22 de maio de 2012

Um Estudo em Sherlock – Parte V: “Quick, man, if you love me!”



- Você não está ferido, não, Watson? Pelo amor de Deus, diga-me que não foi atingido.

Valia bem um ferimento, ou muitos ferimentos, para saber o tamanho da lealdade e afeição que se escondiam por trás daquela máscara impassível. Aqueles olhos claros e duros embaciaram-se por um momento, e os seus lábios firmes se puseram a tremer. Pela primeira e única vez na minha vida senti bater o grande coração digno do grande cérebro. Aquela revelação compensou-me de todos os meus anos de serviço humilde e desinteressado.

- Não é nada, Holmes. É só um arranhão.

Ele rasgou as minhas calças com o canivete.

- Tem razão! - exclamou, soltando um suspiro enorme de alívio. - O ferimento é apenas superficial.

O seu rosto assumiu a dureza de pedra quando se virou para o nosso prisioneiro, que estava sentado com expressão atordoada à nossa frente.

- Por Deus, foi muita sorte de sua parte. Se Watson morresse, o senhor não sairia vivo deste aposento. Agora, o que tem a dizer em seu favor?


- Os Três Garridebs -
A questão do relacionamento de Holmes e Watson é tão complexa que merece um inteiro capítulo dedicada apenas a ela, fora das biografias pessoais dos dois personagens – até porque, se você for procurar informações sobre o assunto e discutir com holmesianos e sherlockianos pelo mundo, vai encontrar de tudo quanto é opinião.

Para começar, uma pergunta (aparentemente) simples... Se Holmes e Watson fossem de gêneros opostos, haveria toda essa polêmica ou seria cânone considerá-los um casal?

Não estou querendo começar já lançando grito de guerra e encabeçando cruzadas. A questão é válida. Acho extremamente hipócrita, por exemplo, que eu tendo amigos muito próximos que são homens, pessoas cheguem automaticamente à conclusão de que há mais do que se aparenta em nossas relações, ao mesmo tempo em que descontam qualquer possibilidade de ambigüidade de sentimentos quando os amigos em questão são do mesmo gênero.

E, que fique claro, não sou secretamente apaixonada por nenhum dos meus amigos, nem acho que eles nutrem alguma espécie de paixão reprimida por mim, ao contrário do que pensam alguns conhecidos em comum. Mas vá convencê-los (os conhecidos, não os amigos...) disso.

O resumo da ópera é simplesmente esse: caso o detetive ou o bom doutor fossem uma mulher e o outro permanecesse do gênero masculino, seria implicitamente explícito que eles formariam um casal porque, na mente de uma grande maioria de pessoas, o nível de cumplicidade entre eles não se explicaria de outra forma. Mas como ambos são homens, essa maioria diz que tudo isso é balela e só o que existe entre eles é uma profunda amizade.

Entenderam o problema?

Tanto é assim que você tem uma série como Bones, cujos protagonistas são claramente inspirados nos dois personagens de Doyle - e não há forma de interpretar o relacionamento entre Bones e Booth sem levar em consideração os galões e galões de tensão sexual.

Existem muitas amizades literárias com subtexto homoerótico. E outras tantas que ninguém questiona que o sentimento ali seja de pura amizade. Considerando o tempo que tem se investido em discutir se Holmes e Watson são ou não um casal, bem como as proporções que esse debate tomou em anos e anos de histórias, no mínimo devemos entender que existe, sim, uma margem de ambigüidade naquilo que o autor escreveu, de forma que a possibilidade de uma relação amorosa entre os dois é crível.

[Dé: Especialmente quando se assiste a série da BBC com a Lu do seu lado...

Lu: Dé, acredite-me, você não viu nada. Eu sou extremamente comportada comparada a alguns fãs que vi por aí...]


Afinal de contas, existem motivos para considerarmos Pátroclo e Aquiles como amantes, mas você não vê ninguém falando que Sancho Pança estava de namorico com Dom Quixote. E a dupla que Doyle criou se encaixa nesses dois arquétipos de personagens.

Mas não nos apressemos. Vamos por partes. Como o querido Jack em Whitechapel...

