sua dedicação aos filhos (do irmão gêmeo) (
Dani: Uma relação adorável, realmente...). Tanto que ela usou o primeiro para exercer o segundo e no processo começou uma guerra civil. Manipuladora e ardilosa, Cersei conseguiu enganar toda Westeros e se livrar de quase toda a oposição contra ela.

Claro que ela tomou algumas decisões ruins no caminho (
Dani: Algumas?), e que haverá consequências para ela, mas isso não tira os méritos desta dama astuta.

Dani: De fato, não dá para contestar a inteligência dela. Acho que é a personagens mais ardilosa e manipuladora que já vi até hoje...

Lu: E com isso, creio que encerramos nosso vertigem de hoje... Vocês acreditam que mês que vem já é o último vertigem desse ano?

Dé: Pode ser o último do ano, mas não O ÚLTIMO! =D Se o mundo não acabar, é claro...


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8 comentários:

  1. Lu, quando vi o tema pensei logo que sua ideia desse tema era falar sobre Irene Adler, e realmente fiquei surpresa quando li que o partiu do Dé a sugestão dela e não de você.

    Uau Dano vou copiar a frase porque essa eu nunca ouvi.

    Adorei a lista de hoje.

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    1. Eu tinha colocado a Emília do Monteiro Lobato inicialmente, mas quando o Dé citou rapidamente a Irene, decidi deixar a Emília para uma lista de personagens não humanos.

      Minha memória anda uma coisa crítica... é o fim do ano...

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  2. Eu gostaria de fazer uma menção honrosa: Porcia! ^^

    E, que coincidência, Aramis também é meu mosqueteiro predileto... mesmo depois de mais velho e com a estampa do Jeremy Irons! XD

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    1. Vamos ter de implantar a menção honrosa para dar conta de todos os nomes que ficam de fora... xD A Porcia é decididamente um símbolo feminino de astúcia - mas, bem, praticamente todas as protagonistas femininas de Shakespeare são astuciosamente ardilosas...

      E numa nota final... Montaremos um clube de apreciação do Aramis pelo visto ;)

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  3. Amei! Só damas terrivelmente ardilosas! E acho que toda vilã tem que ser mesmo ardilosa, é isso ou perde a graça :/
    E toda hora eu e minha mãe fazemos a citação dessa frase Dani, não sei se você viu no mesmo lugar mas eu aprendi no filme Casamento Grego ^.^

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    1. Aí temos de perguntar à Dani onde foi que ela encontrou a frase, mas é muito boa mesmo, né?

      Engraçado que nem todas as nossas damas ardilosas são vilãs, muitas das citadas aqui são até as heroínas de seus contos. Vilã ou mocinha, o caso é que elas nos marcaram!

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  4. Amei esta lista! Mas achei que algumas das mocinhas de Austen iriam entrar na lista. Acho que cada uma delas tem um certo tipo de esperteza e sabedoria natas...

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    1. Então, eu até pensei em colocar algumas das mocinhas austenianas aqui... mas o problema do vertigem é que o número é limitado, o que significa que a gente tem de se contentar em lembrar o que dá para lembrar... acho que vou implantar ano que vem umas menções honorárias no vertigem...

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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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