25 de agosto de 2012

A Vertigem das Listas: Oito Vilões Tenebrosos


Dé: *pigarreia*

TREMEI, LEITORES!!!

Sim, tremam, pois este mês a Vertigem das Listas está repleta de motivos para isto.

A maioria de nós se identificam com os heróis das histórias e não é difícil encontrar dicas de como criar um herói convincente, sendo A Jornada do Herói a primeira a vir em mente. Mas... e o outro lado? Não esquecemos do outro lado da moeda, leitores, e trazemos para vocês OITO VILÕES TENEBROSOS!


Lu: O Dé está ficando cada dia mais dramático...

Dani: Num brinca...? - -“

Dé: Vocês só viram o começo. ^^

Encabeçando a lista, começarei com um vilão que me deu pesadelos. Literalmente.

Derry é uma cidade pacata do Maine, situada em algum lugar da Interestadual 95, aonde a vida segue pacata e sem muitos percalços. Mas a cada 27 anos, isso muda completamente. Acontece que milhares de anos antes da fundação de Derry, alguma Coisa caiu lá. Essa Coisa esperou pacientemente até a chegada dos humanos, e depois disso adotou um ciclo de hibernação e despertar para comer. O problema que o cardápio é composto principalmente por criancinhas e todas as emoções negativas que as pessoas tenham.

Acontece que a Coisa (também conhecida por Pennywise/Parcimonioso, o Palhaço ou Robert Grey... nunca foi revelado o nome verdadeiro), tem uma influência sobre os humanos, tornando-os violentos, intolerantes e trazendo tudo de ruim neles. Os períodos em que a Coisa está acordada são marcados por uma onda de mortes, criminalidade e depravação, culminando com enormes tragédias, uma espécie de “despedida” macabra, causando o retorno ao sono. Uma destas tragédias incluem coisas como explosão de uma fundição, que matou 108 pessoas (88 das quais eram crianças) ou um ataque da Ku Klux Kan a um bar de negros, de onde apenas Dick Halloran escapou.

Falando em Halloran, anos depois ele encontrou um emprego bem... interessante. Não é, Dani?


Dani: E veja como uma coisa leva a outra! Continuando com a onda Stephen King (afinal, meio mundo o considera o gênio do terror, é óbvio então que ele vá aparecer aqui mais de uma vez!), nosso querido Dick Halloran, depois de suas... “aventuras” em Derry, consegue um emprego no Overlook Hotel, que é na verdade o grande vilão da minha primeira escolha, tirado diretamente do livro O Iluminado.

O que me fez escolher esse “vilão” foi exatamente o fato de ele ser um diferencial; ele não é uma pessoa ou uma assombração, ou mesmo uma maldição (ou pelo menos isso não fica especificado), ele é pura e simplesmente o hotel. O hotel em si, com todas as suas histórias passadas, e ainda presentes, é que vão dilacerando a relação de uma família feliz e transformando, pouco a pouco, um homem pacato em um psicopata assassino, que acaba se voltando contra seus próprios entes queridos. Sem contar a forte influência que causa no pequeno Danny, que possui um talento sobrenatural, acabando por expor o coitado inocente o tempo todo a visões perturbadoras e atos no mínimo... incômodos.


Dé: “Here's Johnny!”

Dani: Tava esperando para ver quem seria o primeiro engraçadinho a soltar essa...

Mas continuando, hoje, parece até fraco falar de um vilão como esse, considerando a enxurrada de filmes e livros de terror que vieram depois (
Dé: E que usaram King como base, claro. ), mas para mim, o Hotel Overlook ainda consegue superar vários deles, não só pela pressão que o próprio leitor sente enquanto está lendo, como se estivesse também preso naquele prédio no meio do nada, sem contato com ninguém e durante um inverno rigoroso, como pela originalidade da história, das cenas e da influência sobre os personagens, não de forma direta e violenta, mas lenta e psicológica, gradual e incomodamente pacífica.

Além de - um gosto muito pessoal meu, já vou avisando - eu adorar o fato de no fim a história ficar meio que sem resolução. Essa é uma das coisas que sempre me agradaram nas histórias do Stephen King, várias das maldições, assombrações e todos os seus semelhantes, simplesmente não tem um por que para acontecer; e pensem comigo, se vocês estivessem numa situação dessas, iria mesmo querer descobrir o porque de tudo, ou iria querer salvar a sua pele?


Dé: Essa é uma das graças de King, para mim. Ele só explica o bastante para a história funcionar, e mais nada. Até hoje eu tenho dúvidas em relação ao Overlook também, mesmo depois de ter lido o livro... algumas vezes...