A primeira observação a se fazer é que a forma como a sociedade vê a proximidade entre amigos mudou um tanto da virada do século XIX pra cá. Embora a idéia do homossexualismo exista desde que o mundo é mundo – e não apenas entre humanos – o conceito de sexualidade como forma de identidade só surgiu com Freud, em 1905. É até curioso, considerando o quão reprimida era a sociedade vitoriana, que não se achasse estranho dois homens caminhando de braços dados na rua, enquanto hoje tal atitude despertaria, de imediato, comentários (e às vezes, infelizmente, até mais do que isso...).


Não que não houvesse preconceito. Até 1861, o crime de sodomia era punido com a morte na Grã-Bretanha (junto com zoofilia), quando então passou a ser passível de pena perpétua. Em 1885 – dois anos antes de Doyle publicar Um Estudo em Vermelho - o Parlamento aprovou a Labouchere Amendment, que transformava em crime toda e qualquer atividade imoral ocorrida entre homens, ainda que intercurso não pudesse ser provado. Essa lei, aliás, foi a base da condenação de Oscar Wilde. Curiosamente, o crime ocorria apenas se o casal em questão fosse do sexo masculino.

Vá entender...

Sob esse contexto, acho bastante improvável que Doyle estivesse levantando bandeira com Holmes e Watson. Considerando a caricatura que ele fez de Wilde com Thadeus Sholto em O Signo dos Quatro, podemos arriscar pelo menos que ele não gostava muito do poeta. Seja como for, independente de quais fossem as visões dele sobre o assunto, não creio que ele fosse se arriscar abertamente.

Por outro lado, os vitorianos são famosos pelos níveis e mais níveis de interpretação de seus discursos. Drácula, que é da mesma geração dos livros de Sherlock Holmes (aliás, Stoker e Doyle se conheciam), é repleto de frases, expressões, cenas de duplo, triplo e quádruplo sentido. Códigos e simbologia eram usados para expressar tudo aquilo que a sociedade não aceitava enxergar à luz do dia.

Mais de uma das histórias do cânone tem subtexto homoerótico. A mais escancarada é, sem dúvida, Wisteria Lodge - afinal, é difícil acreditar outra coisa quando Eccles descreve Garcia como ‘um dos homens mais belos’ que já conheceu e prossegue com sua história dizendo
— Sou solteiro — disse — e, como tenho um temperamento sociável, possuo largo círculo de amizades. Entre estas, encontra-se a família de um antigo fabricante de cerveja chamado Melville, residente na Albemarle Mansion, em Kensington. Foi à sua mesa que conheci, há algumas semanas, um rapaz de nome Garcia. Era, ao que soube, de origem espanhola, e tinha uma ligação qualquer com a embaixada. Falava perfeitamente o inglês e, além de muito afável no trato, era um dos homens mais belos que já vi em toda a minha vida. Entre mim e esse rapaz manifestou-se imediatamente uma sincera amizade. Ele parecia ter simpatizado comigo desde aquele primeiro encontro, e, dali a dois dias, foi visitar-me em Lee. Uma coisa puxa outra, e acabou por me convidar para passar alguns dias em sua residência — a Vila Glicínia —, situada entre Esher e Oxshott. Ontem à noite dirigi-me a Esher a fim de atender ao convite.
Como aplicar aqui uma interpretação inocente, não imaginar o que foi uma coisa que levou a outra, especialmente depois do primeiro elogio? É complicado engolir que Eccles e Garcia, após um único encontro, tenham decidido que são amigos íntimos do tipo que passam temporadas na casa do outro.

Aliás, elogios como o de Eccles não faltam no cânone. Mais de uma vez Watson descreve algum de seus clientes e conhecidos com palavras como ‘dashing’ e ‘handsome’ – o que no mínimo mostra que ele presta atenção às aparências. Em Um Escândalo na Boêmia, a descrição de Godfrey Norton por Holmes é muito mais elaborada do que aquela que ele faz de Irene Adler – e tão elogiosa quanto. Ambos têm bons olhos para a avaliação da beleza masculina.

Seja como for, apreciar o que é belo não implica estar apaixonado por seu melhor amigo.

Holmes é uma pessoa introspectiva. Ele não se sociabiliza, tem aversão à sociedade de uma forma geral e uma desconfiança profunda do sexo feminino em particular. Não que ele não goste das mulheres. Holmes, simplesmente, não gosta de pessoas; ele é, em sua essência, um misantropo.

