7 de agosto de 2012

Desafio Literário: Agosto - Terror || Uncle Montague’s Tales of Terror

‘As you must realise by now,’ he continued, ‘these things around us are – how shall I put it? – possessed of a curious energy. They resonate with the pain and terror they have been associated with. My study has become a repository for such itens. I am a collector of the unwanted, Edgar; of the haunted, of the cursed – of the damned.'
Comprei esse livro para dar de presente de aniversário e acabei atrasando a entrega em mais de um mês porque comecei a ler e aí não podia enviar até terminar e aqui não queria mandar mais e ficar com ele para mim... Muito complicado isso... mas tudo bem, porque se mandei esse volume no final das contas, chegou pra mim outro volume da série e ah... tô enrolando, vamos ao que interessa...

Dica importante: Uncle Montague’s Tales of Terror foi traduzido aqui no Brasil, mas a edição em inglês tem capa dura e foi menos da metade do preço da nacional. Só pra variar, né...

Tio Montague vive sozinho numa casa meio assombrada em meio a um bosque pelo qual você não gostaria de andar à noite. Ele é o tio preferido do jovem Edgar (o único também...), que sempre que pode, foge do convívio monótono de seus pais – que não sabem exatamente o que fazer com uma criança – para ouvir os contos bastante assustadores do tio.

E Montague tem um sortimento aparentemente inesgotável de histórias, todas com finais infelizes, todas com acontecimentos estranhos, todas de fazer o coração disparar, as mãos suarem frio e o vento na janela parecer subitamente soar como uma voz que assombra pesadelos.

Aos poucos, contudo, uma tarde aparentemente tranqüila sentado ao pé da lareira ouvindo contos assombrados e assombrosos, acaba se tornando bem mais do que Edgar barganhara ao sair para visitar o tio.

Enquanto eu ia lendo esse livro, ficava me perguntando como exatamente é que ele estava sendo vendido como livro infantil. O nome do sobrinho não é mera coincidência; Poe é uma óbvia influência de Pristley, enquanto que as ilustrações me faziam lembrar o tempo todo das animações de Burton.

Existe uma mistura de macabro e colorido exótico nos contos que me fez pensar muito em A Noiva Cadáver ou Coraline - e, sério, seria fantástica uma adaptação dessa história no estilo desses filmes – mas eles são um pouco mais pesados no sentido de que não existem moralismos do tipo ‘se você se comportar bem tudo dará certo no final’. Boas crianças não são recompensadas com doces e finais trágicos são meio que a regra dos personagens que Montague apresenta ao sobrinho.

Priestley nunca mostra de frente as criaturas de pesadelo responsáveis pelo deslinde de cada conto. Ele nos dá apenas vislumbres e deixa que nossa imaginação faça o resto, introduzindo pouco a pouco novos elementos que vão nos deixando na ponta da cadeira, tão nervosos e assustadiços quanto Edgar, numa colcha de retalhos em que pequenos objetos vão tomando um significado cada vez maior e mais sombrio – uma casa de bonecas e uma porta que dá para lugar nenhum, uma carranca de madeira cujos sussurros te levam à insanidade, uma bruxa cega e seu pomar, uma sombra partida no penhasco, uma foto que não deveria existir.

Agora, um último conselho... não leia antes de dormir...

Nota: 5
(de 1 a 5, sendo: 1 – Péssimo; 2 – Ruim; 3 – Regular; 4 – Bom; 5 – Excelente)

Ficha Bibliográfica

Título: Uncle Montague’s Tales of Terror
Autor: Chris Priestley
Editora: Bloomsbury
Ano: 2007
Número de páginas: 240


A Coruja


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4 comentários:

  1. \o parece bem interessante.... leio pouco terror, mas quero ler mais, acho bem mais interessante do que assistir a um filme... a tensão psicológica parece mais palpável.

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  2. Se esse livro lembra Noiva Cadáver e Coraline, eu provavelmente vou gostar. Valeu pela dica!

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  3. Não sou fã do gênero, mas o seu relato revela nuances que me agradam. Bjs

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  4. A melhor forma de contar uma história de terror é não deixar claro o que se está temendo, às vezes... Fica tudo mais interessante :p

    Inicio aqui o retorno à leitura do blog \o Durante os próximos dias, meu objetivo é tentar conferir tudo que perdi nos últimos meses... Pelo que eu vi até agora, foi muita coisa e está longe de desapontar :D

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