26 de maio de 2012

A Vertigem das Listas: Cinco Detetives Perspicazes


Dé: Olá, leitores do Coruja! Maio vai terminando e novamente trazemos para vocês o Vertigem das Listas! Este mês, o tema é Cinco Detetives Perspicazes! O que significa que eu tive que rebolar um bocado para achar indicações, uma vez que não costumo ler policiais...

Lu: Estou aqui chorando de rir, tentando NÃO imaginar o Dé rebolando.

Dé: Não é uma coisa que você verá nessa vida, eu garanto.

Dani: Nada que uma boa chantagem não resolva. ;)

Lu: Sem comentários.

Dé: E não poderíamos começar a lista de uma maneira diferente, não é? Sherlock Holmes! O que mais pode ser dito sobre ele que a Luciana não disse no especial sobre ele?

Lu: Eu posso pensar em uma coisa ou outra... XD Tipo, eu ainda tenho um monte de material que não consegui encaixar no especial e que ficou nos meus cadernos de comentários sem noção para futuras leituras ;)

Dé: Por que será que isso não me surpreende?

Dani: Lu, como você não pira hein?

Lu: Não faço a menor idéia...

Dé: Sherlock é, de uma forma ou de outra, o detetive que todos os autores de policiais buscam para inspiração. E se não o fazem, certamente deveriam fazê-lo.

Lu: Assim, eu não sei se concordo totalmente com você, Dé. Gosto muitíssimo do Sherlock, óbvio, mas acredito que cada escritor deva seguir seu estilo e que há outras formas de conseguir chegar à solução do mistério sem seguir o passo-a-passo holmesiano.

Dé: Verdade, mas ainda assim é interessante dar uma olhadinha, não é?

Lu: Bem, eu sou da opinião que é interessante dar uma ‘olhadinha’ em todos os livros do mundo, então não sirvo de paradigma, né? Mas, enfim, voltando aos estilos de investigação... Hercule Poirot, da tia Agatha Christie é um bom exemplo do que eu estava falando. Ele usa ‘as células cinzentas’ e tem um bom companheiro na figura do Capitão Hastings, mas seus métodos são muito diferentes de Holmes. Ele é mais intuitivo e mais manipulador também. Ele não é um sabujo farejando pistas, mas muito mais um apreciador e observador da natureza humana. Onde Holmes é um misantropo antisocial, Poirot adora estar no centro das atenções, é charmoso e não resiste a une belle femme. Mas a principal diferença é que Holmes é um cientista enquanto Poirot é um psicólogo. Eles analisam e dissecam as evidências de forma muito diferente.

Dé: Sim, ouso dizer que prefiro o método de Poirot ao de Holmes. *sai correndo e se esconde* O que eu disse ali em cima sobre Holmes também vale para Poirot: todos os autores deveriam dar ao menos uma olhada, nem que seja para fazer o contraponto entre os estilos.

Dani: Nisso, eu também concordo. Apesar de (surpreendentemente) eu não ser uma grande fã da Agatha Christie, eu prefiro mesmo o “modo operacional” do Poirot. Ele vê o mundo como uma grande trama interligada, onde cada ação, pessoa ou ser pode influenciar e afetar o outro, e não uma máquina sintética a ser desmontada e analisada pedacinho a pedacinho como o Holmes faz. Embora, o fato dele ser psicólogo não me deixe ser muito parcial nesse debate, vai... *grande, GRANDE, apaixonada por psicologia* ^^

Lu: Já São duas diretrizes, por assim dizer – e as principais nos romances policiais, muito provavelmente... mas não são as únicas. O terceiro estilo, por assim dizer, é meu favorito... mas já vamos chegar nele...

Dé: Verdade, e ainda bem não? Caso contrário não teríamos o Vertigem deste mês! =P

Lu: Fale por você, ainda tenho uma dúzia de nomes na cabeça que gostaria de jogar aqui, mas não posso ser egoísta. Vamos dividir o espaço. Agora é a vez da Dani.