Watson é praticamente o oposto de tudo o que o amigo é. No entanto, desde o primeiro momento em que eles se conhecem, Holmes faz do doutor uma exceção. Em Barts ele “parecia encantado com a idéia de dividir seus aposentos” com Watson, e solta um “riso alegre” quando este aceita ser seu companheiro em Baker Street – algo que não é exatamente comum do detetive.

Bem certo que podemos argumentar que Holmes estava apenas usando de seus dotes dramáticos superiores para conseguir alguém com quem dividir as despesas do apartamento, mas a verdade é que a abertura que ele dá a Watson já dessa cena inicial nunca desaparece – e é uma confiança que o detetive não estende a muitas pessoas.

É uma confiança que faz Holmes convidar Watson para uma cena de crime, e depois, explicar passo a passo sua dedução – quando fica claro pela exasperação de Gregson e Lestrade que isso não é algo que ele tenha o costume de fazer.

Confiança é uma palavra-chave no relacionamento de Holmes e Watson. Ela está lá no sem número de vezes em que o detetive pede que seu amigo leve o revólver – estando ele mesmo desarmado, na certeza de que tem alguém para vigiar suas costas; ou na forma como ele permite que Watson conte suas histórias, como divide com ele as narrativas de que o doutor não participou. Em outras palavras, Holmes confia a Watson sua vida, sua história e sua reputação – tudo aquilo que faz dele a pessoa que é.

Essa abertura que Holmes dá a Watson de forma praticamente incondicional é ainda mais surpreendente por não ser da natureza dele essa verdadeira profissão de fé. Holmes tem aversão à humanidade, exceto por Watson.

Agora, o que faz do doutor um homem tão especial para merecer isso?

Lembrem-se mais uma vez do início de Um Estudo em Vermelho. Na litania que Watson transforma sua história, uma palavra é constante: sozinho. Sozinho na campanha no Afeganistão, sozinho no Hospital, sozinhos em seus pesadelos febris, sozinho ao voltar para a Inglaterra, sem nenhum parente ou amigo, sozinho, “levando uma existência desconfortável e sem qualquer sentido”.

Então ele conhece Holmes... e o detetive passa a preencher toda a sua vida. Se Sherlock lhe dá confiança incondicional, ele responde com lealdade inquestionável. Watson não hesita em seguir o amigo qualquer que seja o perigo – seja invadir a casa de um chantagista ou experimentar os efeitos de uma droga que pode levar à insanidade.

A posição que eles ocupam na vida um do outro é incomparável. Para Watson, Holmes sempre é prioridade – mesmo sobre a própria esposa (são incontáveis o número de vezes em que ele abandonou Mary por Baker Street, mesmo quando ainda era recém-casado). E se Holmes não abre mão do trabalho, ele certamente faz outros sacrifícios por Watson – não se pode esquecer que ele deixou a cocaína por insistência de seu biógrafo.

Se isso não é amor, não sei o que mais o que pode ser.

Aliás, declarações de ambos os lados são comuns. Quando Holmes diz “rápido, se você me tem amor” em O Detetive Agonizante, (e o doutor praticamente pula em resposta, na sua pressa de obedecê-lo), ou Watson abre O Problema Final com o coração claramente partido; por ações e palavras ambos estão dizendo ‘você é a pessoa mais importante em minha vida’.

Nenhuma cena é mais marcante nesse aspecto que o diálogo de Os Três Garridebs; no desespero de Holmes ao ver Watson ferido está transbordante toda a emoção que até então estivera fechada sob a face do ‘autômato sem coração’.

Que Watson e Holmes se amam, eu acredito de forma inquestionável. Que essa relação vá além do puramente platônico, aí já são outros quinhentos.

Holmes não é exatamente uma pessoa táctil. Conte quantas vezes ele aperta a mão de alguém nas histórias. A exceção, como de hábito, é Watson, a quem o detetive imediatamente alcança, às vezes até de forma inconsciente. E não é apenas tocar. Holmes não tem qualquer respeito por espaço pessoal, está sempre muito próximo, muito em cima, praticamente bafejando em seu pescoço – ou, para ser exata, em um único específico pescoço.


