21 de agosto de 2012

Para ler: O Lado Mais Distante do Mundo

Corre o ano de 1812 e a Grã-Bretanha está envolvida em um conflito contra suas ex-colônias americanas. Nesse cenário, o comandante do velho navio “HMS Surprise”, Jack Aubrey, recebe uma última missão: encontrar e destruir o “Norfolk”, embarcação que ameaça toda a frota baleeira britânica. A perseguição é emocionante, mas, às vezes, é dentro do próprio “HMS Surprise” que se encontram os maiores problemas. Aubrey tem de lidar com uma tripulação formada por loucos, assassinos e marinheiros inexperientes em combates navais. Além disso, acidentes ameaçam o sucesso da missão: tempestades, furacões e até mesmo suicídios e assassinatos a bordo.
A Régis me mandou esse livro como empréstimo, mas demorei um pouco a tirá-lo da estante, até ser tomada por uma onda náutica, quando devorei pelo menos uns quatro livros envolvendo navios, piratas, soldados, capitães da marinha e mares nunca dantes navegados.

Foi começar e não parar mais...

Lembro de quando assisti o filme. Estava no colégio ainda e fui vê-lo no cinema com minha turma de amigos. Naquela época eu já gostava de batalhas e explosões e saí da sessão quase vibrando e pulando de tão empolgada com o que havia visto na tela.

O fascínio que senti então se repetiu agora que li o livro. Terminei com gosto de quero mais, ansiosa por acompanhar mais aventuras do HMS Surprise.

É uma história de coragem, de companheirismo, de amizade. Acompanhamos aqui o Capitão Jack Aubrey em sua caçada atrás de um navio americano, o Norfolk, que está perseguindo baleeiras britânicas pelos lados do Pacífico. Junto a ele temos o cirurgião, naturalista (e espião) Dr. Stephen Maturin. Os dois são diferentes como água e vinho... ou Holmes e Watson; e têm uma enorme admiração pelos talentos do outro, além de um amor em comum pela música.

Aliás, uma das melhores partes de ler O Lado Mais Distante do Mundo foi acompanhar as cenas em que os dois dão seus concertos improvisados na cabine do capitão, Aubrey ao violino e Maturin no cello, ao mesmo tempo em que ouvia a trilha sonora do filme – também cortesia da Régis.

Os dois são os protagonistas, mas a história não se restringe a eles. O’Brien tem um vasto conhecimento histórico, reproduzindo não apenas muitos dos acontecimentos reais da época – o livro se passa em 1812, estamos em guerra contra Napoleão – mas a vida a bordo de um navio de guerra, com todas as dificuldades do período (incluindo a falta de anestésicos...).

Vi muita gente criticar O’Brien por isso, ou, mais exatamente, pela forma com que ele utiliza todo o vocabulário náutico a sua disposição. Particularmente, não sei diferenciar bombordo de estibordo e enjôo como marinheiro de primeira viagem em terra firme, que dirá em mar. Mas isso não foi nem de longe um empecilho para a leitura, acho que dá para entender pelo contexto quando surge algum termo técnico.

Questão também é que as temáticas do livro não são de interesse de todo mundo, então não levo muito em consideração essas críticas. Pra mim, o livro foi uma delícia, inclusive pelo vocabulário próprio de um homem do mar. Isso confere autenticidade ao texto e não é diferente do que o Umberto Eco faz.

O que me faz lembrar que qualquer dia desses me arriscarei a reler O Nome da Rosa, a despeito do meu trauma de infância com a linguagem medieval dele...

Enfim, achei a narrativa fluida, alternando humor e drama sem nunca exagerar, verdadeira aos personagens.

O único problema que achei é que... isso é uma série. De vinte e um volumes. E O Lado Mais Distante do Mundo é o décimo volume dela. Comecei a história pelo meio e agora quero ler o resto. Como faço? Onde arranjo tempo? Isso é desesperador!

Curioso (e isso conta muitos pontos para o autor, em minha opinião) é que só descobri que havia nove volumes antes (eu achava que esse era o primeiro...) quando estava pesquisando para escrever essa resenha. A despeito disso, não senti qualquer falta de um prévio conhecimento; O Lado Mais Distante do Mundo se sustenta como volume único sem prejudicar seu entendimento.

O que não significa que agora que me viciou, a Régis não vá ter que se virar para me arranjar os outros volumes!


A Coruja


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3 comentários:

  1. os livros lançados pela editora record http://www.record.com.br/autor_livros.asp?id_autor=35

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    1. Pois é, 21 livros e fica a gente só chupando dedo...

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