11 de outubro de 2012

Desafio Literário 2012 : Outubro - Graphic Novel || Caçadores de Sonhos

O mundo era diferente no antigo Japão. No passado, criaturas mitológicas e lendas andavam sobre a terra, nadavam pelo mar e cruzavam o ar. Alguns seres eram gentis, outros cruéis. Alguns eram selvagens e outros, a muito custo, podiam ser domesticados. E então uma astuta raposa apostou que faria um humilde jovem monge perder a guarda de seu templo – mas acabou perdendo o próprio coração. E então um mestre demoníaco cobiçou a força daquele monge e decidiu roubar para si a vontade férrea que ele tinha em seu interior – a qualquer custo. E então o Rei dos Sonhos viu-se intervindo em favor de um amor que nunca deveria ter acontecido.
Quando terminei de ler a série Sandman pela primeira vez, senti algo como uma grande vazio, como estar à deriva, tantos pensamentos e emoções juntos que minha cabeça deu tilt... e emudeceu. Não há como quantificar gênio e não importa o quanto eu escreva, não conseguirei dizer o quanto a obra de Gaiman me marcou – importante, diferente, única, riquíssima.

Tão rica que para a alegria de seus fãs, ela nunca se esgota, podendo ser retomada por várias tangentes, aproveitando personagens secundários ou mesmo criando fábulas dentro do Sonhar. E é isso que esses encadernados de Sandman Apresenta fazem, histórias fechadas, que se bastam por si mesmas, revisitando o incrível universo e mitologia organizados por Gaiman.

Caçadores de Sonhos, em específico, mexe muito com os empréstimos à mitologia que Gaiman utiliza em sua obra, mergulhando fundo no folclore oriental.

Aqui temos um monge, um verdadeiro santo homem que, envolvido numa aposta, acaba por se tornar objeto da afeição de uma raposa. Quem conhece a mitologia oriental já deve bem saber que as raposas, além de astutas, são criaturas de incrível poder e a sensual Raposa dessa história terá de usar todo seu poder e astúcia.

Isso porque a vida do monge pelo qual ela se apaixonou está marcada para se extinguir muito em breve. Pela covardia, ignorância e ganância de um homem da cidade – um alto funcionário civil que, tecnicamente, nunca pôs os olhos sobre o monge na vida – o jovem foi amaldiçoado e deverá perder-se para sempre dentro de um sonho.

Para salvar seu amado, a Raposa faz uma barganha com o Senhor dos Sonhos... mas, o que ela não esperava é que a barganha acabasse por se voltar para ela, uma vez que se ela decidira se sacrificar pelo monge, o monge também decide se sacrificar por ela.

Não é uma história particularmente feliz... mas é incrivelmente delicada, sutil em sua sensualidade, agridoce em sua conclusão.

Existe também uma versão romanceada dessa história, com a soberba arte de Yoshitaka Amano – ainda não pude lê-la para fins de comparação, mas me disseram que ainda é mais poética e melancólica que a edição em quadrinhos. Seja como for, Caçadores de Sonhos está bem à altura do universo onírico de Sandman, um presente para todos os fãs do mestre Neil Gaiman.

Nota: 5
(de 1 a 5, sendo: 1 – Péssimo; 2 – Ruim; 3 – Regular; 4 – Bom; 5 – Excelente)

Ficha Bibliográfica

Título: Caçadores de Sonhos
Autor: P. Craig Russell
Tradutor: Érico Assis
Editora: Panini
Ano: 2011
Número de páginas: 148


A Coruja


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