Ele é possessivo (são incontáveis as vezes em que ele diz ‘my dear’, ‘my boy’ e ‘my Watson’), ciumento de seu tempo com Watson (preste atenção em como ele simplesmente ignora o fato de que o amigo tem uma esposa quando o rouba para um caso) e no mais das vezes francamente ególatra (quase engasguei quando Holmes me solta “Naquela ocasião, o bom Watson tinha me abandonado por uma esposa, sua única ação egoísta de que me recordo durante o tempo de nossa sociedade.” em O Rosto Lívido).

E eu também perdi a conta de quantas vezes ele apareceu no quarto de Watson pela manhã para tirar o doutor da cama.

[Dé: Com a camisa roxa?

Lu: Não necessariamente... HUAHUAHUAHUA...]


Que Watson não se importe com nada disso, acabe incorporando o hábito de não respeitar espaço pessoal e ainda se saia com um pouco de flerte inocente uma vez ou outra – para não entrar no mérito de sua obsessão com os olhos de Holmes – é bastante eloqüente.

Não vou destrinchar aqui conto por conto, cena por cena e palavra por palavra para tentar provar que havia mais coisas acontecendo em Baker Street do que imagina nossa vã filosofia. Se seu interesse é o estudo do subtexto em toda a sua miríade de interpretações, eu recomendo dar uma lida em Decoding the Subtext – são quatrocentas páginas de excelente análise, com que me diverti muito.

Em vez disso, tratarei apenas de alguns tópicos finais sobre o assunto.

Pessoas que estiveram numa guerra têm dificuldade em se relacionar depois com aqueles que ficaram para trás. Eles não apenas foram testemunhas de grandes horrores, como muitas vezes foram os perpetradores deles e a consciência de tal fato os separa do resto do mundo. A não ser que ele banalize o mal – como no conceito da filósofa Hannah Arendt – o conhecimento de sua natureza, de sua capacidade de destruir sempre estará lá.

Ao mesmo tempo, num campo de batalha, ao lado da carnificina e da destruição irracional, existe um companheirismo que nem sempre é possível no ‘mundo real’ – ali, a pessoa que está às suas costas pode significar a diferença entre estar vivo hoje e morto amanhã. Você confia – porque não há alternativas – e essa confiança vai ser levada dali para o resto da vida (se você sobreviver).

Isso existe entre Holmes e Watson – como existe entre Frodo e Sam de O Senhor dos Anéis, por exemplo. Em condições extremas, você revela aquilo que verdadeiramente é, o seu real valor.

Tanto Holmes quanto Watson viram a guerra. Watson esteve em campos de batalha no Afeganistão e quase perdeu a vida no processo. Holmes por sua vez, trava seus próprios combates todos os dias nas ruas de Londres, contra ladrões, chantagistas e assassinos. Watson sabe o que é lealdade – só sobreviveu por ter ao seu lado um homem leal. Holmes nunca conheceu lealdade antes de Watson.

É alguma surpresa que eles sejam absolutamente devotados um ao outro?

No final das contas, nada disso importa muito. Consciente ou inconscientemente, Doyle deixou margem à interpretação em suas histórias e é única e exclusivamente do interesse de cada fã enxergar o que quiser enxergar nessa margem.

A única coisa que importa de verdade é o fato de que não existe Holmes em Watson ou Watson sem Holmes. O resto dos fatos está aí, teorizem à vontade.


(Continua em “I play the game for the game’s own sake.”...)


A Coruja


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16 comentários:

  1. Eu estaria sendo muito inocente se os visse praticamente como irmãos?...

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    1. Não, Régis. Essa é a beleza do texto do Doyle... você pode interpretar da maneira como quiser. Você tem plena liberdade para enxergar o que quiser enxergar.

      E, cá entre nós, em termos de cânone, eu os vejo como irmãos também.

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  2. Lindo, lindo!! *bate palmas*
    Essa relação é a minha característica favorita nisso tudo. Eu queria muito ter uma amizade tão bela e verdadeira assim.

    Bom, eu sempre fiz piadinhas sobre ter algo a mais entre esses eles, mas só com a série da BBC que eu passei a shipar os dois de verdade. E não tão comportadamente assim XDD se bem que eu e considero mais pura do que uma santa vendo algumas fãs por aí...

