31 de março de 2012

A Vertigem das Listas: Três Duelos de Tirar o Fôlego


Lu: Se Deus der bom tempo, esse negócio sai hoje... depois de muitos falsos começos – porque andei brigando com o tempo e o Dé ficou sem computador e meu pai que estamos às vésperas dessa coluna ir ao ar! – finalmente estamos aqui.

Dé: Que mês, não é? Ao menos pudemos atualizar bem em tempo de ir ao ar! Você poderia apresentar o tema deste mês, Lu?

Lu: Bem, o tema de hoje... o tema de hoje é um dos meus favoritos na nossa lista para esse ano, sendo bastante sincera... março, terceiro mês do ano, é aqui no vertigem das listas também o mês de três duelos inesquecíveis. E eu começo com um que me deu arrepios quando li pela primeira vez, que me levou às lágrimas e depois a alturas inominadas de empolgação – porque ele começa num livro e só sabemos o final dele em outro livro...

Estou falando do absolutamente memorável embate entre Gandalf e o Balrog nas minas de Moria. YOU SHALL NOT PASS!


— Um balrog! — murmurou Gandalf. — Agora eu entendo. — Perdeu o equilíbrio e se apoiou no cajado. — Que má sorte! E eu já estou exausto!

A figura escura, envolvida em fogo, corria em direção a eles. Os orcs gritavam e avançavam para a passarela de pedra. Então Boromir levantou sua corneta e a tocou.

Forte o desafio soou e retumbou, como o grito de muitas gargantas sob o teto cavernoso. Por um momento os orcs estremeceram e a figura de fogo parou. Então os ecos se extinguiram de repente como uma chama apagada por um vendaval, e o inimigo avançou outra vez.

— Para a ponte! — gritou Gandalf, recobrando as forças. — Fujam! Este é um inimigo além das forças de qualquer um de vocês. Preciso proteger o caminho estreito. Fujam!

Aragorn e Boromir não obedeceram ao comando, e ainda ficaram onde estavam, lado a lado, atrás de Gandalf na extremidade oposta da ponte. Os outros pararam bem na passagem na ponta do salão e se viraram, incapazes de deixar seu líder sozinho, enfrentando o inimigo.

O balrog alcançou a ponte. Gandalf parou no meio do arco, apoiando-se no cajado com a mão esquerda, mas na outra mão brilhava Glamdring, fria e branca. O inimigo parou outra vez, enfrentando-o, e a sombra à sua volta se espalhou como duas grandes asas. Levantou o chicote, e as correias zuniram e estalaram.

Saía fogo de suas narinas. Mas Gandalf ficou firme.

— Você não pode passar — disse ele. Os orcs estavam quietos, e fez-se um silêncio mortal. — Sou um servidor do Fogo Secreto, que controla a chama de Anor. Você não pode passar. O fogo negro não vai lhe ajudar em nada, chama de Udún. Volte para a Sombra! Não pode passar.

O balrog não fez sinal de resposta. O fogo nele pareceu se extinguir, mas a escuridão aumentou. Avançou devagar para a ponte, e de repente saltou a uma enorme altura, e suas asas se abriram de parede a parede, mas ainda se podia ver Gandalf, brilhando na escuridão; parecia pequeno, e totalmente sozinho: uma figura cinzenta e curvada, como uma árvore encolhida perante o início de uma tempestade.

Saindo da sombra, uma espada vermelha surgiu, em chamas. Glamdring emanou um brilho branco em resposta.

Houve um estrondo e um golpe de fogo branco. O balrog caiu para trás e sua espada voou, partindo-se em muitos pedaços que se derreteram. O mago se desequilibrou na ponte, deu um passo para trás e mais uma vez ficou parado.

— Você não pode passar! — disse ele.

Num salto, o balrog avançou para cima da ponte. O chicote zunia e chiava.

— Ele não pode ficar sozinho! — gritou Aragorn de repente, correndo de volta ao longo da ponte. — Elendil! — gritou ele. — Estou com você, Gandalf!

— Gondor! — gritou Boromir, correndo atrás dele.

Nesse momento, Gandalf levantou o cajado e, gritando bem alto, golpeou a ponte. O cajado se partiu e caiu de sua mão. Um lençol de chamas brancas se ergueu. A ponte estalou. Bem aos pés do balrog se quebrou, e a pedra sobre a qual estava caiu no abismo, enquanto o restante ficou, oscilando, como uma língua de pedra estendida no vazio.

Com um grito horrendo, o balrog caiu para frente, e sua sombra mergulhou na escuridão, desaparecendo. Mas no momento em que caía, brandiu o chicote e as correias bateram e se enrolaram em volta dos joelhos do mago, arrastando-o para a borda. Ele perdeu o equilíbrio e caiu, agarrando -se em vão à pedra, e escorregou para dentro do abismo.

