5 de julho de 2012

Projeto Pratchett: Carpe Jugulum

You say that you people don’t burn folk and sacrifice people anymore, but that’s what true faith would mean, y’see? Sacrificin’ your own life, one day at a time, to the flame, declarin’ the truth of it, workin’ for it, breathin’ the soul of it. That’s religion. Anything else is just... is just bein’ nice. And a way of keepin’ in touch with the neighbors.
Vou confessar logo de princípio que esse foi o livro mais difícil de ler da série até agora e imagino que é um pesadelo para qualquer tradutor. A idéia dos sotaques e impedimentos de fala para os Igors (os ajudantes ideais para qualquer cientista louco) e vampiros volta e meia me deixava meio perdida e eu tinha de voltar para reler o que tinha acabado de ver.

A despeito desse pequeno desconforto ocasional... gente, que livro malucamente delicioso! A começar do título, o trocadilho em latim com a famosa expressão Carpe Diem, aqui translada como ‘aproveite a jugular’ em vez de ‘aproveite o dia’.

A história toda é uma subversão à literatura tradicional de vampiros – escrito em 1998, não há piadas com pó de purpurina, mas bem que Pratchett estava adivinhando...

Tudo começa quando o Conde Magpyr e sua família são convidados para o batizado da filha do rei Verence e rainha Magrat, de Lancre. Família tradicional de Überwald, eles acham que é uma boa estabelecerem novos domínios e tomar a casa real de Lancre – o que Verence acha perfeitamente natural após ser hipnotizado, assim como todo o resto do bom povo do reino... exceto pelas bruxas, claro.

E não quaisquer bruxas. Afinal, estamos em Lancre, terra da formidável não-líder de todas as bruxas do Disco, a Vovó Cera do Tempo.

Infelizmente, a vovó parece não estar batendo muito bem nos últimos tempos, tendo se mudado para uma caverna e vivendo como ermitã, sem mostrar interesse pelo destino de todos. Resta a Tia Ogg contar com a Rainha Magrat, ex-bruxa e a jovem Agnes, resgatada da Ópera em Maskerade.

Carpe Jugulum tem um tom mais sombrio que outros livros da série Discword, mais pesado em seu tratamento vilanesco. Vampiros ‘modernos’, que decidiram se adaptar aos tempos e investir em se tornarem imunes aos habituais tratamentos contra vampiros – incluindo aí a religião – eles são viciosamente cruéis. A determinada altura da história, você quase chega a perder toda a esperança de que aquilo possa acabar bem.

No meio disso você tem caçadas a fênix, a primeira aparição oficial dos Nac Mac Feegle (SIM!!!!), sacerdotes com crises de fé e caos por todos os lados.

Nada como um dia normal nos reinos do Homem do Chapéu...


A Coruja


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2 comentários:

  1. Lu, sua cruel!!! Depois daquele livro do Prachett que você me deu já estou ficando viciada!!!

    Por eu você faz isso comigo?? T.T

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