    Tá faltando cena em 'Sherlock' com ele acordando o John - COM a camisa roxa! XDD

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    1. Aqui novamente porque eu esqueci de falar uma coisa: também acho um saco essa mania de supor que homens e mulheres não poderem ser amigos sem ter algo mais, mas amizades entre pessoas do mesmo sexo ser impossível de evoluir assim. E isso só deixa mais idiota a decisão do seriado 'Elementary' de transformar o Watson em mulher - eles querem tensão sexual para atrair audiência, mas acham que não pode ter esse elemento se os protagonistas forem dois homens.

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    2. Falou e disse!!! Muitas vezes falo que não acredito que Holmes e Watson sejam um casal ou se amem nesse sentido, e creio que Doyle nem tava tão preocupado com isso ou fazer com que eles realmente sejam. Mas uma coisa que dá para ver claramente é a amizade. E amizade nd mais é do que amor, um tipo de amor como o amor fraternal (no caso), paternal, entre um casal, o amor que tem por Deus e etc....
      Eu creio que Holmes e Watson se amem, mas o amor fraternal, que existe entre amigos e irmãos. Não me espantaria se Holmes sentisse como se Watson fosse um irmão e vice-e-versa. Sabe, eu vejo isso até mesmo pela minha experiência, minha pequena experiência de vida. No momento tenho uma amizade, creio eu, seja profunda por uma garota da minha turma na faculdade. No dia-a-dia a gente anda mto juntas, ainda mais que a gente trabalha no mesmo laboratório na iniciação científica. Mtas vezes ah troca de olhares e até gestos e toques. Mas nós duas gostamos de homens. Creio que sim, há amizades, puras amizades entre homens e mulheres, mulheres e mulhres, homens e homens. Gostei mto do texto. E detalhe: Na maioria das vezes, se não todas, que eu leio livros do Holmes (Cânone e Pastichos) é como se eu entrasse na pele do Watson, e sinto td que ele sente, inclusive em relação ao Holmes. E não me sinto desconfortavel sabendo que são 2 homens ali. Bom... é o que eu acho... Não podemos esquecer que Holmes tinha dito que sentimentos e amores o atrapalham em seu trabalho, se eu não me engano, tomando isso como partida fica um pouco difícil conseguir pensar em Holmes apaixonado, apaixonado por quem quer que fosse, homem ou mulher... Bom, acho que já escrevi demais... kkkk

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    3. Lizzie, como já respondi ali em cima para a Régis... no cânone, eu enxergo Holmes e Watson numa relação fraterna. Eles têm uma amizade muito profunda, muito bonita, invejável mesmo. Agora a série da BBC, não tem para onde correr, né? O roteiro brinca constantemente com essa idéia do 'algo a mais' e a coisa é tão intensa, tão carregada, que você só pode pedir que pelo amor de deus, eles se toquem de uma vez e acabem com tanta tensão sexual flutuando pela sala de 221B Baker Street...

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    4. Laura, eu adoooooooro quando vocês escrevem demais ;)

      Bem, eu concordo plenamente contigo, como já deixei claro no texto... Existe amor entre Holmes e Watson - mas o que não podemos esquecer é que não existe um único tipo de amor.

      Tenho uma amiga extremamente querida que está no momento do outro lado do mundo. Ela é totalmente louca de pedra (oi, Ísis!), mas eu adoro ela. Não apenas isso; tenho uma profunda confiança nessa criatura - já dividi com ela tanto mágoas quanto alegrias, já chorei e tive crises de riso e fiz comentários cretinos. E ela é minha revisora de histórias, uma das pessoas cuja opinião mais dou valor. Ela não me poupa de críticas nem de elogios. E volta e meia digo a ela que a amo, e que sinto desesperadamente a falta dela.

      Ísiiiiiiiiiiiiiissssssssssssss!!! Acabo de me aperceber!!!! VOCÊ É MINHA WATSON!!!!