Dani: E temos também um dos meus detetives preferidos, Auguste Dupin, um francês recluso e ligeiramente amargurado que resolve crimes quase por diversão. Ele apareceu pela primeira vez no conto Os Assassinatos da Rua Morgue, onde mostra um método bastante lógico e dedutivo de resolver os mistérios, dando muita atenção a detalhes e pequenas peculiaridades que a outros passam despercebidos, passando horas e horas em silêncio entre suas reflexões e baforadas de seu cachimbo até resolver o caso.

Lu: Gosto desse livro; o final é bastante surpreendente. Embora eu preferisse que o banho de sangue em questão tivesse sido mais... deliberado.

*falou a psicopata*


Dani: E apesar dele ser de fato bastante lógico e meticuloso, características que, como já mencionei antes, não me agradam muito, também possui um lado intuitivo, que não se recusa avaliar as coisas de um jeito mais psicológico e emotivo (digo emotivo não dele se envolver emocionalmente nos casos, mas em não deixar as próprias emoções e intuições completamente de lado, como o Holmes faz).

Vale lembrar também que ele é um grande precursor desse estilo de detetives, por isso não é coincidência suas semelhanças com o nosso querido violinista inglês, embora, ao contrário da maioria, Dupin não seja nem policial, nem um investigador profissional, usando de seu talento natural para investigações mais por curiosidade e para a própria satisfação.


Lu: Bem, minha próxima indicação talvez não seja tão amplamente conhecida quanto os três últimos citados... mas se você é um leitor do Coruja e nunca leu o nome dele por aqui, merece levar um cascudo.

Todo mundo que freqüenta o blog conhece minha paixão pela vida e obra do excelentíssimo Sir Terry Pratchett – também conhecido como o Homem do Chapéu
(Dani: você gosta dele? Não diga... Dé: Tu jura? Eu não tinha percebido, acredita?) Eu adoro todo o elenco de personagens fantásticos que Pratchett criou para Discworld, mas um, em especial, se destaca do conjunto da obra. Ele tem meu coração e minha lealdade.

Estou falando do Comandante Samuel Vimes, claro.

Vimes cresce infinitamente como personagem em cada um dos livros que Pratchett escreveu concentrando-se na Guarda de Ankh-Morpork. Ele é um policial das ruas, do tipo que conhece (literalmente) sua cidade com as solas dos pés; galgou quase sem querer a hierarquia da polícia com sua forma bastante cínica de pensar - mas quando vamos ao que realmente interessa (Verdade, Justiça, Liberdade, Amor com Preço Razoável e Ovo Cozido), ele é o melhor homem para o cargo.


Dé: Ovo Cozido? O_o

Dani: Ovo cozido?? O.O

Lu: É o lema da República em Night Watch... XD Vimes pertence à tradição dos detetives durões, e está bem longe de ser um mocinho – na verdade, ele tem uma consciência bastante aguda da ‘besta’ que vive dentro do ser humano. Ele faz as perguntas que ninguém quer fazer e incomoda... bem, ele incomoda todo mundo em Ankh-Morpork, para dizer a verdade. Mas nunca deixa de fazer seu serviço.

Dani: Eu gosto de detetives assim, que fogem dos estereótipos e até mesmo da lei e do bom senso!

Dé: Então vai adorar o meu. Bom senso é uma coisa que ele tem em falta.

Dani: Só é pena que eu nunca tenha lido nada do Pratchett. Lu, você não prometeu que ia me fazer uma lavagem cerebral e me fazer tão conhecedora de Pratchett quanto você?

Lu: Então, que está a caminho... Pode deixar, Dani, logo, logo chega aí sua primeira lição em lavagem cerebral...

Dani: *_________* Agora estou ansiosa!

Lu: Mas, enfim... Em certos aspectos, Samuel Vimes é muito parecido com o seu detetive, Dé.

Dé: Ele passa metade do livro apanhando, faz piadas infames (e boas!) e vive sem grana? XD

Lu: Hã... não exatamente... afinal, ele se casa com a mulher mais rica de Ankh-Morpork e contra a própria vontade vira um Duque...

Dé: Errrr... isso definitivamente NÃO se aplica para o detetive que escolhi...

Para os leitores mais antigos do Coruja, tais características devem parecer famíliares, já que este último é figura carimbada nos posts: Harry Dresden. Na verdade, ele não se classifica como detetive e sim como mago; mas se pensarmos bem, por que ele não se enquadraria?

