27 de setembro de 2012

Projeto Pratchett: Making Money

“Why are you always in such a hurry, Mr. Lipwig?”

“Because people don’t like change. But make the change happen fast enough and you go from one type of normal to another.”
Finanças. Finanças, meu amigo. Como Pratchett consegue fazer FINANÇAS soar ENGRAÇADO? Ainda que num humor muito sutil e ácido, mas ainda assim... finanças não deveriam ser divertidas.

Making Money é o segundo livro da série Discworld que traz Moist von Lipwig como protagonista – e como são só esses dois livros do Moist (por enquanto), decidi resenha-los no mesmo mês para haver uma continuidade na lógica (que lógica) das resenhas.

Tudo mentira, na verdade... eu só queria uma desculpa para ler mais de um livro do Pratchett esse mês. Hum... ei, eu preciso de desculpas? Ok, estou perdendo o foco, onde estávamos mesmo?

Ah, sim, finanças... então... Após os eventos de Going Postal, o Serviço Postal de Ankh-Morpork se reestruturou, a companhia responsável pelos clacks mudou de mãos, Moist e Adora estão noivos e tudo parece ir bem para o nosso trapaceiro favorito... exceto, claro, pela falta de golpes, turbas enfurecidas, perseguições e possíveis enforcamentos – o que faz a vida se tornar suficientemente tediosa para que Moist passe a tentar arrombar suas próprias gavetas – apenas para manter-se na ativa, sabe como é...

Sensível aos problemas de seus funcionários (há!), Vetinari mexe os pauzinhos para que Moist assuma o cargo de mestre do Royal Mint (o equivalente deles à nossa Casa da Moeda) e de cuidador do herdeiro de 51% do Banco de Ankh-Morpork: o simpático cãozinho Mr. Fusspot – o que na prática faz dele o presidente do Banco.

Só que ser presidente do Banco mais importante da cidade significa ter de lidar com a família responsável pela instituição – os Lavish, em especial o maluco do Cosmo Lavish, que aparentemente deseja se transformar em Vetinari (não no Patrício, veja bem... ele não quer simplesmente o cargo... ele quer SER O PRÓPRIO VETINARI). E, acredite-me, você não quer estar no meio de uma reunião de família desse pessoal (para começo de conversa, os honorários advocatícios são altíssimos...).

Claro que nada é mais perigoso para Moist nessa situação que o próprio Moist. Afinal, não basta ter de lidar com uma família de malucos e possíveis assassinos, nem com um chefe dos contadores que talvez seja um vampiro mas que certamente está escondendo um ou dois esqueletos no armário (e talvez isso não seja apenas metafórico). Não... Moist tem que ser Moist e ter uma idéia brilhante: substituir o ouro por cédulas de papel – afinal, qual a importância do ouro? Ele só tem valor relativo, aquele que o povo dá a ele, não necessariamente intrínseco.

Making Money, a despeito do ouro, não é tão brilhante quanto Going Postal - não sei se é impressão minha, mas considerando as verdadeiras acrobacias que Moist fez no primeiro livro, tive impressão que ele se safa meio que fácil demais aqui... o que não significa que esse não seja mais um livro delicioso, que te deixa com gosto de quero mais (especialmente pelo gancho final...) e pela milésima vez a sensação de que Pratchett é o cara.

E eu já não sei mais que adjetivos usar para elogiar o homem. Sério. Não sei mesmo. Difícil encontrar algo melhor para além de ‘genial’.


A Coruja


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