      Incidentalmente, tenho outro amigo que também é no mesmo nível que a Ísis (só que ele é mais sério que a pãozinho cor de rosa). Toda vez que saio com ele, digo que estou tendo uma sessão de terapia. Faz mais de uma década que a gente se conhece, e eu já chorei no colo dele, ele já chorou no meu ombro, e, sério, se essa história de amizade entre homem e mulher não ser possível fosse verdade, eu estaria casada com ele. E nunca rolou nada, a despeito de um monte de gente jurar que deveríamos ficar juntos.

      Enfim... não acredito no papinho do Holmes de "sentimentos só atrapalham" porque basta olhar para as reações dele frente ao Watson. Como já escrevi continuamente, existe amor ali entre eles - confiança, admiração, respeito e uma profunda amizade. Acho que é isso que nos encanta.

      Ok, depois desse discurso, vou me candidatar a presidente XD

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  3. Mais um texto ótimo seu! Essa questão do relacionamento dos dois, para mim, sempre foi o mais importante, foi sempre o que me chamou mais atenção nos livros. Já com 12 anos, eu já considerava a amizade o sentimento mais puro e bonito que existe e aforma de amor mais bonita, e eu só fui evoluindo esse sentimento ao longo dos anos.
    Confesso que não concordo com a ideia deles serem um casal, mas fatalmente que existe esse tipo de abertura no testo do Doyle. A questão só não me cabe porque, a princípio, nunca consegui ver Sherlock como um ser sexuado, não me lembro dele se importar com o que mulheres ou homens pensem dele. Para mim, é como se ele visse as relações interpessoais como um experimento, ele testa as pessoas, adivinha suas reações, e creio que sim, sua habilidade para dedução o fez confiar e acreditar no Watson já em um primeiro momento ( aqui eu posso estar endeusando demais o talento dele).
    Posso lançar como comparativo aqui, a relação de Mulder e Scully em Arquivo X, um homem e uma mulher, mas diferente do que acontece em Bones, a possível tensão sexual não foi o que aproximou eles. Na verdade, eu que era meio contra a relação amorosa dos dois acabei curtindo muito como isso foi abordado, principalmente porque não abalou o sentimento mais importante que era a amizade. Scully buscou Mulder desesperadamente pelo mundo não porque ele era "só" o amor da sua vida, ela buscou a pessoa que sempre confiou, acreditou, mostrou novos mundos e respostas, a pessoa mais importante da vida dela.
    Sherlock e Watson se amam isso é fato e é lindo, mas se em algum momento isso chegou a ser tensão sexual é o que menos importa pra mim, porque, tem muito mais sentimento em cima disso. Mas repito, ainda considerando a existência dessa possibilidade, não é algo que me agrade muito, odeio "estragar" amizade com paixão! =p

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    1. Também acho difícil enxergar Holmes no cânone como um ser sexuado. Mas a maneira como ele foi interpretado na série pelo Benedict Cumberbatch o tornou um ser extremamente sensual, ainda que se diga que ele é virgem. Eu consigo ver o Holmes dos contos de Doyle como virgem, mas não o da série.

      Eu me diverti lendo o tratado que escreveram para provar que os dois viviam uma relação física. Me ajudou a enxergar as possibilidades que existem nas entrelinhas. Só que a questão toda é que você vê nessas entrelinhas o que você quer ver.

      Pelo formato das histórias, pela abertura que existe na idéia de continuidade quando você a aplica a estruturas como um conto, existe essa margem, essa liberdade para interpretação. Não há nada que contrarie completamente a teoria, mas também não há nada que a afirme, então todo mundo pode ser feliz e ver a coisa como bem entender XD

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  4. Sim, o Holmes do Benedict Cumberbatch é sensual ( e ardente xD), mas não quer algo mais intrigante que o pessoa sensual assexuada? Eu até acredito que Sherlock não seja virgem, mas imagino que tudo fez parte de um experimento em que ele queria provar que **insira aqui qualquer blá, blá, blá, insano digno de pessoas geniais**.

    E sim, uma das grandes qualidades das histórias é deixar isso meio que "em aberto", afinal, Doyle não está aqui para desmentir ninguém, então, a livre interpretação da relação deles também faz parte do incrível sucesso e popularidade da obra =)

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    1. Eu imagino exatamente isso, Dana, que ele tenha experimentado loucamente, porque você consegue imaginar Sherlock aceitando que não sabe algo sobre alguma coisa? E amor, paixão, sexo, tudo isso está na raiz de muitos crimes, faz parte do trabalho dele e todos sabemos que Sherlock nunca deixa nada passar em branco em favor do Trabalho.

