12 de junho de 2012

Para ler: The Lover's Dictionary

Imperceptível, adj.

Nós paramos de contar nosso relacionamento em encontros (primeiro encontro, segundo encontro, quinto encontro, sétimo) e começamos a contá-lo em meses. Isto talvez tenha sido o primeiro comprometimento, essa mudança em terminação. Nós nunca conversamos sobre isso, mas estávamos numa festa e alguém perguntou quanto tempo estávamos juntos, e quando você respondeu “um mês e meio,” eu soube que tínhamos chegado lá.
Como hoje é dia dos namorados, decidi resenhar um livro sobre namorados. Ou melhor dizendo, sobre relacionamentos. Fiquei pensando no que tinha na estante que poderia se encaixar no tema, mas aí me lembrei de um volume que já tinha lido no final do ano passado e ainda não comentado.

Vi The Lover’s Dictionary pela primeira vez em alguma lista de ‘melhores do ano de 2011’. Quando o encontrei numa visita à Cultura, quando a Dynha esteve aqui, decidi dar uma folheada. Pouco mais de uma hora depois, já tinha terminado de ler...

O livro é pequeno, os capítulos são bem curtinhos, centrando em cenas específicas de um relacionamento, cada uma sob um tema, uma entrada de dicionário, sendo essas cenas a definição da palavra que as abre. Eu ri comigo mesma enquanto lia, porque a estrutura dele é muito parecida com Na sua estante.

Os protagonistas formam um casal que se conheceu inicialmente pela internet e logo de cara teve aquela certeza de ter encontrado sua outra metade, a melhor parte de si mesmo... Em nenhum momento temos o nome deles, embora seja razoável deduzir que o narrador (o livro é contado em primeira pessoa) é homem, enquanto que a segunda pessoa da relação fica ambígua – o que não faz qualquer diferença no grande esquema das coisas, só abre mais as possibilidades de interpretação.

Seja como for, eles se conhecem e têm aquela epifania... mas a despeito do fato de ambos acreditarem no sentimento que os une, logo o cotidiano se impõe entre eles – família, amigos, trabalho, bagagem. O mundo não é um mar de rosas, é verdade, mas “você começou a chorar, e eu rapidamente disse, ‘Não – eu quis dizer essa parte terminou. Nós agora temos que ir para a próxima parte’”.

É um livrinho singelo, pequeno, do tipo que te deixa sorrindo como bobo em algumas partes, para então te jogar um balde de água fria na cara e depois soprar a ferida e te fazer ter esperança.
Tentar escrever sobre amor é, no final, como tentar fazer um dicionário representar a vida. Não importa quantas palavras existam, nunca haverá o suficiente.



A Coruja


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4 comentários:

  1. Já tinha ouvido falar desse livro. Gostei. Está na lista de desejos.
    bjo!

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    1. Vendem ele como estilo Nick Hornby, mas confesso que gostei mais do Levithan, da ambiguidade que ele deixa na história, dos espaços para interpretação e do final em aberto.

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  2. O título do post me lembrou de um filme que assisti na aula de italiano, Manuale d'amore, não sei bem porque... Acho que pela divisão por temas ou estágios que ficou similar às quatro histórias contadas no filme (cada uma sobre uma etapa do romance: Innamoramento, Crisi, Tradimento e Abbandono) :p Mas a abordagem é completamente diversa, realmente. Ainda assim, parece ser interessante...

    Se ao menos eu não tivesse 27 para ler ou terminar de ler... u_u'''

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    1. Fiquei curiosa para ver esse filme agora... especialmente pela divisão em 'etapas'.

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