21 de fevereiro de 2018

Dando a Volta ao Mundo em 80 Dias

Tipicamente inglês, Phileas Fogg talvez não fosse londrino. Nunca foi visto na Bolsa, nem no Banco, nem em nenhuma das repartições da City. Tampouco as marinas ou as docas de Londres haviam recebido navio cujo armador fosse Phileas Fogg. Esse gentleman não figurava em nenhum conselho de administração. Seu nome nunca ecoara numa banca de advogados, nem no Temple, nem em Lincoln’s Inn, nem em Gray’s Inn. Nunca sofrera nenhum processo nem no Tribunal do Chanceler, nem no da Rainha, nem no Exchequer, ou qualquer tribunal eclesiástico. Não era nem industrial, nem negociante, nem comerciante, nem agricultor. Não fazia parte nem do Instituto Real da Grã-Bretanha, nem do Instituto de Londres, nem do Instituto dos Manufatureiros, nem do Instituto Russell, nem do Instituto Literário do Ocidente, nem do Instituto dos Advogados, nem tampouco do Instituto de Artes e Ciências Reunidas, patrocinado diretamente por Sua Graciosa Majestade. Não pertencia enfim a nenhuma das incontáveis agremiações que pululam na capital da Inglaterra, desde a Sociedade de l’Armonica até a Sociedade Entomológica, criada com a finalidade precípua de dar cabo dos insetos nocivos.

Phileas Fogg era membro do Reform Club, ponto-final.
Quando completei dez anos, D. Mãe me levou para conhecer a famosa ‘Livro 7’, livraria no centro do Recife que foi um marco cultural da cidade e, entre as décadas de 70 e 80, a maior da América Latina (de acordo com o Guinness). Nós tínhamos nos mudado para Pernambuco naquele ano e essa foi a primeira e última vez que visitei o espaço. A Livro 7 já estava em declínio à época, mas lembro de ter me apaixonado de cara assim que entrei na loja.


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15 de fevereiro de 2018

Empilhando no Escaninho #26 (Os Links da Coruja)


Passei o carnaval hibernando em casa - de sexta até a quarta de cinzas, não coloquei o pé para fora de casa nem para descer até a portaria. Entre livros, pão doce, sonecas e as apresentações de patinação artística nas Olimpíadas de Inverno, foi um descanso mais que necessário para compensar o ritmo meio bizarro que meu início de ano assumiu. E, claro, nesse meio tempo também deu para acumular muitos links legais para compartilhar com vocês por aqui. Vamos à lista?


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9 de fevereiro de 2018

Lendo ainda mais ensaios: A Slip of the Keyboard

Real fantasy is that a man with a printing press might defy an entire government because of some half-formed belief that there may be such a thing as the truth.
- Discurso no Prêmio Carnegie Medal, 2002
Ando numa daquelas minhas fases em que é mais fácil digerir a leitura de não-ficção. Não sei explicar (ainda) o motivo dessas minhas periódicas mudanças de humor literárias, porque, na maioria das vezes, os livros com que acabo curando minhas ressacas de ficção não são mais fáceis ou menos densos que os calhamaços que volta e meia fazem lar na minha cabeceira.


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6 de fevereiro de 2018

Um Ensaio Após o Outro: Lendo Ursula Le Guin



O falecimento de Ursula Le Guin, mês passado, fez com que eu saísse à cata de livros dela para ler. Já tinha experiência com sua fantasia e sua ficção científica e estava interessada, especificamente, nos livros de ensaios, nos quais ela escreve sobre o trabalho do escritor, sobre a necessidade e a função da literatura e da fantasia em tempos modernos.


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1 de fevereiro de 2018

Desafio Corujesco 2018 - Uma Aventura no Mar || Nós, os Afogados

As nuvens acima do mar congelado mudavam, mas ele já as conhecia todas. Havia muito com que os olhos se refestelassem, mas nada para a alma. Albert tinha fome de algo que o céu não era capaz de satisfazer. Em algum lugar do planeta, precisava existir um tipo diferente de luz. Um mar que espelhasse novas constelações. Uma lua maior. Um sol mais quente.
Embora seja escrito em prosa, não tenho dúvidas de que o romance dinamarquês Nós, os Afogados mereça a classificação de epopéia - no sentido de ‘uma extensa narrativa heróica que faz referência a temas históricos, mitológicos e lendários’. No espaço de um século, acompanhamos a história de três homens - Laurids Madsen, seu filho, Albert e Knud Erik, um órfão que Albert acaba ajudando a criar -, confundidas com a história da cidade de Marstal, na Dinamarca, e dos conflitos em que os homens de Marstal se envolvem, incluindo as duas guerras mundiais. Sendo Marstal uma terra de portos e navegadores, essa é também uma narrativa de marinheiros, da evolução dos veleiros para os barcos a vapor e, claro, de ‘histórias de pescador’ - um pé, pois, no realismo fantástico.


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31 de janeiro de 2018

Conversas Sobre o Tempo: Um Ano de Efemérides


Nunca dantes na história deste país…” Assim poderia começar a história, como uma fórmula quase mágica que bem poderia substituir em tempos modernos o prelúdio fabuloso do “era uma vez...”. Mas esse é um início perigoso, que esquece que a História é cíclica e tende a se repetir - algo que bem podemos perceber quando observamos quantos marcos importantes tem aniversários em datas redondas esse ano, o que transforma 2018 em um bom ano para relembrar.


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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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