28 de agosto de 2012

Clube do Livro (Agosto) - V de Vingança

Remember, Remember, the Fifth of November,
the Gunpowder Treason and Plot.
I see no reason why the gunpowder treason
should ever be forgot.
Cinco anos antes do início da história, o mundo foi destruído em uma guerra nuclear. Apenas a Grã-Bretanha restou, e mesmo assim a devastação foi tamanha que toda a ordem desapareceu. Nestas condições deploráveis, o partido facista Fogo Nórdico chegou ao poder, esmagando com mão de ferro toda a oposição e instaurando um regime opressor. A ordem foi restaurada, mas nem todos aceitam essa situação...

A obra escrita em 1982 se passa em um futuro próximo, entre 1997 e 1998, e contêm uma crítica nada discreta à situação política da época. A expectativa de que as propostas conservadoras de Margaret Tatcher saíssem mal nas eleições do ano seguinte e a proposta de total desarmamento nuclear do outro candidato inspiraram a idéia inicial da guerra nuclear, tendo apenas a Inglaterra como sobrevivente.

Acompanhamos o terrorista V em sua jornada para a instauração de um regime anarquista no país. Curiosamente, para um protagonista, V não é mostrado como uma figura benevolente, tomando atitudes extremamente duvidosas no decorrer da história, e sua sanidade é discutida até hoje... o que provavelmente quer dizer que ele não tem nenhuma, pra começo de conversa. Tendo dito isso, ele também é extremamente carismático e acabamos por sentir uma certa simpatia por ele, especialmente se levarmos em consideração os membros do governo.

A história em si é bem amarrada, e Alan Moore fez questão de colocar nela vários elementos, indo de outros quadrinhos como Batman e Juiz Dredd, passando por pinturas e autores como Aldous Huxley e George Orwell. No decorrer da leitura, este último sempre me vinha em mente, com o regime totalitarista opressor e as câmeras observando todos os movimentos dos cidadâos o tempo todo. Mas o paralelo mais desconfortável sem dúvida seja ao partido nazista, completo com o expurgo de minorias (negros, judeus e homossexuais são apenas alguns dos citados) e a presença de campos de concent... reabilitação. E isto só levanta mais questões a respeito de V.

No final das contas, V de Vingança não é uma leitura leve, e ao mesmo tempo é leitura obrigatória para todo fã de quadrinhos. Alan Moore dispensa apresentações, e garanto aos mais antenados que esta Grafic Novel mantêm o (alto) padrão do autor.

O Bode


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Um comentário:

  1. <3 V de Vingança

    Ok, agora que isso está fora do caminho 'xD Eu sou viciada nessa Graphic Novel. Nela e no filme, apesar das diferenças consideráveis entre os dois (simplificando as coisas, a novel é muito mais uma obra sobre a Inglaterra que o filme, que foi feito para atingir um público maior e acabou perdendo algumas das características mais marcantes da crítica original - mas continua sendo bom). Alguns semestres atrás apresentei um paper na faculdade sobre as duas obras, inclusive, analisando as ações do V como uma forma de contra-hegemonia radical de uma mídia ultrarradical alternativa... Yeah. Eu decidi o tema 24 horas antes da data em que ele deveria ser apresentado. Foi divertido :p

    P.S.: Cuidado ao dizer que o mundo foi destruído por uma guerra mundial e só a Grã Bretanha restou... Dá a entender que a Grã Bretanha é o único país de pé, quando alguns outros sobreviveram, mas estão todos bastante devastados e houve mudanças nos jogos de poder e tal... =x

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