Mesmo não fazendo oficialmente parte da força policial de Chicago, ele se utiliza dos seus métodos de investigação para resolver crimes que são... estranhos, isso, estranhos... demais para a investigação policial “tradicional”. Claro que os “métodos de investigação” em questão normalmente envolvem subornar fadas com pizza, conjurar uma magia de rastreio ou outra, fazer as perguntas certas para criaturas do Nevernever e ter a poção ou magia certa preparada pra quando tudo der errado. E em se tratando de Dresden, alguma coisa VAI dar errado...


Dani: Subornar fadas com pizzas??? O_O

Dé: Sim, pizzas. Faz sentido no contexto... ou não. Ainda estou em dúvida nesse ponto.

Dani: ???? O___O

Lu: Esta cena é impagável e inesquecível. Dé, você deve ficar responsável pela lavagem cerebral da Dani fazendo-a ler Dresden também XD

Dé: Sim senhora! XD

Dani: Estou começando a achar que dispor a minha complicada massa cinzenta a vocês não foi uma boa idéia...

Acho que vou fazer o mesmo e ensiná-los a desenhar!


Dé: E quando começamos? =D

Lu: Hã...

Bem, acho que por hoje é só. Alguém percebeu que na escolha de cores que fizemos para escrever, somos quase as quatro casas de Hogwarts? Uma Corvinal, uma Grifinória e um Sonserino. Só falta encontrarmos agora um Lufano para completar a confusão...


Dé: Sou um sonserino? Isso explica MUITA coisa...

Dani: Putz, eu definitivamente não sou uma grifinória... ^^” Mas a Lu é Corvinal, com certeza!

Lu: Todo mundo concorda que sou uma corvinal. Por que será? Bem, discutiremos isso quando formos a Hogwarts nas nossas vertigens listópicas (oi?)

Mês que vem tem mais ;)


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5 comentários:

  1. Quem vai querer ser da Lufa-lufa??? (desculpe, eu vi alguns vídeos muito estúpidos no YouTube por esses dias 'xD Pesquisem "What the hell is a hufflepuff?" se tiverem paciência para essas coisas)

    Muito boa a seleção de personagens :D Antes de ler o especial, eu confesso que achava o Poirot superior ao Holmes, principalmente por desconhecimento da obra do Conan Doyle, eu suponho, mas esse mês, jogando The Owl Game e lendo seus pensamentos e pesquisas no assunto aprendi muito sobre o personagem e o cenário criado em torno dele, e o "misantropo antissocial" acabou me conquistando um pouco... Acho que os dois estão empatados no momento.

    Li um artigo outro dia que comenta sobre Holmes ter sido a origem de todas as séries de CSI e fiquei pensando em escrever um texto comparando as histórias do Doyle e seriados policiais... Agora me ocorreu que Poirot poderia muito bem ser a raiz de series como Criminal Mind... E talvez haja algo de Auguste Dupin no protagonista daquela série Life... Se você tirar toda a questão da depressão e tal u.u' Mas provavelmente existe algum detetive ficcional pra fazer a comparação. Ou podemos usar o Dr. House 8D

    Vocês criaram um monstro, só pra constar.

    Estou com vontade de reler meus livros de Discworld com a guarda... E de comprar mais livros. E de comprar Dresden Files (com que dinheiro, eu não sei) =.=' Lulu, seu blog um dia me levará a declarar falência, eu prevejo...

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    1. Rafa, não sei se você assiste ou assistiu mas tem muito da relação de Holmes e Watson também em Bones, a relação dela com o Booth, eu adoro essa série também e só de um tempo pra cá me peguei fazendo essa relação.

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    2. Definitivamente que tem! (e eu sou completamente viciada em Bones :D) O conflito de racionalidade e ciência com instinto e emoção (e entre diferentes interpretações de verdade e justiça) é uma das coisas mais interessantes em Bones... E a Brennan é completamente uma herdeira do Holmes, vamos admitir... xD

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    3. Rafa, na boa, você realmente acha que estou reclamando de ter criado um monstro? Pelo contrário, ofereço minha ajuda! HUAHUAHUAHUA...

      Adoro Bones!

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    4. Aff e eu adorando esse povo todo gostando porque antes era uma fã solitária.

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