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  5. E finalmente eu li a 5a parte! \o/
    EI, quem eh o homem leal q garantiu ao Watson sua sobrevivência? Esse cara morreu? Tem algo a ver com o machucado (psicológico) de Watson?

    Uhm, adorei a forma (quase) neutra que vc usou para analisar a relação deles... Ficou muito legal. E eu nunca vou me cansar de admirar q qde de coisas q vc consegue ler, gravar e dp usar... NUNCA que eu ia me lembrar quem era a psiquiatra da teoria da banalização do mal (aliás, nunca q eu ia lembrar q essa teoria existe... >.<).
    SIm, eu sei q internet existe e talz, mas msm pra isso é necessário lembrar algumas palavras-chave...

    cara, vou morrer e vou continuar achando q o Jude Law eh o Watson mais bonito, sexy e whatever else q ja existiu... :O~~~~

    e amei a teoria do "sozinho". eh sua ou tem em um dos 3573405 livros q leste?

    ... Minha Sherlock!!!! >.<
    (mas se vc inventar de me tratar como Sherlock treata Watson, I WILL GET PHYSICAL. XP KKKKKKKKKKKK)
    saudades tb... gira e mexe vjo algo q me lembra d+ d vc... :D

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    1. O homem leal que garantiu a sobrevivência de Watson foi um ajudante de ordens dele. Ele não morreu, até onde eu saiba. É um pouco difícil estabelecer o destino do homem, porque ele atravessou o campo de batalha com John, deixou-o no hospital e depois sumiu, enquanto John ardia com febre tifóide, passando meses entre a vida e a morte...

      No cânone não se fala em dor psicosomática. Em "Um Estudo em Vermelho", John afirma que foi acertado no ombro; em "O Signo dos Quatro" ele fala de uma ferida na perna; de forma geral, os estudiosos argumentam que esses são exemplos das contradições usuais de Doyle, mas gosto bastante de um braço de teóricos que diz que o ferimento na perna foi causado em algum dos casos não divulgados para o público.

      Hannah Arendt não é psiquiatra, Ísis... não estudasse ela? Arendt era filosófa, e algumas teorias dela são estudadas em Direito. Acho que ela é uma das 'ídolas' de Lorena...

      E a teoria do sozinho... bem, basta ler o cânone, não é mesmo? Está tudo lá.

      Não se preocupe, minha querida Watson, não pretendo tratá-la mal. Você sabe que quando não estou surtada (no meio de um caso), sou muito gentil ;)

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  6. Também acho que a relação deles está mai para irmãos. Veja por esse lado, mulheres podem ser inteiramente leais em uma amizade e estabelecer um laço afetivo sem medo(ou pelo menos te um tempo atras podia-se) de levar o titulo de uma relação homossexual. Mas toda vez que dois homens estão nesse papel, a coisa muda de lado.
    Sei lá, só consigo vê-los como irmãos.

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    1. Pois é, é uma questão complicada... e absurda, especialmente quando você vê casos como o que aconteceu em Salvador recentemente (acho que foi em Salvador...), que um rapaz foi morto porque estava abraçado na rua com outro rapaz... que era o irmão dele.

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  7. Considerando q nao recebo emails avisando qdo vc responde fica dificil saber qdo vc o faz... e obvio q, com a minha memoria, nao lembro nunca de olhar.

    Respondendo:

    Eu lembro dessa contradicao... hehehehe...
    Entao aquele "manco" dele nao tem no livro? oO

    Provavelmente nao estudei nao, ja q esse nome me parece meio estranho... Mas, com a minha memoria. Eu lembro que ja estudei essa teoria de passagem pra alguma coisa, mas nao lembro do nome nem mais nada... ^^'''''

    Eh, mas o ponto era: achei q a forma como vc colocou a teoria do sozinho tava tao bonita que tivesse elaborado outra de suas teorias (por mais que esteja aparente no livro, nem sempre eh facil colocar em palavras).

    Preciso te deixar longe dos casos entao... Oh, ceus, como farei?! XP
    bjos,

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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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