— Fujam, seus tolos! — gritou ele, e desapareceu.
Dé: Devo dizer que quando cheguei nesse ponto do livro, eu também fiquei sem fôlego. Só conseguia imaginar aquela ponte, na escuridão quase total, sob a iluminação lúgubre vinda do monstro de chamas e trevas, o desespero daqueles em fuga, e a figura cinzenta que sozinho prontificou-se em proporcionar a fuga. Li cada palavra como se fosse a última... Excelente.

Lu: O segundo grande duelo que concordamos em colocar por aqui foi um que nos levou às lágrimas de risada – na verdade, basta que um vire para o outro e comece a fala desta cena que estamos gargalhando. Dé?

Dé: Hehehe. Começo a rir só de lembrar, e não apenas dessa cena, mas da história completa. Vi o filme de A Princesa Prometida muitos anos atrás e, de tão marcante, a única coisa que por anos eu consegui ligar à história, foi justamente esse duelo.


Slowly, inch by inch, Inigo forced his body up the wall, using his legs just for pushing, letting the wall do all the supporting that was necessary. Count Rugen struck again, but for any number of reasons, most probably because he hadn't expected the other man's movement, he missed the heart and had to be content with driving his blade through the Spaniard's left arm.

Inigo didn't mind. He didn't even feel it. His right arm was where his interest lay, and he squeezed the handle and there was strength in his hand, enough to flick out at the enemy, and Count Rugen hadn't expected that either, so he gave a little involuntary cry and took a step back to reassess the situation.

Power was flowing up from Inigo's heart to his right shoulder and down from his shoulder to his fingers and then into the great six-fingered sword and he pushed off from the wall then, with a whispered, "…hello... my name is… Inigo Montoya; you killed… my father; prepare to die."

And they crossed swords.

The Count went for the quick kill, the inverse Bonetti.

No chance.

"Hello… my name is Inigo Montoya; you killed my father… prepare to die…"

Again they crossed, and the Count moved into a Morozzo defense, because the blood was still streaming. Inigo shoved his fist deeper into himself. "Hello, my name is Inigo Montoya; you killed my father; prepare to die."

The Count retreated around the billiard table. Inigo slipped in his own blood. The Count continued to retreat, waiting, waiting.

"Hello, my name is Inigo Montoya; you killed my father; prepare to die."

He dug with his fist and he didn't want to think what he was touching and pushing and holding into place but for the first time he felt able to try a move, so the six-fingered sword flashed forward - and there was a cut down one side of Count Rugen's cheek - another flash - another cut, parallel, bleeding - "Hello, my name is Inigo Montoya; you killed my father; prepare to die."

"Stop saying that!" The Count was beginning to experience a decline of nerve.

Inigo drove for the Count's left shoulder, as the Count had wounded his. Then he went through the Count's left arm, at the same spot the Count had penetrated his. "Hello." Stronger now. "Hello! HELLO. MY NAME IS INIGO MONTOYA. YOU KILLED MY FATHER. PREPARE TO DIE!"

"No…"

"Offer me money."

"Everything," the Count said.

"Power too. Promise me that."

"All I have and more. Please."

"Offer me anything I ask for."

"Yes. Yes. Say it."

"I WANT DOMINGO MONTOYA, YOU SON OF A BITCH," and the six-fingered sword flashed again.

The Count screamed.

"That was just to the left of your heart." Inigo struck again.

Another scream.

"That was below your heart. Can you guess what I'm doing?"

"Cutting my heart out."

"You took mine when I was ten; I want yours now. We are lovers of justice, you and I - what could be more just than that?"

The Count screamed one final time then fell dead of fear.

Inigo looked down at him. The Count's frozen face was petrified and ashen and the blood still poured down the parallel cuts. His eyes bulged wide, full of horror and pain. It was glorious. If you like that kind of thing.

Inigo loved it.

It was 5:50 when he staggered from the room, heading he knew not where or for how long, but hoping only that whoever had been guiding him lately would not desert him now.
Lu: Eu adoro isso... Inigo Montoya é o cara...

Dé: De fato, ele realmente consegue roubar a cena como nenhum outro. Finalmente, o último duelo é de uma história de arrepiar os cabelos. O duelo em questão é apenas parte de algo maior. Este duelo não depende da capacidade física dos combatentes. Este duelo foi a tentativa desesperada de um garoto de onze anos derrotar A Coisa.

Este duelo é o Ritual de Chüd.

Bill mordeu - não com os dentes, mas com dentes em sua mente. Baixando a voz em todo um registro, tornando-a não a sua própria (de fato, tornando-a a voz de seu pai, embora Bill fosse para a sepultura sem saber disto; certos segredos nunca são sabidos, e talvez até seja melhor assim), enchendo o peito com uma respiração funda, ele gritou:

- ELE SOCA OS PULSOS SOBRE OS POSTES, E INSISTE EM VER FANTASMAS COMO HOSTES AGORA DEIXE-ME IR!

