21 de outubro de 2017

All Hollow’s Read: Romance Gótico, Uma História


É difícil traçar as origens do Horror como gênero literário porque, sendo derivado de uma emoção primeva (talvez uma das primeiras que o Homem, saindo das Cavernas, sentiu), nossas histórias de terror têm suas raízes numa tradição oral, religiosa e folclórica. O desconhecido nos causa medo e, durante muito tempo, tudo o que nossos olhos alcançavam nos era desconhecido. Ou, como Lovecraft muito bem resume no ensaio Horror Sobrenatural em Literatura, “a mais antiga e poderosa emoção da humanidade é o medo, e o tipo de medo mais antigo e forte é o medo do desconhecido”. A mitologia nasceu da necessidade de explicar o mundo ao nosso redor e é óbvio que parte dessas explicações passam pelo ciclo da morte - gerando, muitas vezes, contos de espanto e repulsa. Afinal, quantos não são os heróis mitológicos que descem ao mundo dos mortos? E não são todas essas jornadas caminhos feitos no escuro, sob forte tensão, capazes de causar lágrimas, desespero e, claro, horror?


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16 de outubro de 2017

Desafio Corujesco 2017 - Uma História que Combine com o Halloween || Uma Estranha Família

Casa era um quebra-cabeças dentro de um enigma dentro de um mistério, pois ela abarcava silêncios, cada um deles diferente, e camas, cada uma de um tamanho diferente. algumas com tampas. Alguns tetos eram altos o suficiente para permitir vôos com descanso, e ali as sombras podiam se pendurar de ponta-cabeça. A sala de jantar abrigava treze cadeiras, todas elas com o número treze, para que ninguém se sentisse alijado da distinção que esse número implicava. Os candelabros lá em cima eram feitos a partir das lágrimas de almas atormentadas, perdidas no mar havia quinhentos anos de vindimas e estranhos e estranhos nomes nas garrafas guardadas lá dentro e cantinhos vazios para visitantes que não gostassem de camas ou dos poleiros nos tetos altos.
Continuando meu desafio pessoal de ler tudo o que eu achar da bibliografia do Bradbury, peguei esse aqui da estante para aproveitar tanto o tema do mês no Desafio Corujesco quanto o All Hallow’s Read. Uma Estranha Família já estava esperando por aqui faz um tempinho, depois que o consegui numa troca pelo Skoob e foi uma leitura bem rápida e leve.


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12 de outubro de 2017

Bruxas, bonecas e olhos de botão no universo de Coraline


Hoje é o dia das crianças, e que data seria melhor que essa para aproveitarmos o embalo do All Hallow's Read e falarmos sobre Coraline, uma das obras mais famosas do Neil Gaiman? Coraline, afinal, é um conto de fadas em sua melhor tradição: estranho, sombrio, repleto de verdades difíceis, mas também de coragem e determinação, com uma brava heroína que não tem nada de mocinha indefesa e monstros assustadores e famintos. É uma história que pode ser lida como um conto de terror - certamente capaz de causar calafrios - mas é também uma grande e maravilhosa aventura.


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5 de outubro de 2017

O Livro do Juízo Final: Viagens no Tempo, Empatia e Religião

- "Deus enviou o Seu filho único ao mundo."

Deus nunca teria feito isso se soubesse o que aconteceria, pensou Dunworthy. Herodes e o Massacre dos Inocentes e o Getsêmani.

- Leia para mim alguma passagem de são Mateus - pediu ele. - Capítulo 26, versículo 39.

A sra. Gaddson parou, pareceu irritada, mas folheou as páginas até o Evangelho de Mateus.

- "E, indo um pouco adiante, prostrou-se com o rosto em terra e orou: 'Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice'".

Deus não fazia ideia de onde estava seu filho, pensou Dunworthy. Ele enviara seu único filho para o mundo, mas alguma coisa tinha dado errado com o fix, e alguém desligara a rede, de modo que Ele não pôde mais alcançá-lo, e então as pessoas prenderam o filho, puseram uma coroa de espinhos em sua cabeça e o pregaram numa cruz.

- Capítulo 27 - disse ele. - Versículo 46.

Ela contraiu os lábios e virou a página.

- Eu realmente não acho que estes sejam trechos da Escritura apropriados para...

- Leia - interrompeu ele.

- "Por volta da hora nona, Jesus deu um grande grito: '
Eli, Eli lamá sabachtáni?', isto é: 'Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?'".

Kivrin não faria nenhuma ideia do que podia ter acontecido. Pensaria que havia escolhido o local errado, ou o dia errado, que tinha perdido a noção do tempo de algum modo, que alguma coisa dera errado com o salto. Pensaria que tinha sido abandonada.
O que você faria se pudesse estudar História viajando pela História? É isso que acontece no futuro não-tão-distante de 2054, no Departamento de História de Oxford, cenário que abre O Livro do Juízo Final e que eu estava extremamente ansiosa para ler desde que tive o prazer de descobrir Connie Willis, em duas antologias de contos, no ano passado. Se bem que muito antes disso, meu amigo Enrique já tinha feito a indicação de To Say Nothing of the Dog, que se passa no mesmo universo, de forma que preciso dedicar o texto de hoje a ele. Sério, Enrique, muito obrigada por ter me apresentado à Willis.


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1 de outubro de 2017

Tradução – Irmã Bruxa


O ensaio a seguir foi traduzido da revista Faerie Magazine. A autora é Alice Hoffman, autora do livro Da Magia à Sedução, que deu origem ao filme homônimo com Sandra Bullock e Nicole Kidman que passava direto na Sessão da Tarde lá pela década de 90. Ia indicá-lo na minha próxima lista de links do Empilhando no Escaninho, mas achei que seria interessante traduzi-lo, aproveitando que estamos no começo do mês de Halloween – e do All Hallow’s Read.

Como de hábito, tenho de lembrar que não sou uma tradutora profissional, de forma que, se puderem ler em inglês, deem uma olhada no original.Ainda, sobre o assunto de bruxas como mulheres que se recusaram a seguir o caminho que a sociedade achava que elas deviam seguir, recomendo também ler o ensaio Porque Gandalf Nunca se Casou, do Terry Pratchett, e que já traduzi ano passado aqui.


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30 de setembro de 2017

A Vertigem das Listas: Nove Personagens para Discutirmos Depressão


Lulu: Assim como acontecem o outubro rosa (para chamar atenção para prevenção do câncer de mama) e o novembro azul (para o câncer de próstata), setembro foi eleito o mês de conscientização para o combate à depressão e suicídio: o setembro amarelo. E esse ano em especial, a Organização Mundial de Saúde colocou a depressão como o tema do Dia Mundial da Saúde, com uma iniciativa batizada Let’s Talk. Ainda existe muito preconceito em torno do assunto, muita gente que acha que depressão é frescura, coisa de gente que não tem o que fazer, e exatamente por isso é tão necessário debater a sério o assunto.

Assim é que o tema do vertigem desse mês é mais que uma lista de nomes, mas uma desculpa para utilizar personagens para falar, para fomentar a discussão. São Nove Personagens para Discutirmos Depressão, o que significa que não necessariamente eles tenham sido diagnosticados por seus autores, mas sim que sua interpretação dê abertura suficiente para essa conversa.


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Livros, viagens, filosofia de botequim e causos da carochinha: o Coruja em Teto de Zinco Quente foi criado para ser um depósito de ideias, opiniões, debates e resmungos sobre a vida, o universo e tudo o mais.

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