6 de setembro de 2012

Projeto Pratchett: Going Postal

“There is always a choice."

"You mean I could choose certain death?"

"A choice nevertheless, or perhaps an alternative. You see I believe in freedom. Not many people do, although they will of course protest otherwise. And no practical definition of freedom would be complete without the freedom to take the consequences. Indeed, it is the freedom upon which all the others are based.”
Monopólio. Empresas de comunicação. Crise nos Correios. Chantagem, fraude, corrupção, assassinato. Parece familiar?

Essas são as bases do trigésimo terceiro romance da série Discworld, publicado em 2004, que também foi adaptado pela Sky1 em 2010. Assisti os dois episódios da adaptação à época, mas só agora vim ler o livro (obedecendo minha agenda interna de tentar ler a série toda mais ou menos na ordem). E, a despeito de saber como a história terminava, para onde exatamente Pratchett estava indo com Going Postal, o prazer que senti em acompanhar e vibrar com a história foi maior do que muitos livros inéditos (pra mim) que andei lendo nos últimos tempos.

Para começo de conversa, Going Postal nos apresenta uma nova faceta de Ankh-Morpork e um novo protagonista para os livros da série: Moist Von Lipwig. De certa forma, foi como redescobrir Pratchett, porque o livro é um pouco diferente do que já nos acostumamos nos trinta e dois livros que vieram antes. Até mesmo a apresentação – dividido em capítulos que começam com o desenho de um dos selos criados por Moist para o Serviço Postal de Ankh-Morpork e uma ‘sinopse’ de ocorrências – é diferente.

Moist é um trapaceiro, acostumado a urdir fraudes, forjar documentos e enganar pessoas de uma forma geral. No início da história, ele está a caminho da forca pelos crimes cometidos contra a cidade... e ele é enforcado... mas não morto. Em vez disso, lhe é dada uma segunda chance por um ‘anjo’ – ninguém mais, ninguém menos que Havelock Vetinari, o Patrício de Ankh-Morpork.

Vetinari oferece a Moist – agora que sua prévia encarnação (há muito que o homem não vivia sob a própria identidade) está morta – o trabalho de Chefe do Serviço Postal, com plenos poderes para trazer de volta à vida a moribunda instituição. O que Vetinari não avisa a Moist é que há cartas acumuladas de quase um século lotando o antigo edifício, gerando uma espécie de campo mágico capaz de provocar alucinações; que os três ou quatro últimos chefes do serviço morreram em circunstâncias misteriosas e que Reacher Gilt, o presidente da Grand Trunk Company – uma empresa que opera um sistema de torres de telégrafos (equivalente aos nossos telefones e celulares) conhecidas como ‘clacks’ – não admite concorrência.

Logo Moist percebe que o patrício não lhe ofereceu o trabalho para fazer dele um homem honesto, mas porque apenas alguém com os únicos... talentos de Moist é capaz de lidar com o desafio de reabrir os Correios, ganhar a confiança do povo e derrotar Gilt em seu próprio jogo. O que Ankh-Morpork precisa é não de um homem honesto, mas de um showman com aparência de honesto, capaz de correr e chegar à lua antes de aprender a caminhar.

Se Moist conseguirá reerguer o Serviço Postal, se irá sobreviver a Gilt, às cartas e ao salto das botas de Miss Adora Belle Dearheart (não se deixe enganar pelo nome!), ativista dos direitos dos golems, é algo que vocês terão de ler para descobrir. O que posso dizer mais sobre o assunto é:

(1) gostaria de enviar cópias de Going Postal para os responsáveis pelas agências de correio brasileiras. Eles poderiam pegar uma idéia ou duas de lá. E não estou falando das fraudes e golpes perpetrados por alguns dos personagens, que isso eles não precisam que ninguém lhes ensine.

(2) quero achar alguém que seja tão maluco quanto eu por Pratchett que entenda a piada se eu enviar cartas com selos de Ankh-Morpork.
“If you kept changing the way people saw the world, you ended up changing the way you saw yourself.”


A Coruja


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