Sentiu A Coisa gritar em sua mente, um brado de frustrada e petulante raiva... porém era também um grito de dor e de medo. A Coisa estava acostumada a que tudo fosse à sua maneira; algo assim nunca acontecera a Ela e, até os mais recentes momentos de sua existência, jamais suspeitara de que isso fosse possível. Bill a sentiu encolher-se, não puxando, mas empurrando - tentando mantê-lo distante.

- SOCA OS PULSOS SOBRE OS POSTES, JÁ FALEI!

- PARE COM ISSO! LEVE-ME DE VOLTA! VOCÊ TEM QUE OBEDECER! EU ORDENO! EU EXIJO!

A Coisa tornou a gritar, sua dor agora era mais intensa - talvez em parte porque, enquanto levara sua longa, longuíssima existência infligindo dor, alimentando-se dela, jamais a experimentara como parte de si mesma. Ainda assim, Ela tentou empurrá-lo, livrar-se dele, cega e teimosamente insistindo em vencer, como sempre vencera antes. A Coisa continuou empurrando... mas Bill sentiu que sua velocidade para diante diminuíra, e uma grotesca imagem lhe veio à mente: a língua dela, coberta com aquela saliva animada, estendia-se como uma espessa faixa de borracha, rachando-se, sangrando. Ele se viu pendurado à ponta daquela língua pelos dentes, lacerando-a um pouco a cada vez, o rosto banhado no convulso licor que era o sangue da Coisa, afogando-se em seu fedor mortal, mas mesmo assim mantendo a pressão, mantendo-a de alguma forma, enquanto Ela lutava, cega de dor e de fúria, para impedir que sua língua se fosse...

(Chüd, isto é Chüd, resista, seja corajoso, seja sincero, resista por seu irmão, seus amigos; acredite, acredite em todas as coisas em que acreditou, acredite que se contar ao policial que está perdido, ele o levará em segurança para casa, que existe uma Fada do Dente, morando em um enorme castelo de esmalte, e que Papai Noel mora abaixo do Pólo Norte, fabricando brinquedos com seu bando de duendes, e que o Capitão Meia- noite pode ser real, sim, ele pode sê-lo, a despeito de Carlton, o irmão mais velho de Calvin e Cissy Clark dizer que tudo era um monte de baboseiras infantis, acredite que seu pai e sua mãe voltarão a amá-lo, que a coragem é possível e que as palavras sempre serão ditas normalmente, todas as vezes; nada mais de Perdedores, nada mais de esconder-se em um buraco no chão e chamá-lo de clube, nada mais de chorar no quarto de Georgie porque você não conseguiu salvá-lo e não sabia, acredite em si mesmo, acredite na potência desse desejo)

Ele começou subitamente a rir na escuridão, não de histeria, mas de total, delicioso assombro.

- OH, RAIOS, EU ACREDITO EM TODAS ESTAS COISAS! - gritou, e era verdade. - Mesmo só tendo onze anos, ele pôde observar que a situação se endireitava, em uma ridícula fração de tempo. A luz espraiou-se à sua volta. Bill estendeu os braços para o alto, sobre a cabeça. Virou o rosto para cima e, de repente, sentiu-se inteiramente impregnado pelo poder. Tornou a ouvir A Coisa gritar... e, de súbito, sentiu-se puxado para trás, pelo trajeto que havia percorrido, ainda mantendo a imagem de seus dentes fincados fundos na carne estranha da língua dela, dentes enterrados juntos, uns encontrando os outros, sem entregar os pontos. Ele voou através da escuridão, as pernas voejando mais atrás, as pontas dos cordões dos tênis, pesadas de lama, voando como bandeirolas, o vento daquele lugar vazio soprando em seus ouvidos. - nada mau, filho, mas eu terminei agora; não deixe A Coisa escapar, a energia tem um jeito de dissipar-se, você sabe; o que pode ser feito quando se tem onze anos, freqüentemente nunca mais pode ser repetido.
Lu: Isto foi assustador... Um grand finale, Dé. Acho que é só, né?

Dé: Muito bem caros leitores, apesar de todas as dificuldades, conseguimos trazer-lhes mais uma instância da Vertigem das Listas. Esperamos que tenham gostado e até o mês que vem!!


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4 comentários:

  1. Um bode e uma coruja... Quem diria que daria tão certo? XD

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    1. Pois é... sabe, Dani, considerando que você é nossa desenhista oficial, acho que deveria entrar na lista de colaboradores e ser coruja jr. XD Ou outro animal de sua preferência.

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    2. Acho que eu tô mais para gato, Lu! Quieta e distante! ^^"

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  2. Adorei as escolhas. O duelo do Conde é maravilhoso e fez parte da minha infância. Relembrei bons momentos lendo ele.
    Também sou fã do duelo entre o Professor Moriart e Sherlock Holmes.
    No Harry Potter o da Molly com a Belatrice Lestrange.

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