29 de março de 2012

Projeto Pratchett: Feet of Clay



"Você é a favor das pessoas comuns?" perguntou Dragão suavemente.

"As pessoas comuns?" respondeu Vimes. "Eles não têm nada de especial. Eles não são diferentes dos ricos e poderosos a não ser pelo fato de que não têm dinheiro ou poder. Mas a lei deve estar lá para equilibrar um pouco as coisas. Então, suponho que eu tenho que estar do lado deles."


Terry Pratchett – Feet of Clay
A situação está crítica em Ankh-Morpork – mas, bem, quando não está, não é mesmo? Mês sim, mês não, a Guilda dos Alquimistas implode um inteiro quarteirão, invasores tentam conquistar a cidade (e acabam domesticados e devendo as calças no bar mais próximo), os magos da Universidade Invisível fazem um rasgo no tecido da realidade e alguém começa uma conspiração para tirar Lorde Vetinari do poder.


Em Guardas! Guardas! tentaram alcançar o último objetivo citado encontrando um rei para Ankh-Morpork – um que fosse gigantesco, tivesse asas, dentes afiados, soltasse fogo pela boca e apetite por montanhas de ouro e virgens sacrificadas. Quando de Men at Arms, encontraram-se provas de que realmente existia um herdeiro (humano) do trono e uma conspiração em torno de uma arma estranha surgiu para assassinar todos os líderes de Guildas e coroar o novo sire

Ditas provas desapareceram misteriosamente, mas, à altura dos acontecimentos de Feet of Clay, todo mundo parece saber que herdeiro do trono trabalha na Guarda.

O que ninguém esperava é que esse herdeiro – não um descendente direto da família real, mas um conde e parte do rei – seria o cabo Nobb (alguém que precisa andar por aí com um documento assinado pelo Patrício confirmando que sim, ele é humano).

Ou será que isso não é apenas uma desculpa para se aproveitar dos rumores e coroar alguém que seja suficientemente maleável aos interesses do povo (numa concepção bastante restrita da palavra, claro)?

Obviamente que não basta achar alguém de sangue nobre para suportar o peso da coroa. Um ou dois assassinatos estão na ordem do dia – e não foram assassinatos registrados pela Guilda dos Assassinos, o que significa que estão fora da lei. E não esqueçamos do envenenamento de Lorde Vetinari.

Se fosse só isso, Comandante Vimes da Guarda de Ankh-Morpork já teria uma agenda bem cheia. Mas entre uma investigação e outra, ele ainda precisa conceder entrevistas de emprego – e aí entra Cheery Littlebottom, anão e perito forense... e primeiro de sua raça no Disco a querer revelar publicamente que por baixo da barba, ela é bem feminina -, lidar com nobres arrogantes, vampiros suicidas, pistas demais e linchamentos de golens em praça pública.

Sim, porque golens estão sendo acusados dos assassinatos investigados – ainda que sua programação deixe bem claro o comando de ‘não matarás’ (olá, Asimov) - e a turba, que individualmente não é muito inteligente e coletivamente tem o Q.I. de um troll no deserto – achou que era uma boa idéia aproveitar o momento para destruir aquilo de que tem medo.

O medo é uma emoção poderosa e aqui serve de combustível para ações bastante irracionais – mas, bem, o que poderíamos esperar quando tratamos com seres humanos? Não é à toa que Vimes seja cínico, desconfiado e raivoso na maior parte do tempo – considerando tudo, é uma atitude perfeitamente adequada diante daquilo que a vida joga para ele.
"Vimes esforçou-se para pôr-se de pé, balançou a cabeça e partiu atrás. Nenhum pensamento estava envolvido. É o instinto ancestral de terriers e policiais perseguir qualquer coisa que foge."


A Coruja


____________________________________

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sobre

Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

Cadastre seu email e receba as atualizações do blog

facebook

Arquivo do blog