Lu: Como eu não conheço muita coisa do Stephen King, não tenho muito que comentar aqui... de forma que irei direto para o meu próprio vilão. E, uma vez que hoje é meu último dia em Paris (hohoho) (Dé: Sim, nós sabemos... não é como se você nos tivesse deixado esquecer, não é? XD Dani: Roubou alguma obra do Louvre para mim? *_* Você acha mesmo que eu confessaria algo assim aqui? Espere eu chegar...) – amanhã estarei a caminho de Lisboa e na outra semana, voltando ao Brasil... – escolherei um francês para minha lista: o Inspetor Javert de Os Miseráveis.

Javert é um personagem difícil... Ele é absurdamente inflexível e cruel em sua busca pela justiça. Ele é um vilão não porque saia conscientemente querendo praticar o mal, mas porque é um legalista, alguém incapaz de ver o mundo em tons de cinza, mas apenas em preto e branco e em sua crença de que está fazendo aquilo que é certo, torna as pessoas ao seu redor miseráveis.


Dé: Nossa, esses são os piores. Ele é um daqueles que os fins justificam os meios, não é?

Dani: Involuntariamente, lembrei do Dumbledore agora...

Lu: Uma boa lembrança, Dani... acho que podíamos qualquer dia desses escrever uma dissertação sobre a verdade por trás de Dumbledore... Hum, voltando ao assunto...

Uma vez que lido com a lei e com a burocracia, tenho uma boa idéia do estrago que alguém como Javert é capaz de provocar. Ele pode não parecer à primeira vista o tipo de criatura que provoca calafrios e pesadelos, mas na vida real, Javert seria um personagem a causar muitos estragos sob a desculpa de estar cumprindo a lei.


Dani: Como já fazem os nossos queridos políticos? ;)

Dé: Não é que eu gostei dele? Javert começou com um “mocinho”, Lu?

Lu: Não que eu saiba... mas não posso dizer que ele teve lá muitas escolhas na vida...

Dé: Aproveitando o gancho de “vilões que usam o sistema ao seu favor”, o que dizer de um vilão que É o sistema? Estou falando do Grande Irmão, do romance 1984. Ou não.

A verdade é que, apesar de toda a propaganda do Partido (“Big Brother is watching you!”), não sabemos se ele é uma figura real ou alguém criado pelo Partido. Sendo real ou não, o fato é que ele é uma figura opressora que governa a Oceania, sempre vigiando o povo através das teletelas e com a máxima do Partido:

Guerra é paz,
Liberdade é escravidão,
Ignorância é força.

O pior é pensar que coisas como o Grande Irmão já existiram e voltarão a existir... Isso o torna um dos vilões que me assustam verdadeiramente.


Dani: Só pelo fato de ter sido inspiração para a criação do programa Big Brother, para mim já é um belo de um vilão... - -“

Lu: *calafrios*

Dé: Quanto menos se falar dessa abominação televisiva, melhor...

Dani: Para a minha próxima escolha, preferi alguém mais humano. Bom, mais ou menos... Seria o renomado psiquiatra, serial killer, canibal, Dr. Hannibal Lecter, do livro O Silêncio dos Inocentes.

Não é surpresa vê-lo em uma lista de grandes vilões, mas ele tem motivos para isso, começando por, e principalmente, ele ser um gênio! Logo de cara, quando a agente Starling vai visitá-lo pela 1ª vez na prisão psiquiátrica em que fica, você percebe que o sujeito é diferente. Ele nota os menores e imperceptíveis detalhes nela, com deduções assustadoramente rápidas ele já resume toda sua vida, passado, gostos e etc, apenas olhando para ela (e cheirando também, o que, aliás, ele faz de um modo que parece até um superpoder de tão apurado). Ele parece entender de todos os assuntos, tem uma percepção incrível, desenha lugares de cabeça com todos os detalhes e, o que mais me chama a atenção nele, o cara realmente entende sua própria condição.


Dé: Eis o mais perturbador de Lecter; o intelecto dele. Ele passa a impressão de que é capaz de fazer o que ele quiser e que nada poderá impedi-lo.

Lu: Ele é como... um Sherlock Holmes do lado errado da lei? Cara, um personagem como Holmes sendo vilão é uma coisa assustadora... Por essas e outras que Moriarty me dá calafrios, mas ele não chega a entrar nessa lista porque, nos livros, ele nunca chega a aparecer realmente.

Se não estivéssemos tentando ficar restritos aos livros, contudo, ele certamente entraria...


Dé: Se não estivessemos restritos à literatura, eu teria MUITO mais indicações para essa lista...

Dani: Uma coisa é termos um assassino serial, psicótico, que sai por aí perseguindo e matando pessoas para realizar rituais e se satisfazer, sem saber bem o que esta fazendo, mas fazendo por que sente que tem que fazer, e outra, completamente diferente, é o cara saber que tem uma doença, entender completamente ela e porque a tem, saber de onde ela veio e por que faz essas coisas... e continuar matando e comendo pessoas!

