19 de setembro de 2012

360º: As Férias da Coruja – Parte V: Em Toda Esquina uma Igreja

Minha mãe diz que sempre que você entra numa igreja pela primeira vez, você deve fazer um pedido. A julgar pelo número de igrejas em que entrei pela primeira vez na viagem, e como repeti o mesmo pedido em todas elas, acho que tenho chances de que meu desejo se torne realidade...

Dé: Esse é mais um daqueles “não pode contar até depois de realizado”?

Dani: Agora fiquei curiosa.

Lu: Vão continuar curiosos...

Vamos esperar, não é verdade?

Não sou uma especialista em história canônica, arte sacra ou arquitetura de igrejas, tampouco em vitrais, que foram uma constante nas muitas igrejas que visitamos, de forma que esse tópico da viagem será mais de impressões e admirações que de informações históricas...

Bem, a primeira igreja que visitamos na viagem foi a de Saint-Sulpice, que ficava próxima da nossa residência e que fica localizada numa praça de mesmo nome. Nesta praça, logo em frente à Igreja, há uma portentosa fonte da qual me aproximei quase quicando porque, de longe, percebi contornos de vestes clericais e botei na minha cabeça: É O RICHELIEU, É O RICHELIEU!


Dani: E a fangirl retorna...

Pois é, sou uma pessoa que tem uma admiração bizarra por governantes ou personagens próximos ao poder na melhor tradição Maquiavélica (Dé: Isso explica muita coisa...). Embora eu tenha conhecido Richelieu inicialmente como um personagem ficcional, em Os Três Mosqueteiros, onde ele é apresentado como vilão, nunca desgostei dele...

Infelizmente, os quatro personagens que estão na fonte são todos bispos (por isso ela também é conhecida como ‘Fonte dos Quatro Bispos’) e, até onde eu saiba, nenhum deles tem nada a ver com o Cardeal Richelieu... e nem com Mazarino também...

Quando entramos na Igreja propriamente, estava havendo missa e canto gregoriano. Deixamo-nos ficar por ali, observando, encantadas com o estilo (acho que ela faz parte do movimento barroco) e, especialmente, com o grande órgão central.


Claro que como estava havendo missa, não tiramos fotos de dentro da igreja... curiosamente, mais tarde descobri que Saint-Sulpice é um dos locais visitados no livro O Código Da Vinci - embora o que esteja no livro seja uma baboseira (Dé: O QUE naquele livro não é uma baboseira? Dani: Verdade, mas que ele foi um gênio em ganhar muito dinheiro com isso ele foi! ^^”) em relação ao que realmente existe na Igreja, que são resquícios de equipamento de astronomia pertencente ao Observatório de Paris – instalados na Igreja com permissão do clero da época e sem nenhuma ligação a teorias da conspiração.

O que mais gostei de lá, contudo, foram os painéis maravilhosos de Delacroix. (Dani: Ah... Delacroix! *morre*) Quando da Revolução de 1789, ela foi um pouco danificada e Delacroix participou da renovação do prédio – onde foram batizados o Marquês de Sade e Baudelaire e também onde casou-se Victor Hugo...

Depois de Saint-Sulpice, no caminho do Louvre, demos uma olhada em Saint-Germain l'Auxerrois, que fica bem de frente para a entrada no Louvre na Rivoli e cujos sinos tocaram para marcar o início do massacre da Noite de São Bartolomeu, em 23 de agosto de 1572. A fachada dela é incrivelmente detalhada.


Agora, na minha opinião, a igreja mais linda que visitei na viagem – talvez na vida – foi a de Sainte-Chapelle, ao lado da Conciergerie (aliás, dá para comprar ingresso casado para entrar nos dois monumentos).


Sainte-Chapelle é uma igreja TODA em vitrais, construída por Luís IX (que depois foi canonizado e virou São Luís) entre 1239 e 1248.


Dani: *ressuscita* (sou mesmo um gato, cheio de vidas!) Cara... arquitetura gótica consegue mesmo arrancar o fôlego...

Os vitrais da parte esquerda da igreja estavam sendo restaurados nessa temporada que estivemos lá, de forma que a parede inteira daquela direção estava coberta. Mas nem isso é capaz de abater o encantamento que Sainte-Chapelle é capaz de te lançar.

E depois... lá vamos nós para a (talvez) mais famosa igreja de Paris... A Catedral de Notre-Dame.


Não consigo pensar em Notre-Dame sem associá-la a Quasímodo e o clássico de Victor Hugo (Dani: Quem consegue? Dé: “Like fire. Hellfire...”). Mas outras coisas me chamaram atenção também no interior da catedral: mais (magníficos) vitrais, altos e baixos relevos, Joana D’Arc e relíquias religiosas que incluem um fragmento da cruz de Cristo (!!).


Dani: Agora você está tentando me matar mesmo...*__________*

Lu: Estou vendo que terei de providenciar um equipamento de ressuscitação cardíaca e respiratória permanentemente para cuidar dessas suas mortes... Seja lá o que fizer, Dani, NÃO VÁ PARA A LUZ!

Debaixo de Notre-Dame há também uma cripta arqueológica mostrando as fundações da cidade, o nível da rua original em frente à catedral na época dos romanos.


Ali perto de Notre-Dame há outra magnífica igreja que quase me passou despercebida pelo lado de fora (porque passamos por ela por uma entrada lateral), mas cujos arcos e colunas interiores depois me impressionaram bastante.

É a Igreja de Saint-Séverin.


Dani: Você me odeia, né Lu? Só pode fazendo esse tipo de coisa para o meu pobre coração de artista... - -“

Lu: Muito pelo contrário... quero fazer uma viagem dessas um dia contigo, para que você possa ir me explicando as nuances arquitetônicas. Já te disse antes, em praticamente todo lugar que eu ia, lembrava de você...

Para completar esse passeio religioso, temos a Basílica de Sacré-Coeur, que fica em Montmartre e cujas escadarias que tive de subir quase me mataram sem fôlego (paguei promessa e metade dos meus pecados naquela escadaria...).

A vista lá de cima, contudo, compensou todo o esforço físico... É uma visão magnífica!


Difícil no final é decidir qual dessas ter como favorita. Entre arquitetura, história e significado, todas têm sua importância e valem à pena ser conhecidas.

Dani: *morre mais uma vez* Vamos ver se consigo ressuscitar até o próximo. Depois dessas igrejas...

Lu: NÃO VÁ PARA A LUZ! Venha para o lado negro da força, porque temos biscoitos e... arcos góticos!


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2 comentários:

  1. Não vá para a luz Daniiiiiiiiiii, luz é ruim, lado negro é booom!

    ashusahuashasu

    Me lembrei de Ouro Preto, lá também tinha uma igreja linda a cada esquina, mas infelizmente ficamos uns dois dias, e na segunda, todas as igrejas são fechadas. Mas nos divertimos pra caramba apesar disto. E se eu soubesse disto antes, teria feito um pedido em cada igreja que entrei... que quase tão belíssimas quanto as francesas (o exterior prejudica um pouquinho, mas e uma boa surpresa quando se entra).

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    1. Cara, eu sou totalmente apaixonada por Ouro Preto. Fiquei maluca numa viagem que fiz a Minas uma vez, e fiz todo o roteiro das cidades históricas, exceto por Diamantina.

      Quero ter oportunidade de voltar...

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