10 de julho de 2012

Para ler: The 13 Clocks

Once upon a time, in a gloomy castle on a lonely hill, where there were thirteen clocks that wouldn’t go, there lived a cold, aggressive Duke, and his niece, the Princess Saralinda. She was warm in every wind and weather, but he was always cold. His hands were as cold as his smile, and almost as cold as his heart. He wore gloves when he was asleep, and he wore gloves when he was awake, which made it difficult for him to pick up coins or the kernels of nuts, or to tear the wings from nightingales.
Descobri esse livro como já descobri outros clássicos da fantasia e ‘livros que gostaria de ter lido quando criança’ (acabarei por criar uma inteira sessão aqui no Coruja para esse gênero...): por indicação, obra e graça do mestre Gaiman.

Qualquer dia desses descobrirei que metade da minha biblioteca é composta de sugestões que li em algum lugar serem favoritos do homem.

The 13 Clocks tem toda a estrutura de um típico conto de fadas: uma princesa de terras distantes em perigo, um vilão que só falta enrolar os bigodes, um príncipe disfarçado e criaturas estranhas e inexplicáveis, tais como o Golux.

É uma história para ser lida em voz alta, com cadência de música ou poesia (e não são ambas a mesma coisa?), uma sonoridade deliciosa – que pelo que entendi, é uma constante na obra do autor, James Thurber, mas que talvez tenha ganho especial destaque aqui, uma vez que quando escreveu The 13 Clocks, ele estava cego.

No castelo do Duque – o grande vilão do conto – existem treze relógios que pararam aos dez minutos para as cinco, quando o Duque matou o Tempo. Nas palavras dele: ‘The cold Duke was afraid of Now, for Now has warmth and urgency, and Then is dead and buried’. Como ele vive sua bela sobrinha, Saralinda, cujos pretendentes têm de se dobrar às tarefas absurdas que ele propõem para espantá-los e, quando falham, terminam todos mortos.

Até o início da história, nenhum dos pretendentes conseguiu chegar sequer perto de Saralinda, que além de tudo foi enfeitiçada para não poder confrontar o Duque. Finalmente, às vésperas da princesa completar 21 anos – idade para a qual o vilão tem planos nefastos – chega à cidade junto ao castelo um jovem menestrel que não é senão um príncipe disfarçado: ‘He yearned to find in a far land the princess of his dreams, singing as he went, and possibly slaying a dragon here and there’.

O bardo pede a mão de Saralinda, o Duque impõem sua impossível missão: mil brilhantes e rubis e outras gemas preciosas de volta ao castelo em noventa e nove horas, ao bater dos relógios anunciando as cinco.

Para a sorte do príncipe, ele tem como aliado o misterioso Golux – que você não sabe se é homem ou criatura, além do fato de que usa um chapéu indescritível. Golux pode ser salvação ou perdição, pode retornar o tempo ou encontrar lágrimas que se transformam em gemas. Mas pode também esquecer completamente de você no meio de sua aventura.
"I make mistakes, but I am on the side of Good," the Golux said, "by accident and happenchance. I had high hopes of being Evil when I was two, but in my youth I came upon a firefly burning in a spider's web. I saved the victim's life."

"The firefly's ?" said the minstrel.

"The spider's. The blinking arsonist had set the web on fire."
Dos livros que me sinto nostálgica a despeito de não os ter lido no tempo da nostalgia, este aqui definitivamente faz parte. Com sua poética ritmada, seus personagens mascarados em que nunca há muita certeza de você ser aquilo que diz ser, seu humor agridoce, é um livrinho encantado. Recomendado, claro.


A Coruja


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