Não dá para ser mais vilão que isso. Ele literalmente escolheu ser um vilão, com plena consciência disso.


Lu: Sim, acho que essa consciência é realmente assustadora, Dani...

Bem, no meu primeiro esboço para a lista desse mês, eu tinha colocado Morgoth e Drácula... mas já escrevi extensamente sobre Morgoth em outras ocasiões e embora Drácula seja uma criatura de pura maldade, eu prefiro a versão dele no filme de Coppola, onde existe uma explicação para sua degeneração...

Fiquei batendo com a cabeça na parede então, tentando decidir entre uma miríade de nomes. Pensei em Moriarty, de quem já falei brevemente ali em cima, e em Mrs. Coulter de Fronteiras do Universo - ela me dá calafrios e é uma das personagens mais maquiavélicas que conheço, do tipo que leva a vida pelo dito ‘os fins justificam os meios’.

Finalmente me decidi no sádico Roger, do livro O Senhor das Moscas. Roger aparece pouco, mas toda vez que aparece, eu já respirava fundo e esperava pela merda que viria (
Dani: fantástica expressão essa... ^^ É a mais pura verdade...). Junto com Jack, eles representam na alegoria do livro uma força fascista, a coerção, o emburrecimento das massas, a perda do senso de individualidade, o controle pelo medo (Dé: Ele tem uma emissora de TV? XD). Mas onde Jack ainda tem um código ou uma ilusão de honra de caçador, Roger simplesmente gosta de infligir o máximo possível de sofrimento, sem que tenha havido nenhuma falta anterior para com ele.

O livro termina antes que voltemos à civilização, mas não quero imaginar o que Roger se tornou após ter o gosto do poder e da tortura na ilha do livro...


Dé: O próximo nome da nossa lista também tem uma característica bem marcante. Enquanto alguns apresentados nessa lista são geniais, não tem um rosto ou nem deveriam existir pra começo de conversa, o próximo... é louco.

Não tem como falar do Coringa sem falar na loucura. Ele é completamente louco!!! É isso que faz do “Palhaço do Crime” tão perigoso: ele é imprevisível. Não há como saber do que o que se passa na cabeça dele, ou ao menos se alguma coisa lá dentro faz sentido. Além da previsibilidade, a loucura também removeu todo e qualquer limite que ele poderia ter, como os Gordon descobriram em A Piada Mortal. Nem mesmo o passado dele é constante, pois como ele mesmo disse: "Sometimes I remember it one way, sometimes another... if I'm going to have a past, I prefer it to be multiple choice! Ha ha ha!"


Dani: AAAAAAHHHH!!!!!!!!!! O Coringa!!!! O meu vilão favorito de todos os tempos e de toda a humanidade!!!! *saindo correndo e se jogando no chão, rolando feito um cachorrinho*. Desculpem, é mal de família...

Lu: Tudo bem, Dani, a gente entende...

Dé: *olha pro lado, assobiando, se fazendo de desentedido*

Lu: Interessante, nós temos dois extremos aqui: de um lado a absoluta e fria consciência do Dr. Lecter, de outra a insanidade imprevisível do Coringa. Entre um e outro, eu preferia me jogar da janela...

Dé: Luciana e sua fascinação por defenestração...

Lu: O último nome dessa nossa lista foi meio complicado de decidir, porque, tecnicamente, todos tínhamos de concordar nele e tínhamos tantas idéias que não sabíamos para que lado virar... No final das contas, decidimos por outra figura clássica: Mr. Hyde, de O Médico e o Monstro.

Hyde, na descrição de Stevenson, parece, em muitos momentos, o mal encarnado, avesso a todo tipo de sistema moral, passionalmente violento ou apaixonado pela própria idéia de violência.

Do meu ponto de vista, contudo, o horror de Mr. Hyde é a idéia de que ele é uma parte de nós mesmos, do nosso subconsciente.


Dani: Seria exatamente pelo fato dele não poder ser “controlável”?

Lu: Sim, exatamente.

Dé: De certo modo, ele pode ter um fundo de razão. Afinal, quem de nós nunca teve vontade de esganar alguém que nos fez raiva? De furar uma fila por estar com pressa?

Mr. Hyde é a “condensação” de tudo isso, a personificação das vontades que Dr. Jekyll não expressa.


Dani: Meu Deus, acabei de perceber que se nós 3 fossemos vilões, o Dé seria o Mr.Hyde, a Lu o Dr. Lecter, e eu... provavelmente o Coringa, já que já tenho atestado de loucura, mesmo... - -“

Lu: E nessa nota nos despedimos de vocês por hoje, antes que alguém surte e decida sair por aí cometendo vilanias... Da próxima feita, já estarei de volta no Brasil ;) Au revoir!


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Um comentário:

  1. A Casa Marsten, para mim, é o equivalente interiorano do Overlook Hotel :P

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